Casas Bahia em colapso? Gigante pede recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em dívidas e fecha quase 300 lojas
- Eric Rudhiery
- 17 de ago.
- 2 min de leitura
Uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro recorre à Justiça para renegociar dívidas bilionárias; plano prevê fechamento de 298 unidades, enquanto empresa afirma que lojas e vendas continuarão funcionando.
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo diante de uma dívida estimada em R$ 17,3 bilhões, aprofundando uma das maiores crises recentes do varejo brasileiro. O processo foi apresentado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
O pedido envolve dez empresas do grupo, incluindo operações ligadas às Casas Bahia, Ponto, Extra.com, Bartira, logística e tecnologia.
A recuperação judicial permite que a companhia tente reorganizar suas obrigações financeiras sob supervisão da Justiça, buscando evitar uma deterioração ainda maior das operações.
Um dos números mais impactantes da reestruturação é o fechamento previsto de 298 lojas, equivalente a aproximadamente 29% das unidades do grupo. O corte deverá atingir principalmente pontos considerados menos rentáveis.
O Sindicato dos Comerciários de São Paulo estima que cerca de 2 mil trabalhadores possam ser afetados e anunciou que pretende discutir judicialmente as demissões coletivas.
A crise aparece também nos resultados financeiros. No segundo trimestre de 2026, o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. Parte expressiva desse valor, cerca de R$ 9,1 bilhões, decorreu de efeitos contábeis não recorrentes; mesmo sem esses efeitos, o prejuízo ajustado ficou próximo de R$ 978 milhões.
Recuperação judicial não significa falência. A própria companhia afirma que pretende manter lojas, site, aplicativo e demais operações funcionando enquanto renegocia suas dívidas e reduz custos.
A situação, porém, chama atenção porque não é a primeira grande renegociação recente da varejista. Em 2024, o grupo passou por uma recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas.
Agora, com dívida muito maior, fechamento de centenas de lojas e prejuízos acumulados, uma das marcas mais tradicionais do comércio brasileiro entra novamente em uma corrida para recuperar sua saúde financeira.
Para milhões de brasileiros acostumados ao tradicional carnê e às lojas espalhadas pelo país, a pergunta inevitável é: a Casas Bahia conseguirá atravessar mais essa crise?



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