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Entre a Itália e o Chile, Yosef Salvo faz da música um lugar de encontro

Foto do escritor: Eric Rudhiery
Eric Rudhiery
há 1 dia
5 min de leitura

Nascido em Palermo e radicado em Olmué, o cantor e compositor fala sobre a vida entre duas culturas, os desafios da produção independente e a preparação de novos discos.


Yosef Salvo: cantor e compositor nascido na Itália e radicado no Chile. Foto cedida pelo artista.
Yosef Salvo: cantor e compositor nascido na Itália e radicado no Chile. Foto cedida pelo artista.

De Palermo, na Itália, a Olmué, no Chile, Yosef Salvo percorreu um caminho marcado pela música e por vínculos pessoais. Nascido Giuseppe Salvo, mudou-se por amor e, após mais de 17 anos no país sul-americano, vê sua identidade artística atravessada por duas culturas. Seu repertório reúne pop autoral, pop rock e referências mediterrâneas.


Com três álbuns publicados — Sociedad Capital (2021), Lamento (2022) e La luna bajo el mar (2024) —, o compositor prepara um quarto disco e já trabalha no quinto, agora interessado em arranjos próximos do synth-pop. Nesta entrevista escrita ao Auctoritas Notícias, ele fala sobre composição, independência artística e o desafio de encontrar ouvintes.


As respostas abaixo foram traduzidas integralmente do espanhol, com preservação do conteúdo e do sentido das declarações.


Você nasceu na Itália e vive há mais de 17 anos no Chile. Como esse encontro entre dois países influenciou sua identidade artística?


“Cheguei ao Chile por amor e aqui construí uma família e boa parte da minha vida. Vivo aqui há mais de 17 anos. A Itália continua sendo minha raiz, mas o Chile já faz parte da minha história; não é simplesmente o lugar onde moro.

Esse encontro me permite enxergar as coisas de duas perspectivas. Às vezes, isso aparece em uma canção; outras vezes, no humor ou na minha maneira de observar a realidade. Não sinto que precise escolher entre uma identidade e outra. Sou italiano, mas o que vivi no Chile também está presente naquilo que escrevo e canto.”


Como começou sua relação com a música e com seu projeto como cantor e compositor?


“Minha relação com a música começou muito cedo, com o violão e a composição. Antes de lançar discos, já existia essa necessidade de escrever e expressar algo próprio.

Interpretar canções de outros artistas também fez parte da minha trajetória, mas ter um projeto como cantor e compositor significa poder contar minhas próprias histórias. No Chile, fui dando forma a esse trabalho por meio de gravações. Em 2019, lancei ‘Valentina’, uma canção dedicada à minha filha, e depois vieram meus três álbuns: Sociedad Capital, Lamento e La luna bajo el mar.”


Yosef destaca a importância de compor suas próprias histórias. Foto cedida pelo artista.
Yosef destaca a importância de compor suas próprias histórias. Foto cedida pelo artista.

O que surge primeiro quando você compõe e como essa ideia se transforma em uma canção concluída?


“Componho quase sempre com o violão, embora também toque teclado e o utilize nos arranjos. Às vezes, o ponto de partida é uma melodia ou uma sequência de acordes; outras vezes, é uma frase que abre todo um caminho para mim.

‘Por culpa de la música’ nasceu justamente assim: eu tinha essa frase e comecei a desenvolver o que ela significava para mim. Essa ideia se tornou o eixo da canção.

Primeiro, procuro fazer com que a canção funcione de maneira simples, com violão e voz. Imagino-me cantando na praia, com um grupo de amigos: quero que a canção se sustente dessa forma. Vou gravando versões no celular para ouvi-las e continuar desenvolvendo a música.

Quando sinto que ela já tem uma alma própria, passo a trabalhar por faixas: bateria, baixo, vozes de apoio, harmonias e os instrumentos que a canção pede. Assim, construo a primeira demo completa.”


