Meloni endurece discurso contra política migratória da Espanha e cobra maior controle nas fronteiras europeias
- Eric Rudhiery
- 10 de ago.
- 2 min de leitura
Primeira-ministra italiana critica a imigração “descontrolada”, mantém pressão sobre Madri e defende mais deportações e centros de repatriação fora da União Europeia

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, voltou a endurecer o discurso sobre imigração nesta segunda-feira (10), em meio à crise provocada pela entrada em massa de migrantes em Ceuta e ao confronto político com o governo espanhol de Pedro Sánchez.
Em declaração conjunta com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, Meloni afirmou que a Europa precisa reagir à chamada “imigração descontrolada” e defendeu mais expulsões de estrangeiros sem direito de permanência, além da criação de centros de repatriação fora da União Europeia.
A tensão aumentou depois que cerca de 72 mil pessoas tentaram atravessar a fronteira entre Marrocos e Ceuta, território espanhol localizado no norte da África. O episódio provocou mortes, sobrecarregou estruturas locais e levou a Itália a adotar controles adicionais sobre passageiros procedentes da Espanha.
O governo italiano argumenta que pretende impedir que migrantes que entraram irregularmente na Espanha possam seguir posteriormente para outros países europeus. Madri rejeita essa interpretação e afirma que não há evidências de deslocamento em massa para a Itália.
A disputa também expõe diferenças profundas entre os governos de Meloni e Sánchez.
A Espanha realizou neste ano um amplo processo extraordinário de regularização de estrangeiros que já viviam no país. Dados oficiais mostram que 1.174.978 pedidos foram apresentados até o encerramento do processo, em 30 de junho.
O governo espanhol defende que a medida permite integrar pessoas já inseridas na sociedade e no mercado de trabalho, fazendo com que passem a contribuir formalmente para a economia.
Meloni e outros líderes europeus temem, porém, que regularizações em larga escala funcionem como incentivo para novas entradas irregulares e acabem gerando consequências para todo o Espaço Schengen.
Os números ajudam a dimensionar a importância da Espanha no atual fluxo migratório europeu. Segundo o Eurostat, aproximadamente 1,289 milhão de pessoas imigraram para o país em 2024, o maior número registrado entre todos os membros da União Europeia naquele ano.
Isso não significa que todas essas entradas tenham ocorrido ilegalmente. Os dados incluem diferentes modalidades de imigração.
A própria Frontex, agência europeia de fronteiras, registrou queda de 37% nas travessias irregulares para a União Europeia durante o primeiro semestre de 2026. A principal exceção foi a rota do Mediterrâneo Ocidental, ligada especialmente à Espanha, onde houve crescimento de 17%, para aproximadamente 7.900 detecções.
A posição de Meloni ganhou apoio de outros governos. No início de agosto, Itália e Dinamarca lideraram uma carta assinada por 22 chefes de Estado e de governo europeus, defendendo maior proteção das fronteiras externas, combate às redes de tráfico de pessoas e redução dos incentivos à imigração irregular.
A crise evidencia dois modelos diferentes para o futuro da imigração europeia. Sánchez aposta em regularização, integração e necessidade de mão de obra estrangeira. Meloni defende imigração legal controlada, fronteiras mais rígidas e deportação daqueles que não possuem autorização para permanecer no continente.
O debate deve ganhar ainda mais força nos próximos meses.
A Europa envelhece e precisa de trabalhadores, mas ao mesmo tempo enfrenta forte pressão política para recuperar o controle de suas fronteiras.
É justamente nesse conflito entre necessidade econômica, segurança e soberania que Meloni pretende consolidar sua liderança no debate migratório europeu.



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