Da Paraíba para o metal autoral: GOROMAX transforma peso, sotaque e inquietação em identidade própria
Power trio de João Pessoa aposta em riffs graves, letras em português e conexão com a cena local enquanto prepara o primeiro EP e projeta o álbum de estreia para 2027.

Auctoritas Notícias | Entrevista com Kobal Ferrer | Setembro de 2026
Em uma cena musical em que bandas autorais precisam disputar atenção, espaço, orçamento e público ao mesmo tempo, a GOROMAX escolheu um caminho simples de explicar e difícil de executar: fazer música pesada sem apagar a própria origem.
Formado em 2025, em João Pessoa (PB), o trio reúne Kobal Ferrer na guitarra e voz, Uyl Aires no baixo e backing vocal e Thamires Ellis na bateria. A proposta combina metal alternativo, stoner rock, groove, afinações graves e letras em português, sem neutralizar o sotaque paraibano.
Em entrevista ao Auctoritas Notícias, Kobal Ferrer contou como a banda surgiu, detalhou o processo de criação, falou sobre os custos e desafios de manter um projeto independente e antecipou os próximos passos do grupo. A conversa revela um projeto ainda jovem, mas já consciente de que identidade artística não se resume ao som: envolve linguagem, território, repertório, palco e a capacidade de sustentar uma carreira fora dos grandes centros da indústria.
A GOROMAX nasceu em João Pessoa em 2025. Segundo Kobal, a ideia desde o início era construir um trabalho autoral pesado que absorvesse as referências individuais dos integrantes sem perder contato com a realidade em que vivem.
“A gente queria fazer um som autoral pesado, com as referências que cada um traz, mas falando do lugar onde a gente vive. Hoje somos um trio: eu, Kobal Ferrer, na guitarra e no vocal, Uyl Aires no baixo e nos backing vocals, e Thamires Ellis na bateria.”
O primeiro ciclo de lançamentos começou em 2026. “Ataque” chegou às plataformas em março e “Vai Além” foi lançado em maio. A estreia ao vivo aconteceu em junho, na Vila do Porto, em João Pessoa, ao lado de Hajem Kunk e Zefirina Bomba. Depois vieram o Clan Sessions, o Underground em Evidência, na Usina Cultural Energisa, o Beco Underground e o Obsession Fest.
“Tirar as músicas do estúdio e botar na frente das pessoas tá sendo uma experiência muito gratificante para todos nós da banda.”
Na definição de Kobal, a identidade sonora da GOROMAX está próxima do metal alternativo, com presença forte de stoner e groove. Entre as referências citadas estão Mastodon, Red Fang, Sepultura, Black Sabbath, Gojira e Alice in Chains. A influência, porém, não é tratada como fórmula.
“A gente se identifica com o metal alternativo, com bastante stoner e groove no meio. Afinação baixa, riff pesado e espaço pra experimentar. As referências passam por Mastodon, Red Fang, Sepultura, Black Sabbath, Gojira e Alice in Chains. Cada um chega com a sua bagagem e o som sai desse encontro.”
Um dos pontos mais marcantes do discurso da banda está na escolha do idioma e na recusa em suavizar a origem regional para se aproximar de modelos estrangeiros.
“Cantar em português, com o nosso sotaque, é parte da identidade. A gente quer que a música soe como a gente fala, sem disfarçar de onde veio. Isso deixa a letra mais perto de quem escuta, e pra nós faz sentido como artistas.”
As letras percorrem temas como ansiedade, relações humanas, desgaste emocional e questões sociais. A banda tenta transformar essas tensões em música sem separar o peso instrumental das experiências que dão origem às letras.

