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R$ 530 milhões em jogo: COB alerta que PEC da Segurança pode comprometer Olimpíadas

  • Foto do escritor: Giovana Cáceres
    Giovana Cáceres
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Representantes do Comitê Olímpico Brasileiro estão em Brasília para tentar alterar trecho da proposta que destina parte da arrecadação das apostas esportivas ao financiamento da segurança pública



O Comitê Olímpico do Brasil (COB) tenta mudar no Senado um trecho da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública que, segundo a entidade, poderá retirar aproximadamente R$ 530 milhões destinados ao esporte. A preocupação é que a mudança comprometa o financiamento de projetos esportivos e prejudique a preparação de atletas brasileiros para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.


O texto aprovado pela Câmara dos Deputados prevê que 30% da arrecadação das apostas esportivas, após o pagamento de prêmios, impostos e despesas das operadoras, deixe de ser destinado ao Conselho Nacional dos Comitês Esportivos (CNCE) e passe a financiar o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen).


O CNCE reúne entidades como o COB e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que utilizam recursos provenientes das apostas esportivas para financiar atividades e projetos ligados ao desenvolvimento do esporte nacional.

Representantes do COB desembarcaram em Brasília nesta semana para tentar convencer senadores a modificar o trecho. Na segunda-feira (31), a comitiva se reuniu com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e também busca uma audiência com o relator da proposta no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE).

A PEC está prevista para ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (2).


Entidades querem alterar fonte dos recursos.

O COB e outras organizações esportivas defendem mudanças no texto antes da votação. Uma das alternativas foi apresentada pela senadora Leila Barros, conhecida como Leila do Vôlei (PDT-DF), que propõe que os recursos destinados à segurança sejam retirados da parcela efetivamente reservada às casas de apostas.


Outras propostas, apresentadas pelos senadores Damares Alves (Republicanos-DF) e Humberto Costa (PT-PE), defendem a retirada do trecho que permitiria utilizar recursos atualmente destinados ao esporte para financiar os fundos de segurança.


A discussão coloca frente a frente duas áreas consideradas estratégicas para o país: de um lado, a necessidade de ampliar o financiamento da segurança pública; de outro, a manutenção dos recursos destinados ao esporte de alto rendimento e à formação de novos atletas.


COB calcula impacto de até R$ 40 milhões.

O presidente do COB, Marco La Porta, afirma que o impacto direto sobre a entidade poderia chegar a R$ 40 milhões.


Segundo ele, o montante seria equivalente ao investimento necessário para a realização dos Jogos da Juventude, competição que, em suas primeiras etapas, alcança aproximadamente 2 milhões de jovens em todo o Brasil.


Para o dirigente, o esporte não se opõe ao fortalecimento da segurança pública, mas questiona a utilização de recursos que atualmente financiam programas esportivos.

“O esporte não é contra a PEC da Segurança Pública, muito pelo contrário. A importância desse tema para o povo brasileiro, mas não faz sentido nenhum você fazer uma PEC da Segurança Pública, em que o financiamento vem justamente da retirada de recursos do esporte, que promove segurança também”, afirmou La Porta.


Impacto pode atingir formação de novos atletas.

O ex-atleta Emanuel Rego, diretor-geral do COB e campeão olímpico no vôlei de praia em Atenas, em 2004, também integra a mobilização em Brasília.

Para ele, uma redução de recursos durante o ciclo olímpico pode comprometer não apenas a preparação da equipe que disputará os Jogos de Los Angeles, mas também a formação das próximas gerações de atletas.


“Quando você tem uma diferença no orçamento, como é previsto para 2027 caso essa PEC continue, a gente impacta a preparação dos atletas e a condição para que eles possam chegar aos Jogos”, afirmou.


Emanuel também chama atenção para o efeito de longo prazo da redução dos investimentos. Segundo ele, atletas que hoje estão entre 15 e 17 anos fazem parte da formação necessária para futuras equipes olímpicas.


O debate, portanto, vai além da preparação para Los Angeles 2028. Para as entidades esportivas, a alteração na distribuição dos recursos das apostas pode afetar projetos de base, competições nacionais, formação de atletas e o próprio ciclo de desenvolvimento do esporte brasileiro.


Próximo passo será no Senado.

A disputa agora se concentra no Senado, onde os representantes do esporte tentam convencer os parlamentares a acolher as emendas apresentadas e modificar o trecho antes da votação.


O texto ainda está em tramitação e poderá sofrer alterações durante a análise dos senadores. Caso a proposta avance com mudanças em relação à versão aprovada pela Câmara, o processo legislativo seguirá as regras previstas para a apreciação de uma PEC.


Para o COB, a discussão ocorre em um momento especialmente sensível, já que o Brasil entra em um novo ciclo olímpico e precisa garantir recursos para preparar atletas de alto rendimento sem interromper investimentos na formação esportiva.

A votação na CCJ desta quarta-feira será, portanto, um dos primeiros momentos decisivos para saber se o trecho que preocupa o setor esportivo será mantido, alterado ou retirado da proposta.


 
 
 

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