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Entre o jornalismo e a literatura, Léo Bueno transforma inquietações em contos, poemas e novos romances

Foto do escritor: Eric Rudhiery
Eric Rudhiery
há 6 dias
6 min de leitura

Jornalista e escritor do ABC Paulista fala ao Auctoritas Notícias sobre formação, influências, processo criativo, livros publicados e os projetos que mantém em andamento.

Por: Redação Auctoritas Notícias


Léo Bueno construiu uma trajetória em que jornalismo e literatura caminham lado a lado. Jornalista e escritor radicado em Santo André, no ABC Paulista, nasceu em Porto Rico e veio ao Brasil ainda bebê. Começou a trabalhar aos 14 anos e, antes de se firmar no jornalismo, passou por escritório contábil, cartório, sala de aula e radioescuta. Depois, atuou como repórter e assessor de imprensa, com passagens pela Rádio Jovem Pan de São Paulo e pelo Diário do Grande ABC.


Na literatura, seu conto “Déjà-vú” conquistou o segundo lugar no Mapa Cultural Paulista de 2005. Em 2019, publicou os livros “Gotas de Mim pelo Chão”, de contos, e “As Canções do Asfalto sem Fim”, de poemas. Durante a pandemia, organizou e editou “Contos da Quarentena”, reunindo textos de diversos autores.


Em entrevista escrita ao Auctoritas Notícias, Léo falou sobre as experiências que o levaram à literatura, suas principais referências, a maneira desorganizada, e assumida com humor, com que as ideias surgem, as obras que considera mais importantes e os cinco livros que mantém em diferentes estágios de desenvolvimento.

Léo Bueno. Foto: arquivo pessoal.
Léo Bueno. Foto: arquivo pessoal.

Auctoritas Notícias — Como começou sua trajetória profissional e quais experiências foram decisivas para construir o trabalho que você desenvolve hoje?


Léo Bueno — "Escrevo profissionalmente desde o início dos anos 90, quando entrava na casa dos 20 anos e estava me formando em jornalismo. Trabalhei como repórter e depois como assessor de imprensa até meados dos anos 2010, mas nunca havia publicado um livro".


"Em 2005, inscrevi despretensiosamente um conto, “Déjà-vú”, no Mapa Cultural Paulista e acabei ficando em segundo lugar no Estado de São Paulo. Mesmo assim, segui muito tempo sem publicar nada exclusivamente meu no campo da literatura. Só depois que as experiências de assessoria de imprensa foram rareando é que comecei a me dedicar mais a uma tentativa de profissionalizar o meu ofício de escrita como arte. Publiquei dois livros em 2019, três meses antes da quarentena gerada pela pandemia de covid: “Gotas de Mim pelo Chão”, de contos, e “As Canções do Asfalto sem Fim”, de poemas. Durante a pandemia, organizei e editei um livro de contos de vários autores reunidos por meio do Facebook, os “Contos da Quarentena”.


"Sempre fui apaixonado por livros e por leitura e devo muito disso aos meus pais. Meu pai era economista e gostava de livros de História. Minha mãe era formada em Letras e amava a literatura. Então, desde pequeno, estou sempre lendo romances, livros de poesia, de História, de Filosofia e de Sociologia. Claro que isso não transforma ninguém em escritor e, para mim, como imagino que seja para muita gente, a experiência consiste em muita tentativa e erro.

Encaro a literatura e toda a arte como uma expressão subjetiva e concordo que ela tem, sim, função social. Então, sempre que escrevo, espero colocar um pedaço de mim na escrita, por mais que esteja tentando falar de coisas mais abertas e objetivas, como questões sociais ou políticas. Em outras palavras, gosto sempre mais de uma literatura na qual o escritor esteja sendo sincero".


"Ah, eu também escrevi algumas letras em inglês para uma banda de amigos meus, o My New Device, que já se chamou Sufrágio. Tem no YouTube, para quem gosta de pós-punk de respeito"!


Auctoritas Notícias — Quais são as principais referências e influências que marcaram sua formação e sua maneira de criar?


Léo Bueno — "Alguns escritores me inspiraram mais a escrever. A lista é enorme, então eu destacaria apenas os de que mais gosto: na prosa, Shakespeare, Poe, Hoffmann, Le Fanu, Bernardo Guimarães, Álvares de Azevedo, Machado de Assis, Dostoiévski, Tolstói, Tchekhov, Chesterton, M. R. James, Guimarães Rosa, Lygia Fagundes Telles, Karel Čapek, Camus, Julio Cortázar, García Márquez, Alejo Carpentier e Roberto Bolaño. Dos atuais, gosto de Michel Laub, Ricardo Lísias e Aline Bei.

Na poesia, tenho muita inspiração em Gonçalves Dias, Baudelaire, Rimbaud, Lautréamont, Yeats, Iessiênin, Maiakovski, Augusto dos Anjos, Pessoa, Drummond, Bandeira, os irmãos Campos, Borges e Ivan Junqueira".


"E, na filosofia, minhas influências são enormes e variadas, mas ressalto a admiração por Camus e, sobretudo, por Adorno".


Auctoritas Notícias — Como funciona seu processo de trabalho, desde o surgimento de uma ideia até sua realização?


