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Cientistas brasileiros identificam nova espécie de bactéria associada a doença ocular em bovinos

  • Foto do escritor: Eric Rudhiery
    Eric Rudhiery
  • há 7 dias
  • 2 min de leitura

Batizada de Moraxella tarda, espécie foi confirmada por análises genômicas e amplia o conhecimento sobre microrganismos encontrados em animais com o chamado “mal do olho”


Pesquisadores brasileiros identificaram uma nova espécie de bactéria, batizada de Moraxella tarda, encontrada em bovinos que apresentavam sinais iniciais de ceratoconjuntivite infecciosa bovina, enfermidade conhecida entre produtores como “mal do olho” ou pinkeye. A descoberta foi divulgada pela Embrapa nesta terça-feira (18).


O trabalho envolveu pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul, Embrapa Gado de Leite e Embrapa Gado de Corte, além da Universidade Federal de Juiz de Fora e do Instituto Biológico de São Paulo. O estudo científico foi publicado na revista internacional Current Microbiology, da Springer Nature, em 9 de julho de 2026.


A bactéria foi isolada da cavidade nasal de bovinos da raça Hereford, em uma propriedade no bioma Pampa, no Rio Grande do Sul. As amostras originais haviam sido obtidas em 2018 durante uma investigação envolvendo animais com manifestações iniciais da doença.


Os cientistas perceberam que alguns isolados não correspondiam geneticamente às espécies de Moraxella já conhecidas. Entre 55 isolados analisados, três apresentaram características diferentes e posteriormente foram classificados como pertencentes à nova espécie.


O sequenciamento revelou um genoma de aproximadamente 1,86 milhão de pares de bases. A espécie conhecida geneticamente mais próxima apresentou apenas 97,9% de identidade na sequência do gene 16S rRNA, enquanto comparações de genoma completo produziram valores abaixo dos limites internacionalmente utilizados para considerar duas bactérias integrantes da mesma espécie.


Outro detalhe deu origem ao próprio nome. A palavra tarda significa “lenta”, referência ao crescimento muito mais demorado da bactéria em laboratório. As colônias eram quase imperceptíveis nas primeiras 24 horas e ficavam claramente visíveis após cerca de 48 horas.


A ceratoconjuntivite infecciosa bovina pode provocar inflamação, lesões oculares e comprometimento da visão dos animais. A espécie Moraxella bovis é uma das principais associadas à enfermidade, mas outras bactérias do mesmo gênero também já foram encontradas em animais afetados.


Os pesquisadores, entretanto, ainda não afirmam que a Moraxella tarda seja causadora da doença. O estudo mostra uma associação e os próprios autores ressaltam que novas pesquisas serão necessárias para determinar seu papel na microbiota dos bovinos e no desenvolvimento da enfermidade.


A descoberta amplia o catálogo científico de microrganismos e poderá contribuir para métodos mais precisos de diagnóstico e para futuras pesquisas sobre prevenção e controle das doenças oculares em bovinos.





Fontes: Embrapa; Current Microbiology/Springer Nature.


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