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Até quando o futebol vai tolerar o racismo que se repete nas arquibancadas argentinas?

  • Foto do escritor: Eric Rudhiery
    Eric Rudhiery
  • 14 de ago.
  • 2 min de leitura

Caso envolvendo o goleiro Hugo Souza, do Corinthians, reacende discussão sobre episódios recorrentes contra brasileiros e a insuficiência das punições no futebol sul-americano


Mais uma partida de futebol. Mais um estádio argentino. Mais um brasileiro denunciando racismo. E, novamente, a pergunta que deveria constranger dirigentes e entidades esportivas: até quando?


Na noite desta quinta-feira (13), o goleiro Hugo Souza, do Corinthians, relatou ter sido alvo de insultos racistas durante o empate por 0 a 0 contra o Rosario Central, no Gigante de Arroyito, pela Libertadores. Segundo o jogador, torcedores o chamaram repetidamente de “macaco”, “mono” e utilizaram outra expressão racial ofensiva. O árbitro Andrés Matonte foi comunicado e acionou o protocolo antirracismo da Conmebol. A partida, porém, continuou.


Em 2022, torcedores do Boca Juniors foram flagrados imitando macacos em confrontos contra o Corinthians. A Conmebol posteriormente multou o clube argentino em US$ 100 mil. No mesmo ano, torcedores do Estudiantes cometeram atos racistas contra brasileiros do Red Bull Bragantino; o clube recebeu multa de US$ 30 mil.


Dois anos depois, em 2024, torcedores do próprio Estudiantes voltaram a ser filmados fazendo gestos de macaco, desta vez contra gremistas. Em 2023, o Racing também foi punido após gestos racistas de seus torcedores contra brasileiros em partida diante do Flamengo.


O problema, portanto, deixou há muito tempo de poder ser tratado como simples comportamento de “um torcedor isolado”. Não se trata de acusar todos os argentinos, generalização que seria irresponsável, mas de reconhecer um padrão recorrente em determinadas arquibancadas que as autoridades do futebol ainda não conseguiram interromper.


Multas parecem ter se transformado em custo operacional. Campanhas aparecem nos telões. Faixas dizem “basta de racismo”. Protocolos são acionados. E depois a bola volta a rolar.


Enquanto a punição não atingir efetivamente o espetáculo, com identificação e banimento de agressores, perda de mando de campo, fechamento de setores e sanções esportivas progressivas aos clubes reincidentes, a mensagem transmitida ao racista é perigosa: depois da indignação, tudo continuará praticamente igual.


A cobrança principal neste caso é da Conmebol, responsável pela Libertadores. Mas o problema alcança também a estrutura internacional do futebol. Em 2024, a própria FIFA abriu investigação após jogadores da seleção argentina serem filmados cantando uma música considerada racista e discriminatória contra atletas franceses de origem africana. Meses depois, a organização antidiscriminação Kick It Out chegou a cobrar publicamente FIFA e Conmebol por esclarecimentos sobre o andamento do caso.


É difícil conciliar discursos grandiosos contra o racismo com respostas que, tantas vezes, não produzem consequências proporcionais à gravidade dos atos.


O futebol não precisa de mais uma campanha bonita. Precisa fazer o racismo custar caro, esportiva, financeira e juridicamente.


Porque quando um goleiro precisa entrar em campo preparado não apenas para defender a bola, mas também para suportar ataques contra a própria cor da pele, já não estamos falando apenas de futebol.

 
 
 

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