Entre o piano e o metal, Sara Emilia transforma melancolia em música e prepara novos lançamentos
Em entrevista exclusiva ao Auctoritas Notícias, cantora e compositora finlandesa conta como encontrou no piano um refúgio, explica sua sonoridade que chama de soft metal e revela os próximos lançamentos.
Por Auctoritas Notícias | Entrevista internacional
14 de outubro de 2026
Aos quatro anos, Sara Emilia começou a aprender piano com o pai. Na adolescência, depois de uma mudança da Finlândia para a Estônia, vieram a descoberta do canto, as primeiras composições e a experiência de se apresentar diante do público. Aos 22 anos, a cantora e compositora finlandesa já percorreu caminhos musicais distintos: lançou o álbum Pain, formado por baladas ao piano, apresentou o EP Light e, em 2026, passou a incorporar guitarras mais pesadas e elementos de metal ao próprio repertório.
A artista chama essa combinação de soft metal: uma música que reúne delicadeza, atmosferas melancólicas, força instrumental e letras sobre experiências pessoais. A descrição não pretende definir um gênero consolidado; é a maneira como Sara Emilia apresenta a sonoridade que está desenvolvendo.
Em entrevista exclusiva ao Auctoritas Notícias, ela fala de sua formação, da influência de artistas tão diferentes quanto Nightwish e Adele, das dificuldades que atravessou na juventude e da busca por esperança em composições de tom introspectivo. Também antecipa dois singles: Brain Fog, previsto para novembro, e Rain, planejado para depois da virada do ano.

Sara Emilia, cantora e compositora finlandesa. Foto: @renskuphotos / galeria oficial da artista.
Como começou sua relação com a música e quando você percebeu, pela primeira vez, que queria desenvolver um projeto artístico próprio?
“Meu pai começou a me ensinar a tocar piano quando eu tinha quatro anos. Pouco depois, meus pais contrataram uma professora particular e, alguns anos mais tarde, comecei a frequentar uma escola de música, onde estudei piano até os 12 anos. Então minha família e eu nos mudamos para a Estônia, onde vivemos durante cinco anos. Lá, não frequentei uma escola de música, mas continuava amando música e também descobri minha paixão pelo canto. Comecei a compor minhas próprias canções aos 12 anos e escrevi inúmeras baladas para piano na adolescência.
Enquanto morava na Estônia, também tive minhas primeiras experiências com apresentações. Cantei em festas da escola e fui a atração principal de uma gala universitária. Apresentar-me ao público era a coisa de que eu mais gostava naquela época, e foi então que decidi que queria uma carreira na música.
Voltamos à Finlândia quando eu tinha 16 anos, e comecei o ensino médio. Sempre fui uma pessoa melancólica, e o período escolar foi muito difícil para mim. No entanto, a música foi minha salvação: eu compunha constantemente, cantava na banda da escola e me apresentava em todas as festas e eventos escolares. Depois do nosso retorno à Finlândia, também voltei a estudar em uma escola de música, desta vez como cantora.
Antes de terminar o ensino médio, eu já havia gravado e lançado meu primeiro álbum de baladas ao piano, chamado Pain. Escrevi as canções desse álbum de estreia entre os 12 e os 15 anos. Foi também durante o ensino médio que comecei a fazer shows e a apresentar minhas próprias músicas.”
Sua música reúne contrastes: delicadeza e intensidade, melodia e elementos mais pesados. Como essa combinação passou a fazer parte da sua identidade artística e o que a atrai nesses contrastes?
“Sempre adorei metal, mas achava que minha voz não se encaixava nesse universo. Como fã do gênero, continuei ouvindo cada vez mais metal e descobri bandas muito interessantes, como Architects, Bad Omen, System of a Down, Evanescence e Linkin Park. Também ouvia muita música de outros estilos. Adele, Bon Jovi, Queen e BTS, para citar apenas alguns, sempre tiveram um lugar especial para mim. Entre as bandas finlandesas, alguns dos meus ídolos foram Nightwish e HIM. Também adoro canções de filmes da Disney e já as interpretei para grandes plateias com o acompanhamento de uma orquestra sinfônica.
