Tensão no Golfo esfria mercados, mas acordo nuclear entre Irã e EUA ainda está longe
- Eric Rudhiery Albuquerque

- 17 de fev.
- 2 min de leitura
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta terça-feira (17), em Genebra, que houve avanço nas negociações nucleares entre Teerã e Washington. Segundo ele, as duas partes conseguiram chegar a um entendimento sobre “princípios orientadores” para a continuidade das tratativas, embora tenha deixado claro que isso não significa que um acordo esteja próximo.
A declaração teve efeito imediato nos mercados: os contratos futuros de petróleo recuaram, e o Brent caiu mais de 1%, refletindo a redução momentânea do temor de um confronto militar no Oriente Médio. Nas últimas semanas, os Estados Unidos ampliaram sua presença naval na região, elevando a pressão sobre o regime iraniano.
De acordo com fontes americanas, o Irã deverá apresentar nas próximas duas semanas propostas detalhadas para tentar superar os impasses técnicos ainda existentes. Um funcionário dos EUA afirmou que houve progresso, mas reconheceu que permanecem divergências relevantes.
As conversas foram mediadas por Omã e envolveram o enviado especial americano Steve Witkoff, o ex-conselheiro presidencial Jared Kushner e representantes iranianos. A Casa Branca não comentou oficialmente o encontro.
Durante o dia, a tensão aumentou quando a mídia estatal iraniana informou o fechamento temporário de áreas do Estreito de Ormuz por razões de segurança, enquanto a Guarda Revolucionária realizava exercícios militares. A rota é estratégica: por ali passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Historicamente, Teerã já ameaçou bloquear o estreito em caso de ataque, o que poderia provocar um choque global nos preços da energia.
Em paralelo às negociações, o clima político seguiu carregado. Após declarações de Donald Trump sugerindo que uma mudança de regime poderia ser uma solução para o impasse, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, reagiu com um alerta direto, afirmando que qualquer tentativa de derrubar o governo iraniano fracassaria.
Trump também afirmou que preferiria um acordo diplomático a ações militares, mas lembrou que, em junho passado, bombardeiros B-2 dos EUA foram empregados contra instalações nucleares iranianas, em operação coordenada com Israel. Washington e Tel Aviv sustentam que o Irã busca desenvolver armas nucleares; Teerã nega e afirma que seu programa tem finalidade exclusivamente civil, embora tenha enriquecido urânio em níveis próximos ao necessário para uso militar.
Os Estados Unidos tentam ampliar o escopo das negociações para incluir o programa de mísseis iraniano, enquanto o Irã insiste que discutirá apenas limites ao seu programa nuclear em troca do alívio das sanções. O arsenal de mísseis, segundo Khamenei, é inegociável.
Desde os ataques do ano passado, o regime iraniano enfrenta pressão interna agravada por crise econômica e sanções que afetaram severamente sua receita petrolífera. Ainda assim, autoridades iranianas sinalizam que o sucesso das negociações dependerá da disposição americana em suspender as chamadas “sanções paralisantes” e evitar exigências consideradas irreais por Teerã.
Apesar da retórica dura de ambos os lados, diplomatas afirmam que existe agora uma “janela de oportunidade”. Se ela resultará em um acordo estrutural ou em mais um capítulo de frustração diplomática, ainda é incerto.
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