O processo criativo costuma começar pela guitarra. Kobal descreve uma dinâmica em que a primeira ideia surge de maneira instintiva e depois passa por um trabalho coletivo de estruturação. “Ataque”, por exemplo, nasceu de um riff repetitivo e pesado; a letra foi construída a partir da sensação de pressão que o próprio instrumental provocava. Em “Vai Além”, riff e refrão apareceram praticamente juntos, enquanto arranjo e dinâmica foram desenvolvidos depois.
“Tem esse primeiro momento de botar a ideia pra fora, ainda meio bruta, e depois o trabalho de organizar e testar até entender o que fica de pé. A gente pensa no espaço de cada instrumento, nas mudanças de andamento, em onde a voz entra e em como isso conversa com a letra.”
As gravações têm sido realizadas no Music Obsession, em João Pessoa, com Marcos Sena na produção, mixagem e masterização. Uyl Aires participa da coprodução. A prioridade, segundo Kobal, é evitar que a gravação retire a energia física que a banda encontra quando toca ao vivo.
“O que a gente persegue é manter o peso e a energia da banda tocando: uma gravação em que dê pra sentir os instrumentos na sala e a intenção de quem está tocando.”
Para uma banda independente, criar música é apenas uma parte do trabalho. A rotina também envolve ensaios, gravações, equipamentos, transporte, material visual, divulgação, relacionamento com produtores, negociação de shows e organização financeira.
“Pra mim o mais difícil é manter a continuidade. Banda é ensaio, gravação, equipamento, transporte, divulgação, material visual e um monte de tarefa que corre paralela à música. Isso tudo custa dinheiro e tempo, e ainda precisa caber no meio das outras responsabilidades da vida de cada um.”
A distribuição digital facilitou a entrada de artistas nas plataformas, mas não eliminou o desafio de conquistar atenção.
“Botar a música na plataforma é só uma etapa. Fazer alguém descobrir, escutar e querer ir no show é um esforço que não para. Por isso a relação com produtor, espaço cultural, imprensa e outras bandas conta tanto.”
Nesse ponto, a banda também chama atenção para a cena paraibana. Kobal afirma que há produção de qualidade no estado, mas ainda é necessário ampliar as possibilidades de circulação, conexão e encontro com o público.
“Aqui na Paraíba tem muita gente boa produzindo. Falta ampliar as oportunidades de circular e de encontrar público. Quem vai no show, compra uma camisa ou mostra a banda pro amigo está segurando isso de pé junto com a gente.”
A sequência de apresentações em 2026 ajudou o trio a testar as músicas em situação real. Além da estreia na Vila do Porto, a GOROMAX participou de eventos e sessões que aproximaram a banda do público e de outras formações da cena local. Em junho, o Clan Sessions TV publicou uma performance acompanhada de entrevista com o trio; em agosto e setembro, a agenda avançou com novas apresentações em João Pessoa.
Essa experiência também interfere no planejamento dos próximos trabalhos. Os shows permitem observar como o repertório funciona diante de pessoas, como os integrantes respondem uns aos outros e quais músicas ganham outra dimensão fora do estúdio.

O próximo passo é consolidar a primeira fase da GOROMAX em um EP. O projeto dará continuidade ao caminho iniciado por “Ataque” e “Vai Além”, com novas faixas que devem ampliar o espectro de peso, arranjos e temas líricos da banda.
“O próximo passo é o nosso primeiro EP, seguindo o que começou com 'Ataque' e 'Vai Além'. Tem outras músicas no repertório e a gente quer mostrar mais do que a GOROMAX faz, no peso, nos arranjos e nas letras. E estamos nos programando para começar a gravação do nosso primeiro álbum a partir do início de 2027.”
A banda também pretende circular por outras cidades e fortalecer conexões com a cena do Nordeste. O objetivo, segundo Kobal, é crescer de forma planejada e sustentável, evitando que a pressa comprometa a continuidade do projeto.
“A ideia é continuar compondo, gravando e tocando, com planejamento pra sustentar isso.”
Ainda no início da trajetória, a GOROMAX constrói uma assinatura que combina referências internacionais do metal com uma posição claramente local. O peso dos riffs, a experimentação e as afinações graves convivem com o português, o sotaque, a rotina de João Pessoa e os desafios concretos de uma banda independente do Nordeste.
Em vez de tratar a origem como obstáculo, o trio procura transformá-la em linguagem. Essa escolha aparece tanto nas letras quanto na maneira como a banda fala sobre a própria carreira. Para a GOROMAX, crescer não significa abandonar o lugar de onde veio, mas ampliar o alcance sem perder a identidade que deu sentido ao projeto desde o começo.
GOROMAX:
Origem: João Pessoa (PB)
Formação: Kobal Ferrer (guitarra e voz), Uyl Aires (baixo e backing vocal) e Thamires Ellis (bateria)
Vertentes: metal alternativo, stoner rock e groove
Singles: “Ataque” e “Vai Além”
Próximos passos: primeiro EP e início das gravações do álbum de estreia em 2027
Instagram: @goromax.pb
Site: www.goromax.com.br
Fotos oficiais: Rennedy Pessoa, 2026.
Material liberado pela banda para divulgação de shows e matérias.
Fonte editorial: entrevista concedida por Kobal Ferrer ao Auctoritas Notícias e press kit oficial da GOROMAX.
Matéria editada e revisada pelo diretor de Marketing Eric Rudhiery Albuquerque.



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