Irã reage a Trump e afirma que Estreito de Hormuz “continuará sendo iraniano”
- Giovana Cáceres

- 15 de ago.
- 3 min de leitura
Declaração ocorre após presidente americano dizer que pretende transformar a estratégica passagem marítima em território dos Estados Unidos; disputa aumenta tensão sobre uma das principais rotas de petróleo do mundo

O Irã reagiu neste sábado (15) a uma nova declaração de Donald Trump sobre o Estreito de Hormuz e afirmou que a estratégica passagem marítima “foi iraniana, é iraniana e continuará sendo iraniana”.
A declaração foi feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, depois de Trump afirmar que, “muito em breve”, declararia o Estreito de Hormuz como território dos Estados Unidos.
Segundo relatos divulgados posteriormente, um funcionário da Casa Branca afirmou que Trump estava brincando ao fazer a declaração. Ainda assim, a fala ocorre em meio a uma escalada militar e diplomática entre Washington e Teerã, com o estreito no centro da disputa.
“Não pode ser tomado por um tuíte ou porta-aviões”
Em publicação nas redes sociais, Gharibabadi afirmou que Hormuz não poderia ser tomado por meio de uma declaração presidencial ou de uma operação militar.
O representante iraniano também declarou que a abertura e o fechamento da passagem marítima ocorrerão apenas por decisão do Irã.
A posição reforça a reivindicação de Teerã sobre o controle da região, enquanto os Estados Unidos sustentam que o Irã não possui controle exclusivo sobre o estreito e defendem a manutenção da livre navegação. Em julho, o Comando Central americano afirmou que o tráfego marítimo continuava fluindo pela passagem.
Disputa envolve uma das principais rotas de energia do mundo
O Estreito de Hormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico e é uma das principais rotas utilizadas para o transporte internacional de petróleo e gás.
Por isso, qualquer interrupção prolongada na passagem pode provocar impactos que ultrapassam as fronteiras do Oriente Médio, afetando preços de energia, transporte marítimo e inflação em diferentes países.
A disputa ganhou força após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Desde então, navios comerciais foram atingidos na região, enquanto Washington adotou medidas para restringir as operações marítimas relacionadas aos portos iranianos.
EUA já impuseram bloqueio aos portos iranianos.
Em julho, os Estados Unidos colocaram em vigor um bloqueio marítimo contra embarcações com origem ou destino em portos e áreas costeiras iranianas. A medida foi anunciada pelo Centro Conjunto de Informações Marítimas, ligado à Marinha americana.
Segundo as regras divulgadas pelos Estados Unidos, embarcações suspeitas de violar o bloqueio poderiam ser interceptadas, desviadas ou capturadas. O tráfego destinado a outros países, porém, não seria impedido pelas regras anunciadas por Washington.
Naquele período, Trump também afirmou que os Estados Unidos pretendiam assumir a função de garantir a segurança do Estreito de Hormuz. O presidente chegou a falar em uma cobrança sobre as cargas transportadas pela passagem, mas posteriormente recuou da ideia de um pedágio direto e passou a defender acordos de investimento com países do Golfo.
Tensão ameaça mercado de energia.
O conflito já vem provocando pressão sobre os preços dos combustíveis. A possibilidade de interrupção ou restrição prolongada do tráfego pelo Estreito de Hormuz aumenta a preocupação dos mercados internacionais com a oferta de petróleo e gás.
Trump, porém, minimizou os efeitos do aumento dos combustíveis nos Estados Unidos e voltou a defender sua decisão de enfrentar militarmente o Irã.
O presidente afirmou que não pediria desculpas pela decisão e que os americanos poderiam ter de pagar mais pela gasolina durante o conflito.
Confronto continua apesar de redução momentânea das hostilidades
No campo diplomático, um acordo firmado em junho entre Estados Unidos e Irã para interromper o conflito perdeu força após a retomada dos ataques e o aumento das divergências sobre o futuro do Estreito de Hormuz.
Nos últimos dias, as hostilidades diminuíram de intensidade, mas Washington passou a intensificar a pressão econômica sobre Teerã.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, chegou a ameaçar o Irã com um isolamento econômico de grandes proporções.
Enquanto isso, incidentes envolvendo embarcações continuam sendo registrados na região. Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de atacar um navio petroleiro ligado à estatal Adnoc, sem registro de mortos ou feridos.
A disputa em torno de Hormuz, portanto, permanece como um dos principais pontos de tensão do conflito. De um lado, Teerã insiste em sua reivindicação de controle sobre a passagem. Do outro, Washington afirma defender a liberdade de navegação e mantém presença militar na região.
O desfecho da disputa pode ter consequências não apenas para os dois países, mas também para o mercado internacional de energia e para a economia global.



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