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Branko Silva, do Brankuver: viajar também é aprender a enxergar o que está perto

Foto do escritor: Eric Rudhiery
Eric Rudhiery
há 10 minutos
7 min de leitura

Criador argentino compartilha lembranças do Nordeste brasileiro e da Patagônia, reflete sobre turismo responsável e revela os próximos passos de seu projeto de viagens.

Por Auctoritas Notícias | Entrevista exclusiva | 9 de outubro de 2026.


Branko Silva, criador do projeto de viagens Brankuver. Imagem cedida para a reportagem / acervo Brankuver.
Branko Silva, criador do projeto de viagens Brankuver. Imagem cedida para a reportagem / acervo Brankuver.

Às 5h30 da manhã, durante uma viagem pelo litoral do Nordeste brasileiro, Branko Silva já estava de pé. Enquanto o dia começava em pequenas cidades à beira-mar, ele saía para acompanhar o nascer do sol, um ritual que se repetiu em cada parada daquele roteiro. Em outro momento marcante, na Patagônia argentina, encontrou um público em silêncio diante de baleias que se aproximavam da costa. Mais do que dois destinos, essas lembranças ajudam a explicar o olhar por trás do Brankuver.


Argentino, formado em Comércio Internacional e Turismo, Branko transformou o hábito de fotografar, registrar vídeos e recomendar lugares em um projeto digital dedicado a viagens, gastronomia e experiências culturais. Sua proposta, segundo ele, é ir além das paisagens bonitas: oferecer informações úteis, observar o cotidiano local e incentivar uma relação mais responsável com os destinos.


Em entrevista exclusiva ao Auctoritas Notícias, o criador conta como nasceu o Brankuver, revisita passagens pelo Brasil e pela região de Puerto Madryn, discute a responsabilidade de quem influencia decisões de viagem e antecipa o desejo de reunir sua comunidade também fora das telas.


Como nasceu o Brankuver? O que despertou seu interesse por viagens e pela criação de conteúdo?


“Minha curiosidade por viajar começou muito antes de eu poder fazer isso por conta própria. Minha avó viajava bastante e, quando eu era pequeno, sempre esperava que ela voltasse com um cartão-postal, um presente ou uma história de algum lugar que, para mim, parecia muito distante.

Com o tempo, essa curiosidade se transformou em vontade de conhecer o mundo. Estudei Comércio Internacional e, depois, Turismo, mas o Brankuver nasceu de uma maneira muito mais espontânea, quase sem planejamento.

Sempre gostei de tirar fotografias, gravar vídeos e recomendar lugares. Em algum momento, comecei a compartilhar essas experiências no Instagram e descobri que gostava tanto de viajar quanto de contar o que havia vivido.

Hoje, o Brankuver ainda tem muito daquele hobby inicial, mas também se tornou um projeto que quero continuar desenvolvendo. É uma maneira de combinar várias coisas pelas quais sou apaixonado: viagens, aventura, gastronomia e a possibilidade de inspirar outras pessoas a descobrir lugares novos.”


O que você procura observar quando chega a um destino novo?


“Quando chego a um lugar novo, tento não pensar imediatamente no conteúdo que vou produzir. Primeiro, gosto de percorrer o lugar, observar e descobrir o que ele tem de especial.

Muitas vezes, o mais interessante de um destino não é necessariamente sua atração turística mais conhecida. Pode ser uma conversa com alguém dali, uma comida que nunca experimentei ou uma experiência que não estava nos planos.

Gosto de prestar atenção nessas coisas porque acredito que são elas que acabam fazendo uma viagem ser diferente.

Depois, tento transmitir tudo de maneira próxima, como se estivesse recomendando aquele lugar a um amigo.

E algo que considero fundamental é compartilhar informações úteis. Não quero que alguém veja um vídeo e pense apenas: “Que lugar bonito”. Quero que essa pessoa também consiga se imaginar viajando até lá e tenha ferramentas para fazer isso.”


