Cris Del Rosario: cantor chileno fala sobre identidade musical, carreira independente e novos projetos
Cantor e compositor chileno fala sobre carreira independente, formação musical e novos projetos em entrevista exclusiva ao Auctoritas Notícias.
Por Eric Rudhiery Albuquerque | Auctoritas Notícias
O cantor e compositor chileno Cris Del Rosario iniciou sua formação musical na infância, estudou canto lírico e passou por projetos de rock antes de seguir carreira solo. Nesta entrevista exclusiva ao Auctoritas Notícias, o artista relata sua trajetória, os desafios da independência criativa, o reconhecimento que afirma ter recebido em Nova York e seus projetos para 2027. A conversa foi concedida por escrito em espanhol e traduzida integralmente para o português.

Entrevista exclusiva | Cris Del Rosario
Auctoritas Notícias: Sua formação musical começou muito cedo e incluiu estudos de canto lírico, guitarra e música no Chile. Quais experiências marcaram essa etapa e como sua identidade artística se formou no pop rock latino?
“Lembro que meu avô e minha mãe despertaram meu interesse pelo canto desde os três anos. Meu pai me ensinou a tocar guitarra aos sete anos. Minhas primeiras composições surgiram aos dez. Estudei guitarra com diferentes professores. Depois conheci Gabriel Sierra, tenor e professor do Teatro Municipal de Santiago. Ao me ouvir, considerou que minha voz poderia iniciar uma formação séria, por causa da impostação natural e da força vocal. Eu tinha catorze anos. Desde então, minha voz mantém o mesmo registro.”
“Conheci a soprano chilena Nora López, que me ensinou técnicas do bel canto italiano. Trabalhamos repertórios de canções napolitanas e árias de ópera. Também ingressei na Faculdade de Artes da Universidade do Chile, no Conservatório, e continuei desenvolvendo minhas capacidades interpretativas.”
“Junto com meu irmão, conhecemos o baterista Juan Max Bert. Formamos uma banda com Hugo Beiza, filho de um destacado compositor chileno de mesmo nome. Tocávamos músicas de Marillion, Rush, Van Halen, The Police, Whitesnake, entre outros. Ao mesmo tempo, fazíamos os primeiros arranjos de nossas próprias canções.”
“Uma lembrança é que Nano Concha, baixista de Los Ángeles Negros, ia nos ouvir durante os ensaios e nos aconselhava. Contar com sua presença e orientação foi valioso para nós. Por outro lado, meu irmão desenvolveu seu próprio caminho musical e chegou a participar de projetos como a banda chilena 2X.”
“Assim fui descobrindo minha identidade musical por meio de uma busca pessoal, das experiências, dos professores, das bandas de que participei, dos estilos que explorei e do que ouvia. Compreendi que a pergunta mais importante era o que eu queria transmitir com minha música. A identidade de um artista não se define apenas pelo gênero que interpreta, mas se constrói com sua sensibilidade, suas experiências e sua maneira de compreender o mundo.”
Auctoritas Notícias: Durante parte de sua trajetória, você integrou o projeto musical Doble V, que depois passou a se chamar Del Rosario, ao lado de seu irmão Marco Vargas. Que aprendizados essa experiência deixou e o que o levou à carreira solo?
“Bem, nosso sobrenome paterno é Vargas. Meu irmão e eu pensamos em nos chamar Doble V, nome que representava a dupla Vargas. Funcionamos assim até nos separarmos por diferenças de visão artística. Mas em 2018 retomamos o projeto com um novo nome: Del Rosario, inspirado na rua onde morávamos, chamada El Rosario. Além disso, existia uma história de caráter espiritual em nossa família, que remontava a mais de três gerações. Entretanto, nossa música não era cristã.”
“Com os anos, surgiram mais diferenças e nos separamos. Essa experiência me fez compreender que, por mais que dois irmãos compartilhem o amor pela música e tenham capacidades vocais e criativas, isso não significa que devam desenvolver suas carreiras juntos. Às vezes, cada um precisa de seu próprio caminho para expressar sua identidade artística. Em meio a tudo isso, também nos relacionamos com empresários e produtores que não enxergaram o potencial da dupla. Outros nos enganaram. Tudo isso influenciou o desfecho do projeto.”
“Quando segui meu caminho, ouvi minha própria voz. Comecei como solista e cantor e compositor, desenvolvendo minha música no meu ritmo, sem me deixar condicionar por tendências, prazos ou estatísticas. Acredito que um compositor deve se conectar com seus sentimentos e buscar dentro de si aquilo que precisa expressar. Às vezes, é preciso deixar de ouvir o que a sociedade impõe, desenvolver independência e encontrar um caminho próprio. Por isso, assumi minhas decisões criativas e me dei a liberdade de construir uma obra coerente com minha maneira de sentir e compreender a música.”