Qual foi um dos maiores desafios de sua carreira independente e o que você aprendeu com ele?


“Um dos maiores desafios é fazer com que a música encontre seu público. Há muito trabalho envolvido em compor, gravar e lançar músicas, mas depois resta outra tarefa enorme: conseguir que alguém pare para ouvir.

Atualmente, estou trabalhando muito essa relação com as pessoas. Nas minhas redes sociais, compartilho música, mas também humor, experiências e reflexões. Quero que conheçam a pessoa que está por trás das canções.

Estou aprendendo a comunicar melhor meu trabalho sem sentir que preciso mudar quem sou para chamar a atenção. Quero crescer, é claro, mas também construir uma relação que dure mais do que uma publicação.

Atravessar um oceano e construir uma carreira artística em outro país também foi um desafio importante. Cheguei sem uma rede de contatos nem amizades no meio musical e tive de começar a construir esses vínculos do zero. Na música, não basta fazer bem o seu trabalho: também é preciso encontrar espaços, gerar confiança e conseguir que sua obra chegue a outras pessoas. Esse percurso me ensinou a tomar a iniciativa e a sustentar meu projeto sem esperar que alguém me abrisse a porta.”


Para o músico, criar e alcançar ouvintes são desafios distintos. Foto cedida pelo artista.
Para o músico, criar e alcançar ouvintes são desafios distintos. Foto cedida pelo artista.

Que fase de sua carreira você está vivendo e quais projetos gostaria de apresentar ao público brasileiro?


“Meu quarto disco está praticamente pronto e estou apresentando suas canções gradualmente. ‘Por culpa de la música’ é meu lançamento mais recente, e o próximo será ‘Un hombre sin amor’.

Ao mesmo tempo, já estou compondo para um quinto álbum. Estou explorando uma forma de escrever que depende menos do violão, com a guitarra elétrica como elemento rítmico e arranjos mais próximos do synth-pop. Gosto muito desse tipo de música, especialmente a das décadas de 1980 e 1990, e tenho vontade de explorar essa sensibilidade à minha maneira de compor.

Gostaria que o público brasileiro conhecesse tanto as canções que estou lançando quanto essa trajetória. Esta entrevista pode ser uma primeira porta para nos encontrarmos por meio da música.”


Quando Yosef Salvo fala sobre a própria carreira, a ideia de recomeço aparece em mais de um momento: na mudança da Itália para o Chile, na construção de vínculos dentro de uma cena musical desconhecida e na busca por novas sonoridades. Não se trata de abandonar as raízes, mas de permitir que elas convivam com as experiências acumuladas em outro país.

O próximo passo, segundo o compositor, é apresentar as músicas de seu quarto álbum e continuar a desenvolver um quinto disco. Entre guitarras elétricas, referências às décadas de 1980 e 1990 e a simplicidade de uma canção que funcione apenas com voz e violão, permanece o mesmo objetivo: fazer a música chegar a alguém disposto a escutá-la. Para o artista, o público brasileiro pode ser parte desse novo encontro.




NOTAS DA REDAÇÃO

Esta entrevista foi concedida por escrito, originalmente em espanhol. As respostas foram traduzidas integralmente para o português pela redação do Auctoritas Notícias, com fidelidade às informações, à intenção comunicativa e ao sentido das declarações; não houve cortes nem acréscimos de conteúdo nas falas.

Os títulos das músicas e dos álbuns foram mantidos em seus idiomas originais. As informações sobre lançamentos e projetos futuros correspondem ao relato encaminhado pelo entrevistado em 7 de outubro de 2026; ele não informou uma data definitiva para o quarto álbum.

As fotografias foram fornecidas pelo artista para a entrevista. O material recebido não identificou individualmente os fotógrafos.


CANAIS OFICIAIS DO ARTISTA

Lançamento “Por culpa de la música”: https://onerpm.link/219140518153


Editado e revisado pelo diretor de Marketing, Eric Rudhiery Albuquerque.


 
 
 

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