Não gosto muito da ideia de que a música deva pertencer a um ou dois gêneros específicos. Adoro combinar diferentes estilos e romper as fronteiras entre eles. À medida que amadureci como cantora e compositora e ganhei coragem para fazer as coisas à minha maneira, comecei a pensar que poderia criar algo além de baladas ao piano.
Meu segundo lançamento ainda foi um EP centrado no piano, embora já trouxesse elementos de música ambiente e instrumentos de cordas muito interessantes. Depois disso, quis realmente mudar e fazer algo diferente com minha música. Ainda adoro a delicadeza dos elementos de piano, que provavelmente sempre farão parte das minhas canções, mas eles já não são o elemento principal.
Combinar componentes de diferentes estilos musicais é muito gratificante para mim. A mistura de sons ambientes, piano melancólico, guitarras pesadas, violoncelo agridoce e baterias potentes fala diretamente ao meu coração. Meu estilo atual reúne tudo o que amo em diferentes gêneros, e continua evoluindo. Não quero defini-lo de maneira rígida, mas, neste momento, chamo minha música de soft metal.
O metal é o estilo que mais gosto de ouvir, mas, como sou uma pessoa complexa, com diferentes facetas, também quero que minha música tenha contrastes. Para mim, é isso que a torna interessante. Vejo a música como uma forma de arte; quero me expressar por meio dela e contar histórias que encontrem ressonância no público.”
Ao reunir referências que vão do metal à música pop e ao repertório da Disney, Sara Emilia descreve sua sonoridade como uma linguagem em desenvolvimento. O piano permanece, mas deixou de ser o centro exclusivo dos arranjos.

Sara Emilia em fotografia divulgada em sua galeria oficial. Foto: @renskuphotos / acervo da artista.
Como costuma funcionar seu processo de composição? Você geralmente começa pela letra, pela melodia, pela atmosfera, por uma experiência pessoal ou por outro elemento?
“Não tenho uma maneira específica nem uma fórmula para compor. Às vezes, uma música começa com uma melodia que simplesmente surge na minha cabeça; outras vezes, pode começar com uma frase ou uma ideia que desenvolvo primeiro em palavras, para só depois criar uma melodia em torno delas.
Em outras ocasiões, quero escrever sobre um tema ou sentimento específico e começo experimentando diferentes melodias no piano que combinem com aquela emoção ou estado de espírito. A história da criação de cada canção é um pouco diferente.
De modo geral, minhas músicas são muito pessoais e nascem das minhas próprias experiências de vida, marcadas pela depressão. Minha música aborda a sensibilidade, a vulnerabilidade e o amadurecimento da mente: aceitar a imperfeição e encontrar esperança em meio às dificuldades.
É importante para mim oferecer a quem escuta um espaço em que possa reconhecer suas próprias lutas e encontrar conforto, da mesma forma que eu encontrei na música. Embora minhas letras sejam sombrias, sempre existe nelas algum vislumbre de luz e esperança.”
Quando um artista transita entre gêneros, pode haver pressão para defini-lo com um rótulo simples. Você acha que as classificações musicais ajudam o público a compreender seu trabalho ou às vezes limitam a maneira como um artista é percebido?
“De maneira geral, as pessoas gostam de categorizar as coisas. Na música também é assim: os gêneros podem ajudar algumas pessoas a compreendê-la melhor. Mas, para mim, a música é mais do que um gênero. Acho que seria mais importante compreender o que ela nos faz sentir e que pensamentos desperta.
Assim como as letras das canções costumam estar abertas a interpretações e cada ouvinte pode encontrar nelas seu próprio significado, acredito que cada pessoa também pode interpretar o estilo musical à sua maneira e descobrir dimensões diferentes nele.
É claro que um gênero que ofereça alguma orientação é uma informação importante para alguém que ainda não conhece o trabalho de um artista, inclusive para decidir se vai começar a ouvi-lo. Mas não vejo meu estilo, que rompe as fronteiras entre gêneros, como um problema ou uma limitação. Pelo contrário: sinto que ele aproxima pessoas que gostam de diferentes estilos musicais.
É verdade que eu mesma também classifiquei minha música. Mas, como não sinto que ela pertença a um gênero específico, de certa forma criei minha própria denominação e passei a chamá-la de soft metal.”
