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Da biologia aos quadrinhos: Lucas Eklipse transforma recomeço em carreira autoral

Foto do escritor: Eric Rudhiery
Eric Rudhiery
há 6 dias
5 min de leitura

Formado em Biologia pela UFF, o autor e ilustrador encontrou na produção independente uma mudança de vida e hoje constrói uma trajetória marcada por obras autorais, feiras, contato direto com leitores e novos projetos.


Por Auctoritas Notícias


Lucas Eklipse apresenta seus trabalhos em evento. Foto: arquivo pessoal / Lucas Eklipse
Lucas Eklipse apresenta seus trabalhos em evento. Foto: arquivo pessoal / Lucas Eklipse

Em poucos anos, Lucas Estevam, conhecido artisticamente como Lucas Eklipse, saiu de uma fase de profunda insatisfação profissional para construir uma rotina inteiramente dedicada à arte.

Formado em Biologia pela Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ), e então atuando como professor, ele decidiu em 2022 retomar uma paixão antiga: desenhar, criar personagens e contar histórias.


A mudança não nasceu de uma decisão impulsiva. Segundo Lucas, o processo começou no auge da pandemia, quando percebeu que já não se reconhecia na carreira que levava. Ao mesmo tempo em que buscou ajuda e iniciou terapia, voltou a desenhar depois de um longo período parado e passou a acompanhar conteúdos sobre quadrinhos e artistas brasileiros.


Cursos online e a convivência com outros criadores deram a disciplina que faltava para transformar o desenho em projeto de vida.


Dessa retomada nasceu "A Caverna do Feiticeiro", publicado em 2023. A obra, um volume único de 184 páginas, acompanha personagens que exploram uma caverna misteriosa em busca de um feiticeiro capaz de realizar qualquer desejo. Para o autor, porém, a aventura também carrega um sentido pessoal: o projeto se tornou uma metáfora do próprio processo de mudança.


"Depois de nove meses de produção, nasceu A Caverna do Feiticeiro. Desde cedo, era um projeto que simbolizava meu processo de mudança."


Exemplar de "A Caverna do Feiticeiro", obra de estreia de Lucas Eklipse. Foto: arquivo pessoal / Lucas Eklipse
Exemplar de "A Caverna do Feiticeiro", obra de estreia de Lucas Eklipse. Foto: arquivo pessoal / Lucas Eklipse

O retorno dos leitores ajudou a consolidar a decisão de seguir na área. Lucas conta que, apesar de introvertido, passou a frequentar feiras e eventos para apresentar pessoalmente o trabalho. Em 2023, participou do Anime Friends, em São Paulo, e esgotou os cem exemplares que havia levado. A experiência, segundo ele, mostrou que o contato direto com o público poderia ser tão decisivo quanto o próprio processo de criação.


Embora as ideias possam surgir de experiências antigas, novas referências, opiniões ou situações cotidianas, Lucas descreve a produção de uma obra como um processo organizado e metódico. Quando uma ideia ganha força, ele define o tema central, relaciona os personagens à proposta da narrativa e estrutura o roteiro antes de avançar para os rascunhos.


É justamente no rascunho que ele concentra a maior parte das decisões narrativas. Lucas pensa no fluxo visual das páginas, na posição dos balões, nos enquadramentos, nas cenas de ação e na maneira como cada elemento pode conduzir o olhar do leitor. A prioridade é evitar ruídos que quebrem a imersão. Depois dessa etapa, vêm finalização, coloração, revisão e texto.


Com o tempo, o domínio das ferramentas digitais cresceu, mas o autor afirma ter desenvolvido algo que considera ainda mais importante: paciência com o próprio processo. Em vez de se concentrar apenas no resultado final, passou a valorizar cada etapa da construção de uma história.


Na visão de Lucas, um dos maiores equívocos sobre a carreira independente é imaginar que o trabalho termina quando a última página está pronta. Sem uma grande equipe de marketing por trás, o próprio artista precisa divulgar, apresentar, vender e criar relacionamento com o público. Para ele, essa etapa pode ser mais difícil do que produzir o quadrinho.


