top of page

Como a Havan cresce enquanto gigantes fecham? Números mostram uma estratégia diferente no varejo

  • Foto do escritor: Eric Rudhiery
    Eric Rudhiery
  • 17 de ago.
  • 3 min de leitura

Enquanto redes tradicionais enfrentam dívidas, fechamento de unidades e recuperação judicial, a empresa de Luciano Hang amplia lojas, aumenta lucro e mantém bilhões em caixa. O que explica essa diferença?


Em um momento no qual parte do varejo brasileiro enfrenta uma das fases mais difíceis dos últimos anos, a Havan parece caminhar na direção oposta.


Nesta segunda-feira (17), o Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em dívidas e anunciou uma reestruturação que prevê o fechamento de 298 lojas. A empresa atribuiu parte das dificuldades ao crédito mais restrito, aos juros elevados e à pressão sobre o capital de giro.


Enquanto isso, os últimos números divulgados pela Havan mostram expansão.


Em 2025, a rede de Luciano Hang alcançou R$ 18,5 bilhões de faturamento bruto, crescimento superior a 16% em relação ao ano anterior. A receita líquida chegou a R$ 13,7 bilhões, o EBITDA a R$ 3,2 bilhões e o lucro líquido atingiu aproximadamente R$ 3,4 bilhões, alta de 28% e recorde histórico da companhia. As demonstrações da empresa são acompanhadas por auditoria independente.


As vendas nas mesmas lojas avançaram 14% em 2025, enquanto o tíquete médio aumentou 8%. A Havan também recebeu cerca de 190 milhões de clientes ao longo do ano, 7% a mais que em 2024.


A empresa encerrou 2025 com 184 megalojas depois de inaugurar sete novas unidades durante o ano. Para 2026, Luciano Hang estabeleceu uma meta ainda mais agressiva: chegar a 200 megalojas, superar 25 mil funcionários e alcançar R$ 22 bilhões de faturamento.


Também estão previstos investimentos bilionários em novas lojas, terrenos e ampliação da estrutura logística.


Ao final de 2025, a Havan possuía aproximadamente R$ 5 bilhões em caixa, contra dívida bruta de apenas R$ 679 milhões. O resultado era um caixa líquido positivo de R$ 4,3 bilhões. A dívida bruta ainda havia caído 34% no período.


É uma posição bastante diferente da observada em empresas que atualmente precisam renegociar dívidas e buscar novos recursos para financiar o próprio capital de giro.


As comparações devem ser feitas com cautela porque as companhias possuem estruturas financeiras e modelos de negócio diferentes. Ainda assim, os números ajudam a mostrar por que a Havan consegue continuar investindo enquanto concorrentes precisam reduzir operações.


Em entrevista ao Brazil Journal, Hang explicou que voltou pessoalmente à operação da empresa depois de 2022 e promoveu mudanças importantes.


Entre elas estavam redução dos estoques, maior controle das despesas e endurecimento da política de crédito. Clientes inadimplentes passaram a ter o crédito bloqueado, e a taxa de inadimplência caiu de aproximadamente 11% em 2022 para 3%. As despesas administrativas também foram reduzidas em 23,9% em 2024.


Hang resumiu sua filosofia afirmando que, nos momentos difíceis, volta a acompanhar de perto “a compra, a venda, tudo” e procura reinventar o negócio rapidamente.


Há ainda características incomuns no modelo da Havan. A rede mantém um grande centro de distribuição centralizado e automatizado, trabalha com enorme variedade de produtos e construiu suas megalojas principalmente fora dos grandes centros tradicionais de shopping, transformando muitas unidades em destinos regionais de compras.


A trajetória não significa que a Havan esteja imune aos desafios que atingem todo o varejo. Juros elevados, dólar, fretes e consumo pressionado também afetam a companhia, e os custos das mercadorias cresceram mais que a receita em 2025.


Mas a diferença está no ponto de partida: a Havan chega a esse cenário com lucro recorde, caixa líquido bilionário, vendas crescendo e um plano de abertura de novas lojas.


Em junho, quando a empresa completou 40 anos, Luciano Hang afirmou que a companhia estava construindo “o melhor ano da nossa história” e manteve a meta de chegar a todos os Estados brasileiros.


Enquanto uma parcela importante do varejo brasileiro discute como sobreviver à combinação de juros, crédito caro e endividamento, a Havan está fazendo outra pergunta: até onde ainda consegue crescer?

 
 
 

Comentários


Fale com a gente: auctoritasms@gmail.com
67 9 9214-3538

Campo Grande - Mato Grosso do Sul

Anúncios e Parcerias

2026 Auctoritas Notícias      Todos os direitos reservados
bottom of page