Congresso derruba presidente após escândalo com empresário chinês
- Eric Rudhiery Albuquerque

- 17 de fev.
- 2 min de leitura
O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira (17) o presidente José Jeri, que estava há apenas quatro meses no cargo. A queda ocorre após a revelação de encontros não informados oficialmente com um empresário chinês, episódio que aprofundou a já crônica instabilidade política do país.
A saída foi aprovada por maioria simples em uma moção de censura: 75 parlamentares votaram pela destituição, 24 se posicionaram contra e três se abstiveram.
Durante a sessão, o congressista Fernando Rospigliosi declarou oficialmente a vacância do cargo. Com isso, além da presidência do Congresso, também ficou aberto o posto de presidente da República, conforme determina o ordenamento institucional peruano em casos dessa natureza.
Diferentemente do impeachment, que exige pelo menos 87 votos favoráveis entre os 130 integrantes do Parlamento, a censura pode ser aprovada por maioria simples — desde que atinja o quórum mínimo necessário conforme o número de parlamentares presentes.
Jeri e seus aliados defenderam que o processo adequado seria o impeachment, que permitiria um rito mais amplo de defesa. Ainda assim, afirmaram que respeitariam o resultado da votação.
Nos bastidores, líderes partidários iniciam agora negociações para definir uma nova chapa à presidência do Congresso. A escolha é estratégica: do comando do Legislativo sairá o próximo presidente interino do país.
Aos 39 anos, José Jeri havia assumido em outubro de 2025, após a destituição da então presidente Dina Boluarte. Boluarte, por sua vez, chegou ao poder em 2022 depois da queda de Pedro Castillo, que governou por cerca de um ano e meio.
O episódio que precipitou a crise envolve reuniões não registradas oficialmente entre Jeri e empresários chineses. Um dos encontros motivou a abertura de investigação por suspeita de tráfico de influência.
Com mais um presidente afastado em curto intervalo de tempo, o Peru reafirma o cenário de turbulência institucional que tem marcado sua política nos últimos anos, onde mandatos parecem provisórios e crises, permanentes.
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