Petróleo volta a circular, mas transporte vira novo gargalo em meio à guerra.

Exportações do Oriente Médio se recuperam, mas custos de frete, seguros e riscos no Estreito de Ormuz mantêm pressão sobre o mercado internacional.

O petróleo voltou a deixar o Oriente Médio em volumes próximos aos registrados antes da guerra, mas a recuperação das exportações não foi suficiente para normalizar o mercado.
O principal problema agora está em conseguir transportar e refinar o produto com segurança e a custos menores.
Dados analisados pela Reuters mostram que o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz chegou a aproximadamente 14,2 milhões de barris por dia, cerca de 80% do nível anterior ao conflito.
Mesmo com a melhora, o petróleo continua sendo negociado acima dos valores registrados antes da guerra.
A mudança ocorre porque o impacto do conflito deixou de estar concentrado apenas na quantidade de petróleo disponível.
O transporte marítimo ficou mais caro e arriscado, enquanto seguradoras passaram a cobrar valores maiores diante da possibilidade de ataques contra embarcações.
O cenário permanece instável no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo e gás do mundo.
Segundo a Organização Marítima Internacional, 93 incidentes relacionados à crise na região haviam sido confirmados até este domingo (5).
Somente entre o fim de setembro e o início de outubro, diferentes embarcações foram danificadas na região.
Para manter as exportações, produtores também passaram a recorrer com maior intensidade a oleodutos, transferências de petróleo entre navios e rotas alternativas.
Essas operações ajudam a manter o produto chegando ao mercado, mas aumentam o tempo e o custo necessário para cada carregamento.
Outro ponto de preocupação está no refino. A capacidade disponível para transformar petróleo bruto em produtos como diesel continua limitada em algumas regiões, criando mais um gargalo mesmo quando existe petróleo disponível.
O resultado aparece nos preços. O barril do Brent permanece acima de US$ 100, cerca de 40% superior ao patamar anterior à guerra, segundo análise da Reuters publicada nesta segunda-feira (5).
Para países importadores de petróleo e derivados, a permanência desses custos elevados pode aumentar despesas com transporte e energia e manter pressão sobre a inflação.
No Brasil, a evolução do mercado internacional também é acompanhada por causa de seus possíveis reflexos sobre preços de combustíveis e custos logísticos, embora a variação externa não seja automaticamente repassada ao consumidor.
A situação mostra uma nova etapa da crise energética provocada pelo conflito. O petróleo está voltando a circular em maior quantidade, mas fazer esse produto atravessar regiões de risco e chegar às refinarias e aos consumidores tornou-se parte central do problema.



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