Branko Silva durante uma de suas viagens. Imagem cedida para a reportagem / acervo Brankuver.
Branko Silva durante uma de suas viagens. Imagem cedida para a reportagem / acervo Brankuver.

Houve alguma viagem ou algum encontro que mudou especialmente sua maneira de entender o turismo?


“Existem duas experiências de que me lembro especialmente e que representam muito bem o que procuro quando viajo.

Uma delas foi uma viagem que fizemos com amigos ao Nordeste do Brasil. Chegamos a Recife, alugamos um carro e começamos a percorrer o litoral, permanecendo aproximadamente três noites em cada lugar. Conhecemos localidades como Patacho, Japaratinga, Pontal do Mangué, Tamandaré, Maracaípe e Porto de Galinhas.

Foi uma daquelas viagens de que gostei do começo ao fim, não apenas pelas praias incríveis que encontramos, mas porque pudemos conhecer lugares muito menos turísticos e descobrir outra face do Brasil.

Durante essa viagem, eu tinha um costume: acordava todos os dias às 5h30 da manhã para ver o nascer do sol em cada cidadezinha que visitávamos. Adorava sair quando tudo ainda estava tranquilo, caminhar pela praia e ver como o dia começava em cada lugar. Embora estivéssemos percorrendo a mesma região, cada amanhecer tinha algo diferente.

Sempre brinco com meus amigos, dizendo que tenho meu próprio cantinho em Carneiros. É um acesso à praia onde praticamente não há nada: nem restaurantes, nem guarda-sóis, nem serviços. Você precisa levar uma caixa térmica, algo para comer e tudo o que for necessário para passar o dia. E, mesmo assim, é uma das praias de que mais gostei em toda aquela região.

Acredito que essa viagem reforçou algo de que sempre gostei: sair um pouco dos roteiros tradicionais e conhecer as cidades menores de cada destino. Adoro caminhar por suas ruas, conversar com quem mora ali, conhecer seus costumes e descobrir histórias que muitas vezes não aparecem em nenhum guia turístico.

A outra experiência foi muito mais recente, em Puerto Madryn, na Patagônia argentina, onde conheci El Doradillo.

É uma praia onde, durante a temporada, as baleias-francas-austrais se aproximam muito da costa. Você pode se sentar com um chimarrão e observá-las a poucos metros, sem precisar embarcar.

Mas o que mais me surpreendeu não foram apenas as baleias. Foi ver dezenas de pessoas sentadas diante do mar, praticamente em silêncio, observando e ouvindo a respiração daqueles animais.

Isso me fez pensar que, muitas vezes, viajamos em busca de experiências extraordinárias e nos esquecemos de que algumas das mais incríveis consistem simplesmente em parar e observar.

Compartilhei essa experiência no Brankuver, e o vídeo alcançou mais de um milhão de pessoas. Mas, para além das visualizações, o que ficou foi a sensação de ter mostrado algo que merece ser conhecido e, sobretudo, respeitado.

Essas duas viagens, embora completamente diferentes, me deixaram uma lição parecida: muitas vezes, as experiências mais memoráveis não são as que custam mais nem as que aparecem em todas as recomendações, mas aquelas que nos permitem criar uma conexão verdadeira com um lugar.

E acredito que seja justamente isso que mais me agrada no turismo: descobrir esses pequenos detalhes, conhecer as pessoas e viver experiências que tornam cada destino único.”


Registro de avistamento de baleia presente no material fotográfico disponibilizado pelo Brankuver.
Registro de avistamento de baleia presente no material fotográfico disponibilizado pelo Brankuver.

Qual é a responsabilidade de um criador de conteúdo turístico ao recomendar destinos e experiências?


“Acredito que temos uma responsabilidade importante, especialmente quando um conteúdo começa a alcançar milhares ou milhões de pessoas.

Uma recomendação pode levar alguém a decidir viajar, gastar suas economias ou visitar um lugar que, até então, desconhecia.

Por isso, considero fundamental ser honesto com aquilo que mostramos.

