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A crise de boas lideranças nas empresas

  • Foto do escritor:  Eric Rudhiery Albuquerque
    Eric Rudhiery Albuquerque
  • 10 de fev.
  • 3 min de leitura

No debate público sobre produtividade empresarial, fala-se frequentemente da baixa qualificação de funcionários ou das dificuldades da chamada Geração Z no mercado de trabalho. Entretanto, um ponto central permanece pouco discutido: muitas empresas fracassam não por falta de esforço das equipes, mas por má gestão, líderes despreparados e ausência de formação consistente em liderança organizacional.


Em diversas economias, especialmente nas emergentes, é comum que gestores ascendam a posições de comando apenas por tempo de casa, relações pessoais ou desempenho técnico, não por preparo real para liderar pessoas, administrar conflitos, gerir mudanças tecnológicas ou estruturar ambientes psicologicamente saudáveis. O resultado é um fenômeno recorrente: equipes desmotivadas, ambientes tóxicos e produtividade abaixo do potencial.


Pesquisas internacionais mostram que o desempenho das equipes está diretamente ligado à qualidade da liderança. Estudos da Gallup indicam que gestores influenciam grande parte da variação no engajamento dos funcionários, fator decisivo para produtividade e retenção de talentos. Levantamentos corporativos e acadêmicos também apontam que líderes bem preparados elevam significativamente o desempenho das equipes e reduzem conflitos internos, absenteísmo e rotatividade.


Ainda assim, muitas organizações continuam concentrando treinamentos apenas na base operacional, enquanto a liderança, responsável pelas decisões estratégicas, clima organizacional e direção das equipes, permanece pouco capacitada. Na prática, funcionários acabam refletindo o nível de preparo de seus gestores: equipes desorganizadas costumam ser consequência de lideranças igualmente desorganizadas.


Enquanto o discurso empresarial frequentemente critica jovens profissionais por suposta falta de disciplina ou maturidade, observa-se um problema estrutural mais profundo: uma geração de gerentes e empreendedores que não acompanhou adequadamente as transformações tecnológicas, culturais e comportamentais do ambiente de trabalho.

Muitos desses líderes enfrentam dificuldades para:

- lidar com equipes multigeracionais,

- compreender novas dinâmicas digitais,

- criar ambientes organizacionais saudáveis,

- administrar comunicação transparente e feedback estruturado,

- e desenvolver modelos de liderança baseados em responsabilidade e resultados.

Essa lacuna gera conflitos entre gerações e reduz a eficiência organizacional, criando a percepção equivocada de que o problema está apenas nos colaboradores mais jovens.


Em economias desenvolvidas, grandes empresas e instituições dedicam recursos significativos à formação contínua de lideranças, com programas estruturados de desenvolvimento gerencial, avaliação comportamental periódica, coaching executivo baseado em evidências e métricas claras de desempenho humano. A liderança é tratada como uma competência técnica que exige treinamento constante, não como uma habilidade automática adquirida com a promoção.


Essa cultura organizacional contribui para ambientes mais produtivos, menor rotatividade e maior alinhamento estratégico entre equipes e direção.


No Brasil, mudanças regulatórias recentes, especialmente a atualização da NR-1, reforçam a necessidade de identificação e gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A norma amplia a responsabilidade das empresas na prevenção de fatores como assédio, sobrecarga psicológica, conflitos estruturais e ambientes organizacionais inadequados, incentivando a adoção de diagnósticos organizacionais, programas de saúde mental preventiva e capacitação de lideranças.


Mais do que exigência legal, essa mudança aponta para uma transformação inevitável: empresas que ignorarem a qualidade de suas lideranças tendem a enfrentar não apenas problemas de produtividade, mas também custos jurídicos, rotatividade elevada e perda de competitividade.


A discussão sobre produtividade precisa abandonar a visão simplista que responsabiliza apenas os demais níveis da instituição. A evidência organizacional é clara: equipes eficientes são reflexo de lideranças preparadas, enquanto ambientes improdutivos frequentemente revelam falhas de gestão. Investir na formação de líderes, técnica, psicológica e estrategicamente, deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica para a sobrevivência empresarial no século XXI.




Eric Rudhiery - Especialista em Marketing e MBA em Marketing e Inovações

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