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Debate tem cordialidade entre presentes, ataques aos ausentes e Renan como voz mais dura

  • Foto do escritor: Eric Rudhiery
    Eric Rudhiery
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Cury critica agressividade de Renan Santos, enquanto Caiado aposta na experiência em Goiás, mas termina noite sem assumir protagonismo


O primeiro debate presidencial das eleições de 2026 terminou com uma dinâmica pouco convencional: cordialidade entre os candidatos presentes e munição pesada contra aqueles que decidiram não aparecer.


Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) ocuparam apenas três dos seis púlpitos preparados pela Band neste domingo (23). Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) ficaram de fora, deixando espaços vazios que acabaram se tornando parte central do próprio debate.


Se faltou confronto direto entre os três presentes, sobraram críticas aos ausentes.


Caiado classificou adversários como “fujões”. Cury questionou a ausência dos principais nomes da disputa e chegou, antes do programa, a anunciar que não participaria do encontro em protesto, decisão que posteriormente reviu. Renan Santos foi ainda mais contundente, transformando a ausência dos rivais em uma de suas principais armas políticas da noite.


Entre os três candidatos no palco, Renan Santos foi quem mais procurou produzir confronto.


Falou de segurança pública, educação, economia e combate ao crime organizado, mas foi principalmente pelo estilo incisivo que chamou atenção. Renan atacou duramente Lula, Flávio Bolsonaro e seus respectivos campos políticos e não demonstrou preocupação em suavizar o discurso.


Durante um dos embates, Cury afirmou que Renan apresentava um “nível de agressividade que me assombra” e argumentou que ideias podem ter fundamento sem que a divergência política precise sufocar opiniões diferentes.


A crítica sintetizou uma das diferenças mais evidentes entre os dois candidatos.


Enquanto Cury tentou construir a imagem do conciliador, falando repetidamente em pacificação, diálogo e redução da polarização, Renan escolheu o enfrentamento.


Pode ter parecido agressivo para parte do eleitorado. Mas dificilmente passou despercebido.


Augusto Cury entrou no debate após um início turbulento nos bastidores.


Minutos antes do programa, chegou a anunciar que não participaria em protesto contra a ausência dos principais candidatos. Depois de conversar com o jornalista Fernando Mitre, voltou atrás e ocupou seu púlpito.


No palco, buscou exatamente o oposto da postura de Renan.


Cury falou sobre educação, saúde emocional, microempreendedorismo, relações internacionais e segurança pública. Defendeu ainda uma transição para a escala 5x2 e apresentou propostas de integração das forças policiais.


Mas seu principal posicionamento político foi outro: tentar se apresentar como alternativa à guerra permanente entre os polos.


A estratégia produziu momentos curiosos. Em vez de um debate marcado por ataques sucessivos entre os três participantes, houve concordâncias, reconhecimentos e um nível de cordialidade pouco comum em encontros presidenciais.


Ronaldo Caiado chegou ao debate com talvez o currículo político mais robusto entre os três participantes e tentou transformar sua experiência administrativa em argumento presidencial.


Usou Goiás repetidamente como vitrine, especialmente ao falar de educação e segurança. Citou resultados de sua gestão, defendeu inteligência artificial no combate ao crime, redução de despesas públicas e queda dos juros, além de propor medidas mais duras contra agressores de mulheres.


O problema foi político, não necessariamente programático.


Caiado não conseguiu transformar experiência em protagonismo.


Em um debate esvaziado, com apenas três candidatos e enorme espaço para exposição, esperava-se que um político experiente ocupasse naturalmente o centro da disputa. Isso não ocorreu.


Renan chamou atenção pela agressividade e pela disposição para o confronto. Cury buscou construir a figura do pacificador. Caiado apresentou currículo, números e realizações, mas terminou a noite com uma atuação mais protocolar.


Para quem já conhecia seu governo, reforçou argumentos conhecidos. Para quem esperava descobrir um candidato presidencial capaz de romper a polarização e comandar o debate, faltou impacto.


Os três homens que decidiram comparecer demonstraram mais disposição para atacar os púlpitos vazios do que uns aos outros.


Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema não estavam fisicamente no estúdio, mas permaneceram presentes durante boa parte do programa por meio das críticas dos adversários.


A Band preparou um debate entre seis candidatos. Na prática, três debateram, e os outros três, mesmo ausentes, continuaram sendo personagens centrais.


Entre os presentes, Renan foi o mais combativo, Cury o mais conciliador e Caiado o mais institucional.


O primeiro debate não necessariamente revelou quem está pronto para ocupar o Palácio do Planalto.


Mas mostrou com clareza como cada um pretende disputar espaço até outubro.

 
 
 

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