Auctoritas Notícias: Em canções como «Yo siempre te busqué», «Ya no vuelvo más» e «Un mar por ti», aparecem temas ligados aos vínculos e às emoções. Como funciona seu processo de composição e o que você procura transmitir ao público por meio das letras?
“Em todas elas estão presentes emoções e sentimentos. Meu processo de composição não segue um método ou fórmula estabelecida; é natural. Começa com uma emoção, uma experiência, uma vivência ou situação. Então surge uma melodia na minha mente, pego um instrumento e desenvolvo a letra. Uma canção pode surgir em minutos; é um processo natural, como respirar. Às vezes, basta estar diante de um instrumento para que uma ideia apareça e comece a tomar forma.”
“O que procuro transmitir é um sentimento que pode ser tão meu quanto de outra pessoa. Todos passamos por experiências: amor, desamor, perdas. Quando uma canção se conecta com alguém e sua letra faz sentido por refletir a própria história dessa pessoa, surge uma conexão especial. É uma maneira de acompanhar uma alma nessa experiência e dizer: «Você não está sozinho nem sozinha. Não é a única pessoa com quem isso aconteceu».”
“A música pode romper essa sensação de solidão, permite que nos reconheçamos nas experiências dos outros e compreendamos que, embora nossas histórias sejam diferentes, existem emoções que compartilhamos. Por isso, o trabalho de um compositor ou autor consiste em dar voz aos sentimentos humanos. Não se trata apenas de abordar questões sociais, mas de expressar aquilo que as pessoas sentem ou precisam ouvir expresso numa canção. Se minha música consegue fazer alguém se sentir acompanhado, compreendido ou identificado, então a canção cumpriu uma parte importante de seu propósito.”
Auctoritas Notícias: Sua música teve divulgação em veículos de diferentes países e sua trajetória recebeu um reconhecimento no prêmio Noche de Estrellas, em Nova York. O que esse momento significou e quais são os principais desafios de um cantor e compositor independente que busca outros públicos na América Latina?
“Sim, pouco a pouco as portas se abrem e vejo como as pessoas começam a descobrir meu estilo de composição.”
“Quanto ao reconhecimento que recebi no Noche de Estrellas, em Nova York, foi inesperado. Com minha canção «Yo siempre te busqué», que os ouvintes começaram a pedir nas rádios, acabei sendo reconhecido como «Artista Revelação do Pop Rock» em 2024. Isso contribuiu para abrir novas portas nos meios de comunicação. Uma canção pode encontrar seu espaço muito além do ambiente em que foi criada, até mesmo tão longe de seu país de origem.”
“Sobre os desafios para um cantor e compositor independente, acredito que devemos aprender a ouvir a própria voz, buscar um estilo, uma identidade e compreender o que queremos comunicar. Não acho que um artista deva criar músicas por encomenda de empresários ou produtores com o objetivo de agradar, seguir uma tendência ou buscar sucesso comercial. Naturalmente, a indústria tem sua dinâmica e é necessário compreendê-la. Há artistas que alcançam o sucesso rapidamente; outros atravessam dificuldades e experiências durante anos antes de serem reconhecidos. Essa história, esse percurso e o aprendizado fazem parte do que entendemos como trajetória artística.”
“Às vezes, é preciso fazer silêncio diante do ruído, trabalhar e esperar o momento adequado para apresentar uma obra. O caminho criativo começa pelo respeito a si mesmo. Depois, o público e as oportunidades seguem seu próprio curso. Talvez venha o sucesso e, se não vier, terá sido uma experiência genuína, por amor à arte e pelo sentido que ela tem na própria existência.”
“Um exemplo que já vi é o de produtores ou empresários que tentam manipular artistas dizendo que eles não existem no meio musical por não aparecerem na televisão. Não compartilho dessa visão, que considero uma grande falta de respeito pela preparação que alguns artistas têm. Acredito que alguém que faz música com trabalho, dedicação e respeito está fazendo arte, seja num palco importante, num bar ou até na rua. Não aparecer na televisão ou nos grandes meios de comunicação não significa que um artista não exista em sua arte. Seu valor não depende da exposição pública nem do reconhecimento da indústria, mas do autorrespeito: reconhecer o valor do que faz, confiar no próprio caminho e não permitir que expectativas externas definam sua identidade.”

Auctoritas Notícias: Que lançamentos ou projetos você prepara para esta nova etapa e o que gostaria que o público brasileiro descobrisse sobre sua música e sua história?
“Em janeiro de 2027, pretendo apresentar novas canções nos estilos pop balada e pop rock urbano, além de uma colaboração com outro artista ligado à música urbana. Também estou preparando os videoclipes que acompanharão esses lançamentos. É muito possível que, durante 2027, eu viaje para fora do meu país para realizar apresentações.”
“Quero avançar no meu próprio ritmo, sem pressões e respeitando cada etapa do processo criativo. Não faço música com a única intenção de alcançar sucesso comercial ou vender milhões de reproduções. Para mim, a música é uma necessidade vital, uma expressão que descobri quando criança e que se tornou parte essencial de quem sou. Criar música é minha maneira de expressar o que sinto, contar histórias de outras pessoas e compartilhar parte do meu mundo com quem queira ouvir.”
“Gostaria que o público brasileiro descobrisse precisamente isso: que por trás de cada canção existe uma história, uma emoção e uma busca pessoal. Que pudesse se aproximar da minha música sem preconceitos, descobrir minhas influências e encontrar nas letras algo que lhe pareça próximo, independentemente do país ou do idioma.”
“Quero continuar construindo meu caminho com liberdade, sem perder minha identidade nem deixar de lado aquilo que me levou a compor minhas primeiras canções. No fim, minha intenção é continuar criando música com honestidade, no meu próprio ritmo e com a convicção de que cada canção deve ter algo a contar e algo a transmitir.”
Sobre Cris Del Rosario
Cris Del Rosario é cantor e compositor chileno. Estudou canto lírico, guitarra e técnicas de bel canto; participou de projetos musicais com seu irmão, Marco Vargas, antes de desenvolver carreira solo. Sua obra transita entre pop balada e pop rock. Segundo seu relato, recebeu em 2024 o reconhecimento de Artista Revelação do Pop Rock no evento Noche de Estrellas, em Nova York.
Nota da Redação
Entrevista escrita concedida por Cris Del Rosario ao Auctoritas Notícias. As cinco perguntas e respostas foram reproduzidas integralmente em tradução editorial do espanhol para o português, com ajustes apenas de fluência linguística. As imagens foram enviadas pelo artista, com autorização para uso editorial e divulgação.”
Editado, traduzido e revisado pelo diretor de Marketing, Eric Rudhiery Albuquerque.



Comentários