Nem todos os destinos são perfeitos, nem todas as experiências servem para todo mundo, e também não deveríamos recomendar alguma coisa apenas porque fica bem em um vídeo.

Acredito ainda que precisamos ter consciência do impacto que podemos causar nos lugares que visitamos.

Voltando ao exemplo de El Doradillo, mostrar baleias a poucos metros da costa pode despertar muito interesse. Mas também é importante explicar que se trata de uma área natural protegida e que a melhor maneira de aproveitar essa experiência é respeitar os animais e o ambiente em que vivem.

Para mim, um bom conteúdo turístico não é apenas aquele que consegue muitas visualizações, mas aquele que desperta curiosidade, informa e incentiva uma maneira responsável de viajar.”


Amanhecer à beira-mar: contemplar o início do dia tornou-se um dos rituais de Branko nas viagens. Imagem cedida / acervo Brankuver.
Amanhecer à beira-mar: contemplar o início do dia tornou-se um dos rituais de Branko nas viagens. Imagem cedida / acervo Brankuver.

Que conselho daria a quem sonha em viajar mais? E quais são os próximos projetos para o Brankuver?


“Eu diria para essa pessoa não esperar ter a viagem perfeita para começar a conhecer lugares novos.

Às vezes, pensamos que viajar significa atravessar um oceano, pegar um avião ou gastar muito dinheiro. Mas, muitas vezes, temos lugares incríveis a poucas horas de casa que ainda não conhecemos.

Acredito que viajar também seja aprender a olhar com curiosidade para aquilo que temos perto de nós.

É claro que dinheiro e tempo são limitações reais, mas planejar, pesquisar e começar por destinos acessíveis pode nos ajudar a transformar esse desejo em algo possível.

Quanto ao Brankuver, gostaria de continuar descobrindo destinos da Argentina, do Brasil e de outros países latino-americanos.

O Brasil é um país que visitei várias vezes e do qual ainda tenho muito a conhecer. Tenho especial interesse em continuar descobrindo sua gastronomia, sua cultura e aqueles lugares que talvez não sejam os primeiros que aparecem quando pensamos em viajar.

Também gostaria de desenvolver novas experiências ligadas ao turismo. Há anos participo da organização de excursões esportivas para um clube social, e um dos meus projetos para o futuro é aproveitar essa experiência para organizar viagens em grupo por meio do Brankuver.

Entusiasma-me a ideia de que uma comunidade que hoje compartilha recomendações e experiências por meio de uma tela possa, algum dia, compartilhar também uma viagem.”


Nas respostas de Branko Silva, viajar não aparece como uma corrida para acumular países visitados ou imagens para as redes sociais. O que dá sentido ao percurso é a atenção: ao amanhecer de uma cidade pequena, à conversa com seus moradores ou ao silêncio de quem observa a vida selvagem sem interrompê-la.


Entre a experiência pessoal e a responsabilidade de orientar outros viajantes, o Brankuver busca transformar curiosidade em informação útil. E o próximo desafio, como conta seu criador, pode levar essa comunidade digital a dividir o mesmo caminho, não apenas a mesma tela.


Quem é Branko Silva?

Branko Silva é um criador de conteúdo argentino, formado em Comércio Internacional e Turismo e fundador do Brankuver, projeto digital dedicado a viagens, destinos, gastronomia e experiências. A partir de Buenos Aires, reúne conteúdos audiovisuais e recomendações com foco em experiências turísticas reais, destinos acessíveis e turismo responsável.

Saiba mais

Instagram: @brankuver | https://www.instagram.com/brankuver/


Nota da redação

Entrevista concedida por escrito, em espanhol, e traduzida para o português pela redação do Auctoritas Notícias. As respostas foram reproduzidas integralmente, preservando o sentido e a sequência dos depoimentos originais.


As fotografias desta reportagem foram disponibilizadas por Branko Silva no acervo do projeto Brankuver, para acompanhar a entrevista.


Editado e revisado pelo diretor de Marketing, Eric Rudhiery Albuquerque.


 
 
 

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