As redes sociais funcionam como vitrine, mas também colocam o trabalho em disputa permanente pela atenção. Por isso, Lucas atribui enorme importância aos eventos presenciais. Quando o leitor pode folhear o livro, observar as artes e conversar diretamente com o autor, a obra deixa de ser apenas uma imagem na tela e passa a ocupar um espaço concreto.


Essa proximidade também o ensinou a lidar com a rejeição. Nem todas as pessoas vão se interessar por uma obra independente, e isso faz parte do processo. O objetivo, diz ele, é encontrar aqueles leitores que realmente se conectam com o trabalho e podem formar uma comunidade em torno dele. "Justamente por serem escassos que devemos valorizar os 'sins' que recebemos", resume.


Ao avaliar o cenário brasileiro, Lucas enxerga desafios tanto individuais quanto coletivos. Para o artista, encontrar o público ideal exige consistência, estratégia e disposição para aparecer, seja em feiras, seja em plataformas digitais. Ao mesmo tempo, ele acredita que os quadrinhos nacionais ainda ocupam um espaço muito nichado dentro da cultura geek e gostaria de vê-los chegar a uma circulação cultural mais ampla.


Plataformas digitais de quadrinhos autorais, na avaliação dele, podem ampliar oportunidades para criadores que estão longe dos grandes centros e dos eventos mais frequentes. Mas a lógica permanece a mesma: o artista precisa construir uma vitrine, tornar o trabalho visível e acreditar na própria carreira antes de esperar o reconhecimento externo.


Capa de "Ari e o País das Máscaras" (2025), apontado pelo autor como um dos trabalhos que melhor representa sua trajetória. Imagem: Lucas Eklipse
Capa de "Ari e o País das Máscaras" (2025), apontado pelo autor como um dos trabalhos que melhor representa sua trajetória. Imagem: Lucas Eklipse

Depois de "A Caverna do Feiticeiro", Lucas lançou "RTM - Repair the Machine" (2024), "Ari e o País das Máscaras" (2025), "Doces, Travessuras e Contos Assombrados" (2026) e o livro de colorir autoral "Os Signos Curtindo as Férias de Verão" (2026). Também trabalhou como ilustrador de "O Poderoso Manual Mágico para Meninos e Meninas Valentes", da Editora Edelbra, e de "A Chegada de Di.Niterói", da MHQ Editora, além de atuar como colorista na história "Proteção Eterna", publicada em "Contos da Jaguara nº 3".


Entre os próprios trabalhos, "Ari e o País das Máscaras" ocupa um lugar especial. A aventura fantástica aborda amadurecimento, erros, decepções, medo e autossabotagem - temas que dialogam diretamente com a própria trajetória do autor e com a decisão de não permitir que inseguranças determinem seus próximos passos.


Para o futuro, Lucas mantém uma lista extensa de ideias. Entre elas estão a possibilidade de revisitar os primeiros quadrinhos, criar uma sequência ou remake e desenvolver um projeto mais longo, com publicação periódica. Ele também cogita explorar formatos diferentes, como uma novel ilustrada, ampliando o espaço da escrita textual em seu trabalho.


A ambição, no entanto, continua ligada ao princípio que marcou sua mudança de vida: produzir obras que tenham sentido para ele e que permaneçam na memória de quem lê.


"Acredito que a pior sensação para um artista é que ele está sendo ignorado, então sempre me dedico para que os meus trabalhos sejam inesquecíveis", afirma.



Sobre o autor:

Formação: Biologia - Universidade Federal Fluminense (UFF)

Atuação: autor, quadrinista e ilustrador independente

Instagram: @l.eklipse

Site/portfólio: www.lucaseklipse.com



As informações, respostas e imagens utilizadas nesta matéria foram enviadas por Lucas Estevam ao Auctoritas Notícias por e-mail, com autorização para publicação. O conteúdo foi organizado e editado pelo diretor de Marketing Eric Rudhiery Albuquerque, a partir do material encaminhado pelo próprio entrevistado.

 
 
 

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