167 anos da chegada do presbiterianismo ao Brasil
- Eric Rudhiery
- 12 de ago.
- 4 min de leitura
Neste 12 de agosto, data que marca os 167 anos da chegada do missionário Ashbel Green Simonton ao Brasil e um dos principais marcos da implantação do presbiterianismo no país, o Auctoritas Notícias apresenta uma entrevista especial sobre a história, o legado e os desafios da tradição reformada no cenário cristão brasileiro.
Para abordar o tema, o editor do Auctoritas Notícias, Eric Rudhiery, conversou com o Reverendo Bruno Barroso, pastor da Igreja Reformada em Ponta Grossa (PR), teólogo, professor e escritor. O reverendo atua no ensino teológico, na formação cristã e na produção de conteúdo nas áreas de teologia reformada e apologética.

Embora pertença a uma igreja reformada de tradição continental, o Rev. Bruno Barroso destacou sua consideração pela história do presbiterianismo brasileiro e a importância da data para toda a tradição reformada no país.
Antes de responder às perguntas, o reverendo fez a seguinte consideração:
“Embora eu seja pastor de uma igreja reformada de tradição continental, considero uma grande honra falar sobre esta data. Tenho profunda estima pelo presbiterianismo brasileiro e, ao longo dos anos, tenho tido a oportunidade de conviver e dialogar com pastores, presbíteros e membros da Igreja Presbiteriana. Celebrar a chegada do presbiterianismo ao Brasil é, em certo sentido, celebrar também uma parte importante da própria história da fé reformada em nosso país.”
Confira a entrevista:
Reverendo, qual foi a importância da chegada dos presbiterianos para a história do protestantismo brasileiro?
"Foi um momento decisivo. Houve presença protestante e reformada no Brasil muito antes de Simonton: os franceses reformados chegaram à Guanabara em 1557, os holandeses reformados estiveram no Nordeste entre 1630 e 1654, e, posteriormente, vieram imigrantes protestantes europeus no século XIX. O que torna 1859 especialmente importante é que Ashbel Green Simonton iniciou uma obra missionária organizada, voltada à evangelização em língua portuguesa e à formação de uma igreja entre brasileiros. Ele chegou ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859 e, em poucos anos, estabeleceu a primeira igreja presbiteriana, organizou o primeiro presbitério, iniciou a formação de ministros e criou a imprensa evangélica. Portanto, Simonton não foi o primeiro reformado a pisar no Brasil, mas foi decisivo para a implantação duradoura do presbiterianismo entre a população de língua portuguesa".
Na sua avaliação, quais foram as principais contribuições da Igreja Presbiteriana para a formação religiosa, educacional e social do Brasil ao longo desses anos?
"Eu destacaria três: evangelização, educação e formação intelectual. Desde os primeiros anos, o presbiterianismo investiu na pregação do Evangelho, na formação de ministros e na imprensa. Um exemplo extraordinário na área educacional foi a Escola Americana, iniciada por George e Mary Chamberlain em São Paulo, em 1870, que posteriormente daria origem ao Mackenzie. Desde o começo, aquela escola recebeu crianças sem distinção de sexo, credo ou etnia, algo bastante significativo para o contexto brasileiro do século XIX".

O presbiterianismo faz parte da tradição reformada. Quais pontos da doutrina reformada o senhor considera mais importantes para a realidade da Igreja no Brasil hoje?
"Sem dúvida, a Soberania de Deus sobre todas as esferas da vida e a suficiência das Escrituras. Hoje, vemos um mercado religioso no Brasil muito focado no indivíduo, no consumo espiritual e na teologia da prosperidade. A doutrina reformada é um antídoto contra isso. Ela nos lembra que o centro da história não somos nós, mas a glória de Deus, e que o Evangelho trata de redenção, não de barganha com o sagrado. Essa ênfase na graça soberana traz mucha estabilidade e saúde para a igreja. É significativo que a própria Constituição da IPB estabeleça as Escrituras como única regra de fé e prática e a Confissão de Westminster e os Catecismos como seu sistema doutrinário".
Como o senhor enxerga a presença e o crescimento das igrejas reformadas no cenário evangélico brasileiro atual?
"Vejo com esperança, mas também com muita responsabilidade. É animador perceber o crescente interesse pela tradição reformada, pela doutrina, pela pregação expositiva e pelas confissões históricas. Mas precisamos ter discernimento: em determinados ambientes, ser “reformado” também acabou se tornando uma espécie de moda ou identidade cultural. Ser reformado não é apenas adotar uma estética, falar em soberania de Deus ou defender alguns pontos do calvinismo; é submeter-se às Escrituras e confessar publicamente a fé recebida pela tradição reformada, com doutrina sólida, culto reverente e vida de piedade. Mais importante do que termos muitos que se chamam reformados é termos igrejas realmente bíblicas, confessionais e comprometidas com a fé que professam".

Como pastor, qual o senhor considera ser sua missão diante dos desafios religiosos, sociais e culturais do Brasil atual, e o que espera para a vivência da fé cristã no país nos próximos anos?
"Minha missão é permanecer fiel às Escrituras e anunciar Cristo. A Igreja precisa continuar pregando o Evangelho, discipulando pessoas, formando famílias, defendendo a verdade e servindo ao próximo. O grande desafio atual não é apenas o secularismo externo, mas o analfabetismo bíblico dentro das próprias igrejas. Para os próximos anos, minha esperança é ver um cristianismo menos barulhento politicamente e mais denso teologicamente. Que possamos voltar ao básico: igrejas saudáveis que amam as Escrituras, formam o caráter humano e servem suas comunidades com integridade e amor. Se conseguirmos recuperar uma fé bíblica, doutrinariamente sólida, pastoralmente cuidadosa e verdadeiramente santa, teremos uma contribuição muito importante para o Brasil".
Ao revisitar a história do presbiterianismo e refletir sobre os desafios atuais da Igreja, o Rev. Bruno Barroso ressalta uma questão que atravessa toda a entrevista: a necessidade de uma fé cristã fundamentada nas Escrituras, acompanhada de formação doutrinária, vida de piedade e serviço ao próximo.
O reverendo é pastor da Igreja Reformada em Ponta Grossa (PR) e também atua como teólogo, professor e escritor.
Acompanhe o Rev. Bruno Barroso nas redes sociais:
Instagram: @pr.bruno.barroso
Igreja Reformada em Ponta Grossa: @igrejareformadapg



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