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Inflação do café pesa no bolso e muda o sabor das manhãs dos brasileiros

  • Foto do escritor: Ana Carolina Mourão
    Ana Carolina Mourão
  • 27 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Desde que o presidente Lula reassumiu o governo, o café, um dos símbolos mais afetivos do cotidiano brasileiro, vem subindo de preço de forma acelerada. Segundo o IBGE, o café moído acumulou alta de mais de 50% em 12 meses até janeiro de 2025, e em março o aumento já ultrapassava 77%. Em outras palavras: o café que antes custava cerca de R$ 18 o quilo, hoje pode passar de R$ 30 até R$ 120 o quilo, nas prateleiras.


Em Campo Grande (MS), a alta também é sentida nas cafeterias, padarias e supermercados. Comerciantes relatam que os fornecedores têm reajustado os preços quase mensalmente, e muitos consumidores passaram a optar por marcas mais baratas ou reduzir o consumo. “Antes eu fazia café fresco toda hora. Agora, espero o fim da garrafa pra coar outro”, conta dona Elza, moradora do bairro Monte Castelo, resumindo o sentimento de muitos campo-grandenses.


A questão política, com a economia do Ministro Fernando Haddad taxando dia sim e no outro também, gera mais instabilidade. O clima irregular nas lavouras, especialmente nas regiões produtoras de Minas Gerais, o custo dos insumos agrícolas, o dólar alto (também causado diversas vezes pela política de um governo desgovernado) e a demanda internacional aquecida formam uma combinação explosiva. Especialistas reforçam que, embora monitorem a situação, há fatores globais que fogem ao controle.


O café foi um dos itens que mais contribuíram para a inflação geral do país no primeiro semestre de 2025, segundo a pesquisa SNIPC do IBGE. No Mato Grosso do Sul, onde o custo de transporte encarece produtos vindos de outros estados, o impacto é ainda mais sentido. Para muitas famílias, o aumento no preço do café representa algo maior que uma simples variação econômica, é o sabor do dia a dia ficando mais caro.


Nos últimos meses, porém, há sinais de trégua. Em julho, o preço do café moído registrou a primeira queda após 18 meses consecutivos de alta. Ainda é cedo para comemorar, mas o movimento traz um fio de esperança. Enquanto isso, nas cozinhas e nas rodas de conversa de Campo Grande e do Brasil, o aroma do café segue sendo o mesmo, mesmo que o preço insista em subir.






Ana Carolina Mourão é Formada em Administração pela UFMS e trabalhou na Pesquisa Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor – SNIPC/IBGE

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