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Electric Blue revisita o legado de Dolores O’Riordan com identidade própria

Foto do escritor: Eric Rudhiery
Eric Rudhiery
12 de out.
4 min de leitura

Atualizado: 12 de out.

Formada na Itália, a banda fala ao Auctoritas Notícias sobre o repertório dos Cranberries, os shows na Irlanda e o desafio de preservar a emoção das canções sem transformar homenagem em imitação.


A Electric Blue durante apresentação ao vivo.  |  Imagem cedida pela Electric Blue.
A Electric Blue durante apresentação ao vivo. | Imagem cedida pela Electric Blue.

Uma banda tributo chega ao palco com uma parte de sua história já conhecida pelo público: as músicas. Mas reconhecer cada verso não significa que a experiência será uma simples repetição do passado. Entre a fidelidade ao repertório e a liberdade de interpretá-lo existe um espaço no qual os músicos precisam encontrar sua própria identidade.


É nesse ponto que se situa a Electric Blue, grupo italiano criado em Turim, em 2018, para revisitar a obra dos Cranberries e da vocalista Dolores O’Riordan. Com quatro integrantes, a banda acumula, segundo sua biografia, centenas de apresentações desde 2019. O circuito inclui diferentes regiões da Itália e shows na Suíça, na Alemanha, no Reino Unido e na Irlanda.


Foi justamente na Irlanda, país de origem dos Cranberries, que algumas das experiências mais marcantes do projeto aconteceram. Em Limerick, cidade natal de Dolores, os músicos encontraram pessoas que conviveram com a cantora na infância e ouviram relatos pessoais sobre sua vida. O contato acrescentou outra dimensão a um repertório que já atravessava gerações.


Em entrevista ao Auctoritas Notícias, Ilaria, vocalista do grupo, conta como surgiu a Electric Blue, explica por que a banda rejeita a imitação literal e descreve o que acontece quando canções como “Zombie” e “Dreams” encontram o público ao vivo.


A conversa foi realizada via e-mail e traduzida do italiano para o português, preservando o sentido das respostas.


Como nasceu a Electric Blue e quando vocês perceberam que o projeto não seria apenas uma banda tributo, mas também uma forma de manter viva a memória musical de Dolores O’Riordan e dos Cranberries?


Ilaria: "O projeto Electric Blue nasceu em 2018, de uma ideia de Aldo, nosso baixista, um grande apaixonado pelo rock dos anos 1990 e, sobretudo, fã dos Cranberries. Ilaria chegou ao projeto por meio de um anúncio em um portal de músicos, motivada pela curiosidade. O nome Electric Blue, além de ser o título de uma canção dos Cranberries, também faz referência à minha primeira guitarra elétrica, que era justamente azul-elétrico. A paixão pela banda esteve presente desde o início. A descoberta do repertório, inclusive de músicas menos conhecidas, e principalmente o privilégio de tocar na Irlanda e de conhecer pessoas que conviveram com os Cranberries e com Dolores nos fizeram compreender, cada vez mais, o que significa levar essas canções ao palco para quem nos ouve".


Integrantes da banda em registro fora dos palcos.  |  Imagem cedida pela Electric Blue.
Integrantes da banda em registro fora dos palcos.  |  Imagem cedida pela Electric Blue.

A voz de Dolores era extremamente reconhecível, tanto técnica quanto emocionalmente. Qual é a parte mais difícil de interpretar seu repertório sem transformar a homenagem em uma simples imitação?


Ilaria: "É justamente aí que está a chave do nosso projeto. Não gostamos de imitações idênticas. Para nós, o importante é buscar uma interpretação fiel aos sons e às atmosferas das canções, mas que continue sendo crível e autêntica. Existiu uma única Dolores e, como toda cantora, ela tinha um timbre de voz próprio e, principalmente, uma história de vida que carregava consigo e que marcava de maneira singular sua forma de cantar. Eu levo a minha".


Ilaria se apresenta com sua guitarra.  |  Imagem cedida pela Electric Blue.
Ilaria se apresenta com sua guitarra. | Imagem cedida pela Electric Blue.

Vocês já levaram esse tributo à Irlanda, terra dos Cranberries. O que significou tocar essa música justamente lá e qual momento dessa experiência vocês recordam com mais emoção?


Ilaria: "Tocamos várias vezes na Irlanda e, entre os lugares por onde passamos, o que mais nos emocionou foi Limerick. O mais bonito foi a maneira como as pessoas sempre nos receberam com alegria. Um dos momentos mais tocantes aconteceu exatamente em Limerick, quando conhecemos amigos de infância de Dolores, que nos contaram episódios do período em que conviveram de perto com ela. “Dolores would be proud” [“Dolores ficaria orgulhosa”] foi a frase mais bonita que poderíamos ouvir. No fim, são essas coisas que compensam todos os esforços, as viagens, as horas de avião e as noites sem dormir".


O repertório dos Cranberries ganha novas interpretações nos palcos da Electric Blue.  |  Imagem cedida pela Electric Blue.
O repertório dos Cranberries ganha novas interpretações nos palcos da Electric Blue. | Imagem cedida pela Electric Blue.

Depois de tantos shows, como o público reage quando começam músicas como “Linger”, “Dreams” ou “Zombie”? Vocês percebem que pessoas mais jovens também estão descobrindo Dolores?


Ilaria: "Nosso público é formado principalmente por pessoas da nossa geração, que viveram os anos 1990 e sentem essa nostalgia. Mas é muito bonito ver as novas gerações se aproximarem de músicas históricas como “Zombie” e “Dreams”, inclusive graças às colaborações que os irmãos Hogan vêm fazendo com jovens músicos irlandeses. Quando começa “Zombie”, naturalmente todo mundo canta. Mas também gostamos muito de encerrar os shows com “Dreams”, quando o público canta conosco os vocalizes finais. É um momento de grande emoção e partilha".


A formação da Electric Blue em concerto.  |  Imagem cedida pela Electric Blue.
A formação da Electric Blue em concerto. | Imagem cedida pela Electric Blue.

Se vocês tivessem de explicar a um leitor brasileiro por que Dolores O’Riordan continua ocupando um lugar tão forte na memória de milhões de pessoas, o que torna sua figura e sua voz tão especiais?


Ilaria: "Acredito que sejam sua voz única e a maneira como ela levava suas experiências de vida para as canções, além de sua humanidade e de sua fragilidade".


A resposta final de Ilaria é breve, mas ajuda a compreender a proposta da Electric Blue. Para o grupo, o legado de Dolores não se limita à potência ou ao timbre de uma cantora. Ele também está na relação entre a experiência pessoal, a interpretação e as pessoas que continuam a encontrar significado naquelas músicas.


Ao cantar para públicos de diferentes gerações e países, a banda reafirma que uma homenagem musical não precisa apagar a personalidade dos intérpretes. Pode, ao contrário, abrir novas portas para um repertório que continua a encontrar ouvintes.



Sobre a Electric Blue

Fundada em Turim na primavera de 2018, a Electric Blue é uma banda tributo aos Cranberries, com quatro músicos e repertório que inclui sucessos do grupo irlandês e trabalhos solo de Dolores O’Riordan. Desde 2019, realizou centenas de apresentações na Itália e também tocou na Suíça, Irlanda, Alemanha e Reino Unido. Seus formatos de show incluem apresentações com a banda completa e versões acústicas.


Fonte: entrevista por e-mail com Ilaria, enviada em 11 de outubro de 2026, e biografia fornecida pela banda.


Tradução, revisão e edição: Eric Rudhiery Albuquerque.



 
 
 

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