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Michel Pereira transforma inquietações, filosofia e cultura pop em “Skyler”

Foto do escritor: Eric Rudhiery
Eric Rudhiery
27 de set.
5 min de leitura

Quadrinista brasileiro prepara estreia digital de obra que mistura ação, fantasia, saúde mental e busca por autoconhecimento.


Arte de “Skyler”, material cedido por Michel Pereira ao Auctoritas Notícias.
Arte de “Skyler”, material cedido por Michel Pereira ao Auctoritas Notícias.

Quando começou a desenhar histórias, Michel Pereira ainda nem sabia escrever. Antes de dominar as palavras, já dobrava folhas, criava bonecos-palito e preenchia balões com rabiscos. Anos depois, a curiosidade infantil se transformou em método, repertório e uma produção autoral que cruza mangá, filosofia, cultura pop e questões contemporâneas.

Agora, o quadrinista concentra seus esforços em “Skyler”, projeto que pretende lançar digitalmente em dezembro de 2026.


A relação de Michel com os quadrinhos começou por volta dos cinco ou seis anos, quando revistas da Turma da Mônica despertavam nele tanto fascínio quanto frustração por ainda não conseguir lê-las. Desenhos animados e a experiência de ver personagens criando as próprias histórias foram suficientes para que ele começasse a experimentar.


“Me inspirei e comecei a fazer as minhas sem nem saber escrever direito: pegava um papel em branco ou pautado, dobrava ao meio, fazia uns bonecos-palito e colocava balões de fala aleatórios com rabiscos. Eu mostrava dizendo "olha, pai", "olha, mãe" e eles, sem menosprezar minha arte nada renascentista, me apoiaram. Logo quando finalmente aprendi a ler e a escrever, não parei mais!”


Registros de desenhos e histórias produzidos por Michel ao longo de sua formação criativa.
Registros de desenhos e histórias produzidos por Michel ao longo de sua formação criativa.

Na infância, o contato com mangás veio por influência da irmã, que colecionava títulos como Sakura Card Captors, Inuyasha e Samurai X, e do tio, que lhe apresentou jogos como Dragon Ball Z: Budokai e Kingdom Hearts II. O que primeiro parecia apenas um quadrinho “estranho”, em preto e branco e lido no sentido inverso, tornou-se referência decisiva.


“Hoje, porém, eu sei exatamente o que me fez admirar os mangás: é justamente o dinamismo e a versatilidade da narrativa. Além de contar uma história, o mangá consegue transmitir o sentimento de qualquer personagem, seja em quadros intimistas ou extravagantes, odisseias introspectivas ou até mesmo porradaria pura.”


O processo criativo de Michel começa antes do roteiro e do desenho. Ele diz partir de perguntas, referências filosóficas e da busca por um propósito para a história. Só depois dessa etapa conceitual estrutura a narrativa, produz layouts, descarta o que não funciona, encaixa o roteiro nos quadros e finaliza a arte. Atualmente, trabalha de forma totalmente digital, principalmente pela velocidade exigida pelo mercado.


“Depois que encontro a faísca que faz meu coração pegar fogo, penso em qual mensagem essa história comunica à sociedade.”


“Só depois disso transformo tudo em layouts de página, descarto os rabiscos que não funcionam, encaixo o roteiro nos quadros e finalizo a arte. Hoje o meu processo é totalmente digital; embora ame o traço tradicional, o digital é o que me permite entregar com a velocidade que o mercado exige hoje.”

Etapa de layout e construção de página de “Skyler”.
Etapa de layout e construção de página de “Skyler”.

A origem de “Skyler” não veio de um projeto previamente planejado. No início de 2024, durante exercícios diários de ilustração, Michel desenhou um jovem de moletom com touca de gato e franja punk. O visual chamou sua atenção e resultou inicialmente em uma história fechada de 40 páginas.


“Pensei: “Esse rapaz não é de se jogar fora; é visualmente muito marcante”. Construí uma história teste para ele, nomeei-o Skyler e fiz uma história fechada de 40 páginas.”


O projeto foi apresentado à Armon Editora, com a qual Michel já havia publicado os quadrinhos infantis “Cotoco e o Ovo de Codorna” e “Paulo e Estrelinha na Pó Pó Pó Fighters”. Segundo o autor, a recomendação foi transformar “Skyler” em série para publicação na revista independente Action Hiken.