A expressão soft metal, adotada pela artista, sintetiza esse desejo de reunir públicos e influências sem limitar a escuta a uma única categoria.
No que você está trabalhando agora? Há novas músicas, apresentações, colaborações ou caminhos artísticos que a animam especialmente nesta fase da carreira?
“Atualmente, estou trabalhando em novas músicas. Um single chamado Brain Fog será lançado em novembro e, depois do Ano-Novo, vou lançar outra canção, Rain. Estou muito animada com esse novo material, que dá continuidade ao meu estilo musical atual. Ao mesmo tempo, as duas canções são bastante diferentes: Brain Fog aborda a depressão, enquanto Rain é quase uma canção de amor.
Rain é um projeto especialmente interessante porque é minha primeira canção de ‘amor’. Mesmo assim, não é uma música feliz, mas uma canção agridoce sobre a possibilidade de encontrar o amor e a percepção assustadora de que alguém pode partir seu coração.
Estou sempre tentando compor novas músicas e, neste momento, também estudo canto e música em um conservatório. Adoro fazer shows e atualmente me apresento cerca de 50 vezes por ano. Meu objetivo é construir uma longa carreira internacional como artista, compondo e me apresentando. A música é a minha vida, e dedico todo o meu tempo a ela: escrevendo novas canções, desenvolvendo minha voz e minhas habilidades de apresentação, criando contatos e divulgando meu trabalho.
Espero encontrar, em algum momento, uma gravadora que compartilhe uma visão semelhante à minha e com a qual eu possa colaborar para lançar e produzir novas músicas e alcançar um público maior. Mas, por enquanto, fico feliz por poder criar, me apresentar e compartilhar minha música com as pessoas. É incrível encontrar constantemente novos ouvintes pelo mundo.
Meu sonho é um dia conquistar os maiores palcos do mundo. Atualmente, estou montando uma banda de apoio e, no futuro, minhas apresentações ao vivo serão mais interessantes, porque terei mais músicos comigo no palco.”

Sara Emilia: novos lançamentos e planos de ampliar as apresentações ao vivo. Foto: @renskuphotos / galeria oficial da artista.
Da infância ao piano à fase atual de guitarras pesadas, Sara Emilia descreve a música como um lugar de expressão e acolhimento. Suas respostas não apresentam a melancolia como uma identidade fixa: ela afirma procurar algum sinal de luz mesmo quando compõe sobre solidão, vulnerabilidade e sofrimento emocional.
Com Brain Fog e Rain anunciadas para os próximos meses, a cantora também se prepara para tocar com mais músicos no palco. Para o público brasileiro, a entrevista apresenta uma artista que tenta conciliar influências distintas sem abrir mão da intimidade que marcou suas primeiras baladas.
Quem é Sara Emilia?
Sara Emilia é uma cantora, compositora e pianista finlandesa. Começou a estudar piano na infância, lançou o álbum Pain em 2024 e o EP Light em 2025. Em 2026, passou a explorar uma sonoridade mais pesada, que ela própria chama de soft metal, e desenvolve um projeto de carreira internacional. Também estuda canto e música em um conservatório e se apresenta regularmente.
Canais oficiais:
Site oficial: https://www.saraemilia.com/
Galeria de fotografias: https://www.saraemilia.com/gallery/
Notas da redação
Entrevista concedida por escrito ao Auctoritas Notícias. As cinco respostas foram originalmente enviadas em inglês pela artista e traduzidas integralmente para o português, com ajustes de pontuação, concordância e regência necessários à fluência da tradução, sem cortes de conteúdo ou alteração do sentido das declarações.
As informações biográficas e os planos de lançamento foram apresentados por Sara Emilia no material encaminhado à redação em 14 de outubro de 2026. Brain Fog e Rain são títulos de trabalhos anunciados pela artista; as datas futuras indicadas refletem o planejamento informado na entrevista.
As três fotografias foram selecionadas exclusivamente da galeria oficial indicada pela entrevistada em seu e-mail. O crédito exibido junto às imagens na galeria é @renskuphotos.
Entrevista, tradução, edição e revisão: Eric Rudhiery Albuquerque | Auctoritas Notícias.


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