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Pequena área da Amazônia pode abrigar mais de 40 mil espécies de insetos

  • Foto do escritor: Eric Rudhiery
    Eric Rudhiery
  • há 7 dias
  • 2 min de leitura

Megaprojeto científico já coletou cerca de 5,5 milhões de exemplares e tenta revelar uma parcela ainda desconhecida da biodiversidade amazônica


Uma área de apenas 10 mil hectares da Amazônia Central pode abrigar mais de 40 mil espécies de insetos, muitas delas possivelmente ainda desconhecidas pela ciência. A estimativa faz parte de um dos maiores levantamentos já realizados sobre a biodiversidade de insetos da floresta e ganhou destaque internacional na revista Nature.


O projeto reúne pesquisadores brasileiros, com participação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Universidade de São Paulo (USP), e busca conhecer a vida dos insetos não apenas próxima ao solo, mas em diferentes alturas da floresta, chegando à copa das árvores.


As armadilhas foram distribuídas em diferentes níveis, do chão até aproximadamente 30 metros de altura, permitindo investigar uma parte da fauna que frequentemente não aparece em levantamentos realizados apenas próximos ao solo.


O tamanho da coleta impressiona: aproximadamente 5,5 milhões de exemplares já foram reunidos. Cerca de 600 mil deverão passar por sequenciamento parcial de DNA para ajudar na identificação das espécies.


A técnica utilizada é conhecida como DNA barcoding, ou código de barras de DNA. Pequenos trechos do material genético permitem separar organismos geneticamente diferentes e acelerar uma tarefa que, apenas pela observação da aparência dos animais, poderia levar décadas.


O trabalho também envolve uma rede de quase 400 taxonomistas, responsáveis por cruzar informações genéticas e características físicas dos insetos. Quando os pesquisadores confirmarem que um organismo pertence realmente a uma espécie desconhecida, será necessário descrevê-la formalmente e atribuir um nome científico.


Entre os resultados preliminares mais surpreendentes estão as moscas-das-galhas, da família Cecidomyiidae. Cerca de 6,9 mil espécies desse grupo foram formalmente descritas no planeta em aproximadamente 250 anos. Entretanto, o material de apenas uma das armadilhas amazônicas pode conter cerca de 10 mil espécies do grupo.


Se a estimativa de mais de 40 mil espécies for confirmada, uma única área estudada concentraria aproximadamente 0,7% das cerca de seis milhões de espécies de insetos estimadas mundialmente pelo parâmetro utilizado pelos pesquisadores.


Os números, entretanto, devem ser interpretados como resultados preliminares. A estimativa foi apresentada em encontro científico e o processo de sequenciamento, identificação e descrição das espécies ainda está em andamento; o conjunto completo dos resultados ainda precisará passar pela publicação científica revisada por pares.


Mesmo assim, a dimensão da coleta mostra quanto da biodiversidade amazônica permanece desconhecido. Conhecer essas espécies é fundamental para compreender ecossistemas, polinização, decomposição de matéria orgânica, cadeias alimentares e também para avaliar quais organismos podem estar ameaçados antes mesmo de serem formalmente conhecidos pela ciência.





Fontes: Nature; INPA; dados apresentados no encontro anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).


Auctoritas Notícias

 
 
 

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