No caminho, veio um revés: Michel perdeu um HD com mais de oito capítulos prontos e conseguiu preservar apenas o primeiro, já enviado ao editor Fábio Gesse. O episódio obrigou o autor a reconstruir a produção e, segundo ele, acabou permitindo uma revisão mais profunda do projeto.


“Olhando em retrospecto, isso foi até que um “presente”. Afinal pude redirecionar a obra exatamente para o que eu idealizava, unindo fantasia, drama, mistério e muita ação em uma produção de dois anos de dedicação.”


Michel trabalha digitalmente na produção de “Skyler”.
Michel trabalha digitalmente na produção de “Skyler”.

Na trama, Skyler é um estagiário de 17 anos que trabalha na Clouds, organização secreta encarregada de enfrentar ameaças incomuns e preservar o equilíbrio do mundo. Insatisfeito com missões monótonas e com o salário, ele aceita uma tarefa aparentemente simples: devolver uma “nuvenzinha” à mãe. A missão o coloca diante de uma adversária movida por um rígido senso de justiça e interessada em controlar as condições meteorológicas do planeta e eliminar sentimentos considerados meramente humanos.


“É basicamente uma mistura de Homens de Preto, Kingdom Hearts, Fullmetal Alchemist e Bleach com a crise dos 20 anos (risos).”


Por trás da ação e da fantasia, Michel afirma que pretende discutir estresse, saúde mental, justiça e, sobretudo, o risco de uma pessoa se tornar prisioneira dos próprios pensamentos.


“No fundo, a história fala sobre o perigo de nos deixarmos dominar pelos próprios pensamentos e nos distanciarmos de quem poderíamos ser por falta de autoconhecimento. O que quero provocar no leitor são duas coisas simples: primeiro, entregar uma obra “maneirona”; segundo, fazê-lo fechar o capítulo pensando: “Isso me deu o que pensar sobre como ser melhor”.”


Página de “Skyler”, com ação e linguagem visual inspirada no mangá.
Página de “Skyler”, com ação e linguagem visual inspirada no mangá.

Michel também observa a produção independente pela perspectiva do marketing. Para ele, dinheiro, divulgação, disciplina técnica e tempo continuam entre os principais obstáculos. Em contrapartida, a internet ampliou o contato direto entre autores e leitores e abriu novos canais de distribuição.


“Nos desafios, os principais estão na falta de dinheiro para viabilizar tudo como gostaria; no marketing, que exige suor constante para furar a bolha e fazer “barulho”; no processo criativo, que demanda horas brutas e disciplina técnica no roteiro e na quadrinização; e, claro, no tempo, esse recurso escasso que a gente tenta esticar entre prazos e madrugadas, muitas madrugadas.”


O quadrinista cita redes sociais e plataformas digitais de publicação como ferramentas que reduzem intermediários e ajudam obras autorais a encontrar nichos específicos. A diferenciação, segundo ele, é fundamental em um mercado disputado.


“Afinal, em um mercado cheio de mais do mesmo, ter um estagiário de moletom com touca de gato que mistura filosofia, drama e porrada é o tipo de diferencial que faz o projeto se destacar da manada (risos).”


Depois de anos experimentando histórias fechadas, Michel afirma que decidiu concentrar seus esforços em “Skyler”. A previsão informada pelo autor é que o mangá estreie em 1º de dezembro de 2026, com capítulos bimestrais e leitura gratuita na Action Hiken e na Fliptru. Uma edição impressa poderá ser considerada posteriormente, dependendo da recepção do público.


“Meu foco total agora está em Skyler. Depois de uma década testando histórias fechadas e descobrindo o que funciona ou não com o público, decidi apostar todas as fichas nesta obra, seja no marketing, na narrativa ou na execução técnica.”


“Se a obra conquistar o nicho e gerar o impacto que planejamos, em breve poderemos anunciar a tão sonhada versão impressa para os fãs colecionarem na estante!”

Arte autoral de Michel Pereira. Material fornecido pelo entrevistado.
Arte autoral de Michel Pereira. Material fornecido pelo entrevistado.


Contato:


Nota editorial: As declarações entre aspas foram mantidas conforme o material escrito enviado por Michel Pereira ao Eric Rudhiery Albuquerque. O texto jornalístico ao redor das falas foi revisado quanto à clareza, concordância, coesão e fidelidade ao conteúdo da entrevista.


Editado e revisado pelo diretor de Marketing, Eric Rudhiery Albuquerque.


 
 
 

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