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Barretos virou festa de influenciador? Edição 2026 enfrenta críticas por “perder a essência” do rodeio

  • Foto do escritor: Eric Rudhiery
    Eric Rudhiery
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Presença de criadores de conteúdo em espaços de destaque provoca reação nas redes e reacende debate entre modernização e tradição no maior rodeio do país


A 71ª Festa do Peão de Barretos começou com estádio cheio, grandes shows e expectativa de receber quase um milhão de visitantes até o dia 30 de agosto. Mas, fora da arena, outro assunto passou a disputar os holofotes: a presença cada vez maior de influenciadores digitais em posições de destaque dentro do evento.


A discussão ganhou força principalmente após o influenciador Jon Vlogs participar da abertura do rodeio como porta-bandeira. A escolha provocou milhares de manifestações nas redes sociais, com parte do público questionando por que um espaço considerado simbólico não foi destinado a antigos peões, competidores ou personagens ligados historicamente ao rodeio.


Entre as críticas, internautas chegaram a repercutir a postura do influenciador durante a cerimônia e questionaram sua ligação com a tradição de Barretos. Comentários em publicações relacionadas ao evento também passaram a classificar a edição como uma espécie de “festa dos influenciadores”, enquanto outros reclamaram da falta de protagonismo de nomes considerados “raiz” dentro da cultura sertaneja e do rodeio.


A própria comunicação oficial da Festa de Barretos destacou neste sábado a passagem de “artistas, influencers, famosos e muita gente conhecida” pelo evento. A publicação acabou recebendo comentários de usuários dizendo que algumas dessas personalidades teriam pouca relação com o universo do rodeio e defendendo maior espaço para quem vive profissionalmente a cultura sertaneja.


A organização de Barretos vem assumindo uma estratégia clara de ampliar o público da festa. Segundo dados divulgados pela associação Os Independentes, pelo menos 30% das pessoas presentes em setores como camping e camarotes não frequentaram o evento nos últimos anos. O presidente da entidade, Jerônimo Muzetti, afirmou que a intenção é justamente renovar o público e atrair pessoas mais jovens para o Parque do Peão.


Influenciadores com milhões de seguidores oferecem exatamente esse alcance. Ao mostrar Barretos para pessoas que talvez nunca tenham acompanhado uma montaria, eles podem apresentar o rodeio a uma nova geração e ampliar a exposição nacional do evento.


A questão levantada pelos críticos é outra: até onde modernizar sem transformar os protagonistas históricos em coadjuvantes?


Barretos continua sendo, antes de tudo, uma das maiores referências do rodeio brasileiro. A edição de 2026 reúne aproximadamente 3,5 mil competidores, distribuídos em diferentes modalidades, e prevê mais de R$ 1,5 milhão em premiações. Ao mesmo tempo, a festa cresceu para muito além das montarias e hoje reúne dezenas de shows, camarotes, camping, experiências comerciais e atrações voltadas ao entretenimento.


Por isso, talvez o problema não esteja na presença dos influenciadores, mas no espaço ocupado por eles.


Para parte dos apaixonados pelo rodeio, criadores de conteúdo são bem-vindos para divulgar Barretos, mostrar os bastidores e levar a cultura sertaneja para milhões de seguidores. O incômodo surge quando posições carregadas de significado histórico passam a ser ocupadas por personagens recém-chegados ao universo do rodeio enquanto antigos competidores, tropeiros e profissionais da arena permanecem longe dos principais holofotes.


Entre tradição, marketing e milhões de visualizações, Barretos enfrenta agora uma discussão típica dos grandes eventos modernos: como conquistar o público da internet sem perder justamente a identidade que tornou a festa famosa antes mesmo da existência das redes sociais?

 
 
 

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