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Pulsante Filmes transforma inquietações sociais em cinema autoral e amplia aposta no gênero

Foto do escritor: Eric Rudhiery
Eric Rudhiery
27 de set.
7 min de leitura

Produtora liderada criativamente por Luciana Malavasi prepara seu primeiro longa, desenvolve um coming-of-age queer e projeta novas incursões pelo suspense e pelo horror


Criar um filme independente exige mais do que uma boa ideia. Entre o impulso artístico e a obra concluída existe um percurso feito de escolhas estéticas, planejamento, orçamento, captação de recursos e negociação com os limites concretos de cada produção. É nesse território que a Pulsante Filmes vem construindo sua trajetória, com projetos que aproximam narrativas autorais, questões sociais e o cinema de gênero.


A produtora tem na fundadora e diretora criativa Luciana Malavasi um de seus principais eixos artísticos. Formada em Jornalismo e Artes Cênicas e com especialização profissional em Direção para Cinema pela New York Film Academy, em Nova Iorque, Malavasi iniciou a carreira como atriz, passou pela produção teatral e chegou ao audiovisual em um movimento que ganhou força durante a pandemia.


Hoje, a Pulsante avança para uma nova etapa: seu primeiro longa-metragem, O Que Sobrou do Céu, está em pós-produção e tem estreia prevista para 2027.


Luciana Malavasi, fundadora e diretora criativa da Pulsante Filmes. Foto: acervo Pulsante Filmes.
Luciana Malavasi, fundadora e diretora criativa da Pulsante Filmes. Foto: acervo Pulsante Filmes.

A filmografia da produtora já alcançou circuitos nacionais e internacionais. O Novo Corpo (The New Flesh) estreou mundialmente na 58ª edição do Festival de Sitges, na Espanha, e integrou também a 30ª edição do Fantasia International Film Festival, no Canadá, além de festivais na Alemanha, Noruega e Brasil. A Janela de Íris, trabalho anterior da produtora, chegou a plataformas de streaming na América Latina, incluindo o Prime Video.


O Novo Corpo (The New Flesh), produção da Pulsante Filmes. Imagem: divulgação.
O Novo Corpo (The New Flesh), produção da Pulsante Filmes. Imagem: divulgação.

Em entrevista ao Auctoritas Notícias, a equipe da Pulsante detalha como nasceu a produtora, o papel da direção criativa, as tensões entre criação e viabilidade financeira e os caminhos que pretende explorar nos próximos projetos.


“Antes da Pulsante, eu já tinha uma trajetória como atriz e produtora. Comecei produzindo peças de teatro para poder atuar, mas também para ter autonomia na escolha dos projetos que queria realizar. Foi nesse processo que comecei a buscar a minha própria voz e a construir uma identidade artística".


"Em 2020, com a pandemia, precisei me reinventar. Eu tinha um projeto teatral que acabou sendo cancelado, e, para não perdê-lo, decidi transformá-lo em uma obra audiovisual, um teatro-filme chamado Alethea Dreams. Foi a minha primeira experiência conduzindo um projeto nesse formato e a semente do que, mais tarde, se tornaria a Pulsante Filmes".


"A produtora nasceu, portanto, desse desejo de criar com liberdade e desenvolver projetos com identidade própria, histórias que dialogassem com questões humanas e sociais, mas sempre a partir de um olhar autoral.”


A passagem do teatro para o audiovisual não significou apenas uma mudança de suporte. Ela abriu espaço para uma estrutura de produção capaz de sustentar projetos próprios e, ao mesmo tempo, preservar uma assinatura artística. Essa construção envolve uma equipe majoritariamente feminina e uma rotina em que repertório, desenvolvimento e produção precisam funcionar de maneira integrada.


“Esse é um dos nossos grandes desafios cotidianos. De um lado, precisamos preservar nossa voz autoral e a identidade criativa da Pulsante. Somos uma equipe majoritariamente formada por mulheres, com olhares e experiências muito particulares, e buscamos estar conectadas ao que acontece no mundo, consumir arte e alimentar constantemente o nosso repertório.


Do outro lado, somos também uma empresa. Existe uma dimensão muito pragmática, que envolve orçamento, captação de recursos, prazos, planejamento e todas as possibilidades e limitações concretas de uma produção independente.


A criatividade é o lugar onde a gente pode voar; o trabalho de produção é o que permite transformar esse voo em algo realizável. Então, procuramos fazer com que esses dois lados caminhem juntos desde o desenvolvimento de cada projeto. É um equilíbrio diário e nem sempre simples, mas é essencial: sem preservar a criatividade, o projeto perde sua identidade; sem estrutura, planejamento e viabilidade, ele não chega a existir.”


Dentro dessa estrutura, a direção criativa funciona como ponto de continuidade entre obras diferentes. A curadoria não elimina o caráter coletivo do cinema: cada projeto incorpora artistas, equipes e perspectivas próprias, mas existe uma linha de interesse que orienta a seleção e o desenvolvimento das histórias.


Auctoritas Notícias — Qual é o papel da direção criativa da Luciana Malavasi na escolha, no desenvolvimento e na linguagem dos projetos da Pulsante?


“Como fundadora e diretora criativa, Luciana Malavasi é o principal eixo de curadoria e coerência artística da Pulsante. É a partir das inquietações, provocações e interesses dela que muitos projetos começam a surgir, e todas as escolhas importantes — desde a seleção das histórias até as decisões de linguagem e desenvolvimento — passam por seu olhar".


"Esse processo, porém, é construído em diálogo com a equipe e com os diferentes artistas envolvidos em cada obra. O papel da direção criativa é justamente conduzir essa troca, acolher outras perspectivas e, ao mesmo tempo, preservar a identidade da produtora".


