Opinião: Conservador não deve aderir à Campanha da Fraternidade!
- Eric Rudhiery Albuquerque

- 20 de fev.
- 2 min de leitura
Sobre o tema de 2026 da Campanha da Fraternidade: “Fraternidade e Moradia” é, em si, belo e humanamente relevante. Moradia digna é um problema real e dramático no Brasil.
O problema não está no tema. Está na trajetória de quem à propõe...
Ao longo dos anos, a Campanha da Fraternidade deixou de ser apenas uma reflexão espiritual quaresmal para se tornar, na prática, um espaço frequentemente permeado por discursos e narrativas alinhadas à esquerda política. A aproximação histórica de setores eclesiais com pautas de matriz socialista, muitas vezes inspiradas na teologia da libertação, gerou uma desconfiança legítima entre fiéis conservadores e observadores externos.
É difícil ignorar a inclinação ideológica quando lideranças eclesiásticas fazem declarações generalizantes, como a homilia de 2019 em que Dom Orlando Brandes afirmou que “a direita é violenta e injusta”. Também não se pode fingir neutralidade quando campanhas e manifestações eclesiais, em anos recentes, ecoaram críticas direcionadas a um espectro político específico, inclusive durante o governo Bolsonaro.
Além disso, há uma incoerência que precisa ser apontada: a ênfase retórica em direitos sociais no Brasil contrasta com a relativa timidez institucional diante de regimes que violaram liberdades fundamentais na América Latina, como na Venezuela, que até esses dias estava sob Nicolás Maduro. Direitos humanos não podem ser seletivos.
Também surpreende que a Igreja Católica Romana, tão rigorosa historicamente em matéria doutrinária, não tenha adotado medidas mais firmes contra correntes abertamente influenciadas por categorias marxistas dentro da teologia da libertação. A ausência de delimitação clara contribui para que campanhas pastorais sejam percebidas como extensões de projetos ideológicos.
A direita não deve celebrar a Campanha da Fraternidade 2026 não porque rejeite a solidariedade ou a preocupação social... ao contrário. Mas porque não pode ignorar quando linguagem cristã é utilizada como veículo de um direcionamento político específico.
Minha análise é simples: igrejas existem para formar consciência moral e espiritual. Quando grupos ideológicos passam a orientar a narrativa pública dessas instituições, o risco é substituir caridade por demagogia e fé por ativismo.
Quem preza pela liberdade precisa estar atento: opinião pública também se constrói dentro dos templos. E nem toda retórica social é neutra, mesmo quando vem revestida de boas intenções.




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