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Da publicidade à ficção: Gabriel Michels transforma a vida real em histórias sobre escolhas e conflitos humanos

Foto do escritor: Eric Rudhiery
Eric Rudhiery
há 6 dias
4 min de leitura

Autor de “Presídio Central”, “O Zelador”, “O Pedinte” e “Inóspita Mente” fala sobre a passagem da redação publicitária para a literatura, seu processo de escrita e o novo projeto que deve incorporar um elemento sobrenatural.


Por Auctoritas Notícias | Entrevista concedida por e-mail

Gabriel Michels é escritor e redator publicitário. Foto: divulgação / arquivo pessoal.
Gabriel Michels é escritor e redator publicitário. Foto: divulgação / arquivo pessoal.

Natural de Porto Alegre e com mais de duas décadas de experiência como redator publicitário, Gabriel Michels encontrou na literatura um espaço para escrever fora das necessidades de marketing e comunicação que marcaram sua vida profissional. Em 2016, essa mudança de direção começou a ganhar forma e, três anos depois, resultou em “Presídio Central”, seu primeiro livro.


Desde então, Michels publicou também “O Zelador” e “O Pedinte”, ambos em 2022, e “Inóspita Mente”, lançado em 2025. Em entrevista ao Auctoritas Notícias, o autor falou sobre a transição entre a escrita publicitária e a ficção, explicou como transforma ideias em livros e destacou o comportamento humano como eixo recorrente de sua obra.


A escrita sempre esteve presente na trajetória profissional de Gabriel Michels, mas por muitos anos ela esteve ligada ao universo da publicidade. Segundo o autor, o desejo de produzir um texto com outra finalidade surgiu em 2016, quando percebeu a necessidade de escrever fora dos objetivos profissionais que orientavam seu trabalho cotidiano.


“Nunca fui um grande leitor, apesar do incentivo permanente do meu pai. Por outro lado, sempre escrevi muito bem. Acabei me tornando redator publicitário, profissão que exerço há mais de 20 anos. Em 2016, senti a necessidade de escrever fora dos objetivos de marketing e comunicação que permeiam meu trabalho. Então iniciei Presídio Central, meu primeiro livro, lançado em 2019.”


A vida real como principal fonte de inspiração

Ao falar sobre as influências que ajudaram a construir sua identidade literária, Michels evita apontar uma lista fechada de autores ou obras. Para ele, o impulso criativo aparece com mais força quando uma história, real ou fictícia, provoca algum tipo de impacto. A realidade, porém, costuma exercer um peso maior.


“Qualquer história, real ou fictícia, que me impacta de alguma forma, acaba influenciando minhas obras. Em geral, mais do que uma série, filme ou livro, a vida real tende a me motivar mais a escrever.”


Michels afirma que o refinamento do texto é uma etapa feita sem pressa. Foto: divulgação / arquivo pessoal.
Michels afirma que o refinamento do texto é uma etapa feita sem pressa. Foto: divulgação / arquivo pessoal.

Da ideia central ao processo de refinamento

O processo de escrita do autor começa com uma ideia central. Antes de decidir se ela se transformará em livro, Michels escreve em torno do conceito inicial para avaliar se há força suficiente para sustentar uma narrativa mais longa. Algumas propostas avançam; outras são abandonadas no caminho.


“Inicialmente, meus livros têm uma ideia central. Escrevo um pouco em torno dela até saber se tem potencial. Algumas dessas ideias vingam, outras não. Nas histórias que viraram livro, há um momento de virada de chave, em que parece que a obra ganha vida própria, e eu só preciso pôr no papel, apoiado em pesquisas para aprofundar os temas.”


A pesquisa ocupa papel importante nessa etapa. Michels compara a construção de cada livro a uma viagem, não apenas pelo desenvolvimento da história, mas também pelo conhecimento adquirido durante o processo. Depois da primeira versão, começa uma fase longa de revisão e lapidação.


“Cada livro que escrevo é como fazer uma grande viagem, pois aprendo muito durante o processo. Depois que finalizo a primeira versão, vou refinando. Leio, releio, reescrevo parágrafos e diálogos, incluo e excluo trechos. Refinar a obra é uma etapa que faço sem pressa, até chegar à versão final.”


Mais do que trabalhar um único gênero ou cenário, o escritor identifica um elemento recorrente em sua produção: o comportamento humano. Situações de pressão, perdas, conflitos e escolhas difíceis funcionam como um terreno para observar como as pessoas reagem quando são colocadas diante de circunstâncias extremas.


“O comportamento humano: como as pessoas reagem diante de situações extremas, conflitos, perdas, escolhas difíceis e dilemas morais. Gosto de investigar contradições sociais e escrever sobre a realidade da vida, situações que poderiam acontecer com qualquer pessoa, e explorar o que existe por trás delas.”


Essa perspectiva aproxima sua ficção de situações reconhecíveis pelo leitor. Mesmo quando a trama é inventada, o interesse do autor permanece voltado às tensões, contradições e decisões que poderiam surgir na experiência cotidiana.


Gabriel Michels nasceu em Porto Alegre, em 1983, e é pós-graduado em Comunicação Social. Foto: divulgação / arquivo pessoal.
Gabriel Michels nasceu em Porto Alegre, em 1983, e é pós-graduado em Comunicação Social. Foto: divulgação / arquivo pessoal.

Michels afirma que está constantemente escrevendo. Atualmente, uma nova história já avançou ao ponto de o autor prever a conclusão da primeira versão antes de iniciar o processo de refinamento. Desta vez, no entanto, o projeto deve incorporar um elemento diferente em relação aos livros anteriores.


“Estou sempre escrevendo. No momento, uma história ganhou vida e logo devo terminar a primeira versão, para depois começar a refinar. O que vai trazer de diferente, se comparado aos anteriores, este livro deve explorar com sutileza um elemento sobrenatural.”


O autor não antecipou detalhes sobre a trama, mas a presença desse componente sobrenatural sugere uma nova possibilidade dentro de uma obra até aqui fortemente marcada pelo realismo e pela observação de conflitos humanos.



Quem é Gabriel Michels?

Gabriel Michels nasceu em Porto Alegre, em 1983. Publicitário e pós-graduado em Comunicação Social, atua há mais de 20 anos como redator publicitário. Na literatura, é autor de “Presídio Central” (2019), “O Zelador” (2022), “O Pedinte” (2022) e “Inóspita Mente” (2025). Seu trabalho ficcional é marcado pelo interesse em realismo, comportamento humano, dilemas morais e situações de conflito.


Instagram: @gabrielmichels — https://www.instagram.com/gabrielmichels

Página do autor: Amazon — Gabriel Michels

Editora: Di Maior — www.dimaior.com


Entrevista concedida ao Auctoritas Notícias por e-mail. Texto elaborado a partir das respostas enviadas pelo autor, com preservação do conteúdo e das declarações. Matéria editada e revisada pelo diretor de Marketing Eric Rudhiery Albuquerque.



 
 
 

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