Debate da Band vira novela: Cury desiste, volta atrás e encontro fica marcado por debandada de candidatos
- Eric Rudhiery
- há 2 dias
- 3 min de leitura
Augusto Cury anunciou que não participaria, chamou debate de “teatro”, mas mudou de decisão pouco depois; Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema estão entre os ausentes
O primeiro debate presidencial das eleições de 2026 chegou à noite deste domingo (23) cercado por uma sucessão de desistências, mudanças de decisão e críticas entre os candidatos. O episódio mais recente envolveu Augusto Cury (Avante), que anunciou, já nas proximidades da Band, que não participaria do encontro, e voltou atrás pouco depois.
Cury chegou a entrar em seu carro após comunicar a desistência. Segundos depois, porém, decidiu retornar ao prédio da emissora e afirmou que conversaria com Fernando Mitre, ex-diretor de Jornalismo da Band. Posteriormente, confirmou que participaria do debate.
Antes da reviravolta, o escritor havia feito uma transmissão ao vivo para justificar sua decisão e protestar contra as ausências dos principais adversários.
“Não vou participar do debate. Não concordo com Lula da Silva e com Flávio Bolsonaro. Estou protestando. Os principais atores que deveriam participar não estão aqui.”
Em outra declaração, Cury resumiu sua insatisfação:
“Isso não é debate. É teatro.”
O candidato do Avante também criticou o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conceder entrevista à Record na mesma noite do debate. Segundo Cury, esse teria sido o episódio decisivo para que inicialmente resolvesse abandonar o encontro.
A confusão envolvendo Cury ocorre em meio ao esvaziamento do primeiro grande confronto televisivo da campanha presidencial.
Lula, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) não participam do encontro. Com isso, o debate reúne apenas Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
A campanha de Lula justificou a ausência argumentando que não haveria igualdade de condições no debate. Entre os pontos questionados está a participação de candidatos cujos partidos não atingem a representação parlamentar que torna obrigatório o convite pelas emissoras.
Já Flávio Bolsonaro optou por não participar diante da ausência de Lula. A estratégia de seus aliados é priorizar debates nos quais o presidente esteja presente, evitando que Flávio se torne o principal alvo dos demais adversários quando Lula não estiver no confronto.
A situação ficou ainda mais conturbada quando Romeu Zema anunciou, neste domingo, que também não participaria.
A equipe do candidato do Novo informou que a mudança da data originalmente prevista para o debate havia ocorrido diante da expectativa de participação de Lula.
“Diante da ausência de Lula e de outros concorrentes, a alteração de data perdeu o seu propósito inicial.”
Com isso, Zema decidiu cancelar sua presença poucas horas antes do programa.
Os candidatos que permaneceram no debate aproveitaram o esvaziamento para atacar os adversários.
Na chegada à Band, Renan Santos chamou atenção ao exibir fraldas com os nomes de Lula e Flávio Bolsonaro, numa provocação aos dois candidatos. Já Ronaldo Caiado classificou os ausentes como “fujões” e confirmou que permaneceria no confronto.
Cury, por sua vez, passou de crítico do esvaziamento a protagonista da maior reviravolta da noite: primeiro confirmou presença, depois anunciou publicamente que iria embora e, pouco depois, voltou atrás novamente.
Promovido pela Band e pelo Estadão, em parceria com TV Cultura, Gazeta e Jovem Pan, o encontro é o primeiro debate presidencial desta eleição.
Mas antes mesmo do início das perguntas, a disputa política já havia tomado conta dos bastidores.
Com três dos principais convidados fora, um candidato desistindo e retornando em questão de minutos e acusações entre os presidenciáveis, o primeiro debate de 2026 começa menos marcado pelas propostas apresentadas e mais pela pergunta que dominou as horas anteriores à transmissão: quem, afinal, estaria disposto a subir ao palco?



Comentários