Léo Bueno — "Sou um sujeito muito bagunçado, e as pessoas bagunçadas sabem: elas vivem perdendo objetos e só vão encontrá-los quando não os estiverem procurando. Para mim, as ideias artísticas funcionam do mesmo jeito: vêm quando não estou me forçando a pensar nelas. Normalmente faço anotações até concluir pela melhor forma para expressá-las — poema, conto, romance, roteiro. Como eu disse, a maior parte das tentativas vira erro; logo, sou um grande repositório de ideias que não encontraram a luz do dia".


"É uma pena, porque acho que tive muitas boas ideias nas últimas décadas. Dito isso, tenho uma grande produção não publicada, principalmente contos e poemas".


"Mas eventualmente consigo tocar um projeto até o fim, ou quase. Quando eu era assessor de imprensa de Parques e Áreas Verdes de Santo André, cidade em que moro, o diretor do departamento costumava dizer que a inauguração de uma praça não podia esperar o plantio das últimas árvores nem a pintura das últimas guias, porque, quando esses serviços finalmente eram realizados, a praça já estava velha. Um amigo meu, que é um grande músico, o André Martins, disse que chega uma hora em que a gente tem que abandonar um projeto; a ideia é que eu o abandone num formato minimamente publicável. Por isso acho que toda obra é quase inacabada, desde a Ilíada, de Homero, até a Odisseia, de Christopher Nolan.

Em suma, eu escrevo até não aguentar mais o projeto, mas só procuro publicá-lo se acho que ele já pode ser lido".


Auctoritas Notícias — Olhando para sua trajetória, quais trabalhos ou momentos você considera mais importantes e por quê?


Léo Bueno — "Definitivamente, o livro de poemas “As Canções do Asfalto sem Fim” é o meu preferido de mim mesmo! Foi a primeira vez em que uma obra pareceu expressar o que eu sentia e o que eu achava do mundo. E acho que é um livro ainda bem atual, porque, entre outras coisas, fala de um fascismo que, àquela altura, parecia ressurgir, mas agora está mais do que consolidado, infelizmente. Os poemas podem ser lidos soltos, mas têm também uma ordem lógica. Juntos, compõem a história de um homem que, olhando para a realidade, descola-se das pessoas que mais ama, particularmente sua mulher, e mergulha progressivamente no caos tentando ajudar a organizá-lo, mas é muito pequeno para a tarefa. Ainda é como eu me sinto".


"Gosto dos contos de “Gotas de Mim pelo Chão”. Todos eles são diálogos e têm uma inspiração óbvia no Realismo Mágico latino-americano, particularmente em Cortázar — do qual eu incluí os pontos de virada, os twists ou surpresas —, Rulfo e Carpentier. Mas já tinham sido escritos havia uma década ou mais, então hoje eu reescreveria dois deles, corrigindo algumas coisas, principalmente “O Amor em Pi” e “Jesus de Caravaggio”. Se alguém quiser lê-los, ainda tenho alguns comigo para venda".

Obras de Léo Bueno: “As Canções do Asfalto sem Fim”, “Gotas de Mim pelo Chão” e “Contos da Quarentena”. Foto: arquivo pessoal.
Obras de Léo Bueno: “As Canções do Asfalto sem Fim”, “Gotas de Mim pelo Chão” e “Contos da Quarentena”. Foto: arquivo pessoal.

Auctoritas Notícias — Em quais projetos você está trabalhando atualmente e quais são seus próximos passos?


Léo Bueno — "Estou escrevendo quatro livros e com um quinto rascunhado. Já falei que sou bagunçado? Vamos ver se eles ganham a luz do dia".


"Um deles é um romance-mosaico que responde ao extremo número de casos de feminicídio que vêm ocorrendo no Brasil. É um drama que é também uma história de terror. Está quase pronto e, no final, seria o meu primeiro romance publicado, se for.

Um romance é inspirado em Adorno versus McLuhan — e no arquétipo do Fausto e em como ele molda as personas nos dias de hoje.

E mais outro romance contra o filistinismo, sobre um livro que mata quem o lê.

Também já tenho dois livros de poemas quase finalizados. Um, para variar, é sobre o fascismo e avança o que eu tinha escrito em “As Canções do Asfalto sem Fim” para termos atuais. O outro é sobre as mortes dos meus pais, ocorridas em dois momentos diferentes em 2025".


Léo Bueno durante atividade pública. Foto: arquivo pessoal.
Léo Bueno durante atividade pública. Foto: arquivo pessoal.


Sobre Léo Bueno:

Léo Bueno é jornalista e escritor de Santo André, no ABC Paulista. Nascido em Porto Rico, veio ao Brasil ainda bebê. Ao longo da carreira, trabalhou na Rádio Jovem Pan de São Paulo, no Diário do Grande ABC, em assessorias de imprensa e em revistas especializadas. Na literatura, publicou “Gotas de Mim pelo Chão” e “As Canções do Asfalto sem Fim”, ambos em 2019, e organizou “Contos da Quarentena”, lançado em 2021.


Redes sociais

Instagram: @ldbueno64

Facebook: @leo.bueno.9803


Nota da edição

A entrevista foi realizada por escrito via e-mail. As respostas passaram apenas por revisão de ortografia, pontuação, concordância e padronização editorial, preservando o conteúdo, o sentido e a voz do entrevistado.


Editado e revisado pelo diretor de Marketing, Eric Rudhiery Albuquerque.



 
 
 

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