"Mesmo quando um projeto não é escrito ou dirigido por Luciana, seu olhar autoral está presente na curadoria e nas escolhas criativas. Existe um cruzamento muito profundo entre a identidade da Pulsante e a trajetória dela como artista: o interesse por narrativas humanas, questões sociais e protagonismos historicamente sub-representados, especialmente femininos".


"A ideia é desenvolver histórias que lancem luz sobre diferentes experiências e provoquem algum tipo de reflexão. Nesse sentido, Luciana atua como a guardiã do coração artístico da Pulsante.”


A consolidação de uma identidade, contudo, não elimina uma questão estrutural do audiovisual independente: como transformar projetos em obras efetivamente produzidas. Para empresas menores, construir portfólio e acessar financiamento são processos que se condicionam mutuamente. A experiência da Pulsante com O Que Sobrou do Céu colocou essa discussão no centro de sua própria trajetória.


“O principal desafio ainda é o financiamento. Conseguir recursos para desenvolver e produzir projetos independentes, especialmente vindos de uma produtora menor e com liderança majoritariamente feminina, continua sendo muito difícil".


"O Brasil tem grandes produtoras, extremamente competentes e já consolidadas, mas percebemos que os recursos acabam circulando com frequência entre empresas que já possuem um histórico de entregas. É compreensível que canais, plataformas e até alguns processos de seleção procurem essa segurança, mas isso também pode dificultar muito a entrada de novas produtoras e de outros olhares no mercado. Para construir um histórico, primeiro é preciso receber uma oportunidade".


"Por isso, as políticas públicas e os editais são tão importantes. Eles não servem apenas para financiar filmes, mas também para ampliar o acesso aos recursos, descentralizar a produção e permitir que novas empresas e novos realizadores consigam furar essa bolha. Foi por meio de um edital público que produzimos nosso primeiro longa-metragem, O Que Sobrou do Céu. Para a Pulsante, essa conquista representou justamente a possibilidade de atravessar uma barreira que talvez fosse muito mais difícil superar dependendo apenas do investimento privado".


"Ao mesmo tempo, vejo um momento de grandes oportunidades. Os festivais, os mercados, as coproduções e a circulação internacional permitem que produtoras independentes encontrem parceiros e públicos para além dos caminhos mais tradicionais. Existe também um interesse crescente por novas vozes, diferentes perspectivas e narrativas com identidade própria".


"Portanto, o desafio é conseguir transformar essa abertura simbólica em acesso real e contínuo a recursos. Talento e boas histórias existem; o que ainda precisamos ampliar são as oportunidades para que diferentes produtoras consigam realizá-las e construir uma trajetória sustentável.”


O próximo ciclo da Pulsante reúne projetos em estágios e formatos distintos. O Que Sobrou do Céu marca a entrada da produtora no longa-metragem; Polêmico! leva ao desenvolvimento cinematográfico uma história que já encontrou público na literatura; e outras ideias aprofundam a relação da empresa com códigos do suspense, do horror e do cinema de gênero.


Auctoritas Notícias — Quais projetos estão em desenvolvimento atualmente e o que o público pode esperar dos próximos trabalhos da Pulsante Filmes?


“O projeto mais próximo de chegar ao público é O Que Sobrou do Céu, nosso primeiro longa-metragem, que está em fase de pós-produção. É um drama com elementos de suspense psicológico e representa um passo muito importante na trajetória da Pulsante".


"Também estamos desenvolvendo Polêmico!, um longa-metragem coming-of-age queer baseado em dois livros que conquistaram um público muito grande na internet. É um projeto que nos entusiasma muito e que, neste momento, está no centro das nossas atenções".


"Além dele, temos um novo filme de gênero em fase de roteiro. Depois da experiência com o curta O Novo Corpo, a Pulsante passou a se identificar cada vez mais com o cinema de gênero como caminho para discutir questões humanas, políticas e sociais. Não nos interessa o gênero apenas pelo entretenimento, mas também como uma linguagem capaz de provocar, incomodar e ampliar determinadas discussões".


"Existe ainda a possibilidade de transformar O Novo Corpo em um projeto de longa-metragem, aprofundando o universo apresentado no curta. Portanto, o público pode esperar trabalhos bastante autorais, com protagonismos diversos e uma aproximação cada vez maior com o suspense, o horror e o cinema de gênero, sempre atravessados pelas questões sociais que fazem parte da identidade da Pulsante.”


A movimentação entre formatos, festivais e novos projetos indica uma produtora em fase de expansão de linguagem e escala. Se os primeiros trabalhos ajudaram a definir uma identidade, a chegada ao longa-metragem coloca a Pulsante diante de um novo patamar de produção, sem abandonar o interesse por histórias que utilizam o gênero como instrumento narrativo para observar conflitos humanos e sociais.


Ficha:

Pulsante Filmes — produtora audiovisual independente.

Luciana Malavasi — fundadora e diretora criativa; jornalista e atriz de formação, com especialização profissional em Direção para Cinema pela New York Film Academy.

Projetos citados: Alethea Dreams; Choro; A Janela de Íris; O Novo Corpo (The New Flesh); O Que Sobrou do Céu; Polêmico!.


Nota editorial: matéria produzida a partir de entrevista escrita concedida pela equipe da Pulsante Filmes ao Auctoritas Notícias. As respostas diretas foram mantidas entre aspas e revisadas apenas quanto à pontuação e à padronização editorial, sem alteração de sentido.


Editado e revisado pelo diretor de Marketing, Eric Rudhiery Albuquerque.



 
 
 

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