Governo empenha R$ 884,37 milhões em emendas de parlamentares que votaram contra relatório da CPMI do INSS
- Giovana Cáceres

- 13 de ago.
- 3 min de leitura
Levantamento aponta que os 19 parlamentares que rejeitaram o relatório de Alfredo Gaspar concentraram 98,64% dos valores empenhados pelo governo para suas emendas em 2026

O governo federal empenhou R$ 884,37 milhões em emendas parlamentares destinadas aos 19 congressistas que votaram contra o relatório final apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar na CPMI do INSS.
A votação ocorreu em 28 de março e terminou com 19 votos contrários e 12 favoráveis. Com a rejeição do parecer, a comissão foi encerrada sem a aprovação de um relatório final.
O relatório de Gaspar tinha mais de 4 mil páginas e propunha o indiciamento de 216 pessoas investigadas no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Entre os nomes citados estava Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
É importante destacar que a rejeição do relatório não significa que os parlamentares tenham votado especificamente para impedir o indiciamento de Lulinha. O voto foi pela rejeição ou aprovação do relatório como um todo.
Emendas representam quase todo o valor empenhado.
De acordo com o levantamento, os R$ 884,37 milhões empenhados para os 19 parlamentares correspondem a 98,64% dos R$ 896,56 milhões em emendas desses congressistas que haviam sido empenhados pelo governo em 2026 até o momento analisado.
O Orçamento da União prevê, ao todo, R$ 1,06 bilhão em emendas para esse grupo de parlamentares neste ano. Desse montante, R$ 718,65 milhões já haviam sido pagos.
O empenho, porém, não significa que o dinheiro já tenha sido efetivamente transferido. Trata-se da etapa em que o governo reserva o recurso orçamentário para garantir o pagamento de determinada despesa, serviço ou obra.
Quem votou contra o relatório.
Entre os 19 parlamentares que rejeitaram o parecer estavam senadores e deputados de diferentes partidos.
A relação inclui Soraya Thronicke (Podemos-MS), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Jaques Wagner (PT-BA), Eliziane Gama (PSD-MA), Humberto Costa (PT-PE), Jussara Lima (PSD-PI), Rogério Carvalho (PT-SE), Augusta Brito (PT-CE), Teresa Leitão (PT-PE), além dos deputados Meire Serafim (União-AC), Átila Lira (PP-PI), Orlando Silva (PCdoB-SP), Rogério Correia (PT-MG), Ricardo Ayres (Republicanos-TO), Alencar Santana (PT-SP), Paulo Pimenta (PT-RS), Lindbergh Farias (PT-RJ), Neto Carletto (Avante-BA) e Dorinaldo Malafaia (PDT-AP).
Quanto cada parlamentar teve empenhado
Segundo o levantamento utilizado como base para esta reportagem, os valores empenhados foram:
Soraya Thronicke (Podemos-MS): R$ 65.290.217
Randolfe Rodrigues (PT-AP): R$ 53.203.286
Jaques Wagner (PT-BA): R$ 63.512.031
Eliziane Gama (PSD-MA): R$ 62.107.416
Humberto Costa (PT-PE): R$ 57.469.922
Jussara Lima (PSD-PI): R$ 70.098.567
Rogério Carvalho (PT-SE): R$ 69.448.226
Augusta Brito (PT-CE): R$ 61.005.877
Teresa Leitão (PT-PE): R$ 48.860.870
Meire Serafim (União-AC): R$ 39.108.067
Átila Lira (PP-PI): R$ 38.817.670
Orlando Silva (PCdoB-SP): R$ 32.785.846
Rogério Correia (PT-MG): R$ 28.339.932
Ricardo Ayres (Republicanos-TO): R$ 36.978.158
Alencar Santana (PT-SP): R$ 29.108.326
Paulo Pimenta (PT-RS): R$ 29.025.501
Lindbergh Farias (PT-RJ): R$ 27.972.007
Neto Carletto (Avante-BA): R$ 34.393.457
Dorinaldo Malafaia (PDT-AP): R$ 36.848.402
Os números mostram que, entre os 19 parlamentares, alguns já haviam atingido 100% dos valores previstos para suas emendas no ano, enquanto outros estavam próximos desse patamar.
O que aconteceu com a CPMI.
A CPMI do INSS funcionou durante sete meses e investigou descontos não autorizados realizados sobre benefícios de aposentados e pensionistas.
O relatório de Alfredo Gaspar apontou a existência de diferentes núcleos envolvidos na movimentação dos recursos e propôs o indiciamento de mais de 200 pessoas. O documento acabou rejeitado por 19 votos a 12, e a comissão foi encerrada sem que o relatório alternativo apresentado pela base governista fosse submetido à votação.
Com isso, a CPMI terminou sem um relatório final aprovado pelo colegiado.
A coincidência temporal entre a votação do relatório e os valores de emendas empenhados posteriormente passou a chamar atenção no debate político. Os dados, porém, não permitem afirmar, por si só, que a liberação das emendas tenha sido uma recompensa ou tenha ocorrido em troca dos votos. Para estabelecer uma relação desse tipo seria necessário comprovar a existência de um vínculo entre as decisões políticas e a execução dos recursos.
O que pode ser confirmado é que os 19 parlamentares votaram contra o relatório e que, conforme o levantamento utilizado nesta matéria, o governo empenhou R$ 884,37 milhões em emendas destinadas a esse grupo em 2026.
Fonte dos dados sobre as emendas: Siga Brasil. Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop). As informações sobre a votação e o encerramento da CPMI foram conferidas em registros oficiais do Senado e da Câmara dos Deputados.



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