top of page

Quando a campanha não basta: Agosto Lilás termina com recorde histórico de feminicídios em MS

  • Foto do escritor: Eric Rudhiery
    Eric Rudhiery
  • há 10 horas
  • 3 min de leitura

Mato Grosso do Sul registrou sete feminicídios em agosto, o maior número para o mês desde o início da série histórica; tragédia ocorre justamente durante período marcado por campanhas, programas e ações de combate à violência contra a mulher


Agosto deveria ser um mês de conscientização, prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher. Em Mato Grosso do Sul, porém, terminou marcado por uma estatística brutal: sete mulheres foram vítimas de feminicídio em apenas 31 dias, fazendo de agosto de 2026 o mais violento para as mulheres desde que o crime passou a ser acompanhado na série histórica.


Os dados atualizados até 31 de agosto mostram que Mato Grosso do Sul já contabiliza 25 feminicídios em 2026. Somente em agosto, o Estado superou todos os registros anteriores para o mesmo mês: foram quatro casos em 2016, quatro em 2017, um em 2018, dois em 2019, três em 2020, cinco em 2021, dois em 2022, três em 2023, um em 2024, três em 2025 e agora sete em 2026.


O número chama atenção não apenas pela quantidade de vítimas, mas pelo momento em que os crimes aconteceram.


Agosto é marcado nacionalmente pelo Agosto Lilás, campanha dedicada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Em 2026, a mobilização ganhou ainda mais simbolismo com os 20 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006.


Durante o mês, órgãos públicos realizaram palestras, capacitações, campanhas de conscientização e divulgação dos canais de denúncia. Em Campo Grande, por exemplo, a programação oficial anunciou ações de sensibilização, fortalecimento da rede de atendimento e iniciativas voltadas à autonomia feminina e à educação de crianças sobre respeito e igualdade.


No Estado também existem políticas permanentes. O Protege MS, instituído em 2025, reúne diferentes órgãos públicos em ações de prevenção, acolhimento, proteção das vítimas e responsabilização dos agressores. Já o Programa Mulher Segura (Promuse), da Polícia Militar, acompanha mulheres em situação de violência, fiscaliza medidas protetivas e realiza visitas e ações preventivas.


Há ainda um Plano Estadual de Segurança Pública para o Combate da Violência Contra a Mulher, com planejamento previsto até 2034.


Ou seja: leis existem, programas existem, campanhas existem e informação circula. Mesmo assim, mulheres continuam morrendo.


O recorde de agosto, isoladamente, não permite concluir que todos esses programas fracassaram, políticas de prevenção podem impedir casos que jamais chegam às estatísticas. Mas o número deixa uma pergunta inevitável: por que a violência continua alcançando tantas mulheres antes que a rede consiga interromper o ciclo?


O feminicídio geralmente representa o estágio mais extremo de uma sequência de violências que pode envolver ameaças, controle, perseguição, agressões psicológicas, violência patrimonial e agressões físicas.


Por isso, especialistas e autoridades têm insistido que o enfrentamento não pode começar apenas quando a mulher já está sob risco iminente de morte. É necessário identificar situações perigosas mais cedo, garantir rapidez no cumprimento de medidas protetivas, acompanhar agressores, oferecer estrutura para que vítimas consigam romper relações violentas e fazer com que familiares, vizinhos e a sociedade reconheçam os sinais de alerta.


Os números brasileiros demonstram a dimensão do problema. Em 2025, o país registrou 1.571 vítimas de feminicídio, o maior número da série histórica nacional e o quarto recorde consecutivo, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Entre janeiro e julho de 2026 foram outras 848 vítimas. Nesse recorte mais recente houve redução de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025, mostrando que os indicadores podem oscilar, mas permanecem em patamar extremamente elevado.


O encerramento do Agosto Lilás deixa, portanto, um contraste difícil de ignorar em Mato Grosso do Sul.


Enquanto prédios recebem iluminação lilás, campanhas ocupam as redes sociais, palestras são realizadas e novos programas são anunciados, sete mulheres perderam a vida em apenas um mês.


A conscientização é necessária. A legislação é indispensável. Os programas de proteção também são fundamentais. Mas o recorde registrado em agosto mostra que o desafio agora é fazer com que toda essa estrutura consiga chegar à vítima antes do último ato de violência.


Porque o verdadeiro resultado de uma política contra o feminicídio não pode ser medido somente pela quantidade de campanhas realizadas, palestras promovidas ou projetos anunciados.


Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. A Central de Atendimento à Mulher funciona pelo 180, gratuitamente, 24 horas por dia. Em Mato Grosso do Sul também existem mecanismos para registro e solicitação de atendimento pela rede de proteção.

 
 
 

Comentários


Fale com a gente: auctoritasms@gmail.com
67 9 9214-3538

Campo Grande - Mato Grosso do Sul

Anúncios e Parcerias

2026 Auctoritas Notícias      Todos os direitos reservados
bottom of page