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Caso de abuso em Corumbá reforça alerta do Maio Laranja: violência infantil acontece, na maioria das vezes, dentro de casa.

  • Foto do escritor: Giovana Cáceres
    Giovana Cáceres
  • 18 de mai.
  • 3 min de leitura

Prisão de tio acusado de estuprar sobrinha de 5 anos expõe realidade debatida por especialistas e autoridades durante mobilização contra abuso e exploração sexual infantil em Campo Grande.


O abuso sexual de uma menina de apenas 5 anos pelo próprio tio, em Corumbá, trouxe novamente à tona uma das faces mais silenciosas e cruéis da violência infantil: o perigo, muitas vezes, está dentro da própria família.


O caso, registrado na última sexta-feira (15), ganhou ainda mais repercussão nesta segunda-feira (18), Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, durante o Debate Público Maio Laranja realizado na Câmara Municipal de Campo Grande.


O encontro reuniu autoridades, profissionais da rede de proteção, representantes da assistência social, educação, segurança pública e sociedade civil para discutir estratégias de prevenção, acolhimento e enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes.


Enquanto o debate acontecia no plenário, o caso ocorrido em Corumbá reforçava exatamente o principal alerta levantado pelos especialistas: a maioria dos abusos ocorre dentro do ambiente familiar ou em círculos próximos de confiança da vítima.


Segundo informações da Polícia Civil, a mãe da criança procurou a delegacia na noite de sexta-feira para denunciar que a filha havia sido abusada sexualmente pelo próprio irmão dela, tio da menina.


O crime teria acontecido em uma venda próxima à residência da família. Uma testemunha percebeu a situação, retirou a criança do local e a entregou à mãe.


O suspeito foi localizado menos de 30 minutos depois, dormindo em estado de embriaguez em uma casa vizinha, e acabou preso em flagrante pelo crime de estupro de vulnerável.


Durante o Debate Público Maio Laranja, o vereador Herculano Borges, idealizador da campanha em Mato Grosso do Sul, destacou justamente a recorrência desse perfil de violência.


Segundo ele, cerca de 80% dos casos de abuso sexual infantil acontecem dentro do próprio ambiente familiar.


“Quando a violência acontece dentro de casa, a criança perde justamente o lugar onde deveria encontrar proteção e segurança. Isso é o mais alarmante de tudo. O abuso sexual infantil não está distante da sociedade, ele está muitas vezes dentro das famílias. Por isso, o enfrentamento desse crime não pode ser responsabilidade de um órgão só. É dever da família, do poder público e de toda a sociedade proteger a infância”, afirmou o parlamentar.


A fala foi reforçada pela psicanalista, escritora e pesquisadora da infância Viviane Vaz, coordenadora do Projeto Nova Transforma, referência em acolhimento psicossocial de vítimas de abuso e exploração sexual infantil em Campo Grande.


Atuando há quase 15 anos na área, Viviane afirmou que os relatos atendidos diariamente mostram que os abusadores, na maioria das vezes, são pessoas próximas da vítima — justamente aquelas em quem a criança deveria confiar.


“É uma ferida que sangra, mas ninguém vê”, declarou ao descrever os impactos emocionais e psicológicos deixados pela violência sexual infantil.


Segundo a especialista, o trauma provocado pelo abuso compromete diretamente o desenvolvimento emocional, social e cognitivo da criança e pode gerar consequências profundas na vida adulta, como ansiedade, depressão, sentimento de culpa, dificuldades de relacionamento e perda da própria identidade.


“O abuso não termina quando o ato termina”, afirmou. Viviane também chamou atenção para a necessidade de romper o silêncio e combater a naturalização da violência.


Para ela, qualquer pessoa que perceba sinais de abuso e escolha se calar acaba contribuindo para a continuidade da violência.


“Todo mundo que tem acesso a uma criança e percebe sinais de violência se torna corresponsável quando se cala”, alertou.


O Maio Laranja nasceu em Mato Grosso do Sul e se consolidou nacionalmente como uma das principais campanhas de conscientização sobre violência sexual infantil.


A mobilização busca incentivar denúncias, fortalecer as redes de proteção e ampliar o debate público sobre um problema que ainda permanece fortemente subnotificado no Brasil.





 
 
 

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