Ministros de Lula defendem prisão domiciliar para Bolsonaro por coerência jurídica.
- Giovana Cáceres

- 20 de jan.
- 2 min de leitura
Nos bastidores, auxiliares do Planalto avaliam que decisão do STF deveria seguir o mesmo critério aplicado a Fernando Collor.

Parte dos ministros do governo Lula passou a defender, de forma reservada, que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes autorize o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a cumprir sua pena em regime domiciliar.
A articulação ocorre nos bastidores do Palácio do Planalto e envolve ao menos três ministros que acompanham de perto o cenário político e jurídico em torno do caso.
Segundo relatos colhidos sob reserva, a avaliação interna é de que Moraes deveria adotar um critério de coerência institucional, já que concedeu o benefício da prisão domiciliar ao ex-presidente Fernando Collor de Mello. Para esses integrantes do governo, manter Bolsonaro em regime fechado enquanto Collor cumpre pena em casa fragiliza a percepção de isonomia nas decisões judiciais envolvendo ex-chefes do Executivo.
“Por que o Collor está em casa e ele não? Precisa ter coerência”, afirmou à coluna um ministro influente, que mantém contato frequente com o presidente Lula.
A fala reflete um entendimento pragmático dentro do governo, mais preocupado com o impacto político e institucional da decisão do que com a defesa direta do ex-presidente.
Outro ministro ouvido defendeu que o cargo exercido por Bolsonaro no passado também deveria pesar na análise.
Para esse auxiliar, o fato de se tratar de um ex-presidente da República justificaria algum grau de diferenciação no cumprimento da pena, sem que isso represente privilégio ilegal ou afronta à decisão judicial.
Desde a última quinta-feira (22/1), Jair Bolsonaro cumpre pena no Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal conhecido como “Papudinha”, localizado dentro do Complexo da Papuda, em Brasília.
O local é utilizado para custodiar presos com prerrogativas específicas ou que demandam maior controle institucional.
Paralelamente às discussões internas no governo, familiares e aliados de Bolsonaro seguem pressionando publicamente pela concessão da prisão domiciliar.
O principal argumento apresentado é o estado de saúde do ex-presidente, que já passou por diversas cirurgias e enfrenta problemas recorrentes, especialmente no sistema digestivo.
Embora não haja manifestação oficial do Palácio do Planalto, a movimentação nos bastidores indica que o tema deixou de ser apenas uma demanda da base bolsonarista e passou a integrar avaliações estratégicas dentro do próprio governo.
A decisão final, no entanto, segue exclusivamente nas mãos do Supremo Tribunal Federal, que deverá ponderar os aspectos jurídicos, políticos e institucionais envolvidos.




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