Selic cai para 14% ao ano, mas juros ao consumidor ainda devem demorar a ceder
- Eric Rudhiery
- 12 de ago.
- 2 min de leitura
Copom reduziu novamente a taxa básica de juros; inflação de julho desacelerou para 0,07%, mas queda da Selic não significa redução imediata no cartão, empréstimos e financiamentos
O Banco Central reduziu a taxa Selic para 14% ao ano. A decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em 5 de agosto e a nova meta passou a vigorar em 6 de agosto de 2026. Na reunião anterior, realizada em junho, a taxa havia sido reduzida para 14,25% ao ano.
A redução reforça o ciclo de queda dos juros básicos, mas o impacto no bolso do consumidor não acontece de forma automática. A Selic influencia outras taxas praticadas no país, incluindo empréstimos e financiamentos, mas não determina diretamente quanto bancos e financeiras devem cobrar de seus clientes.
Isso ocorre porque os juros oferecidos ao consumidor também incorporam outros componentes, como risco de inadimplência, custos operacionais, impostos e margens das instituições financeiras. Por esse motivo, modalidades como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e financiamento podem continuar caras mesmo durante um período de redução da Selic.
Os dados mais recentes de inflação, no entanto, trouxeram um sinal favorável. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de apenas 0,07% em julho, abaixo dos 0,16% observados em junho. No acumulado de 2026, a inflação chegou a 3,44%, enquanto a taxa em 12 meses recuou para 4,44%.
A desaceleração dos preços é importante porque a inflação é um dos principais elementos considerados pelo Banco Central na condução da política monetária. Caso o processo de desinflação continue, abre-se espaço para novas decisões sobre o nível da taxa básica.
Para quem pretende contratar crédito, porém, a redução da Selic não é motivo para deixar de pesquisar. As taxas cobradas podem apresentar diferenças significativas entre instituições financeiras, mesmo para uma mesma modalidade de empréstimo ou financiamento.
Portanto, a Selic em 14% representa uma mudança relevante na direção dos juros brasileiros, mas não existe uma data automática a partir da qual cartões, empréstimos e financiamentos ficarão mais baratos. O repasse dependerá das condições do mercado, do risco das operações e das políticas de crédito de cada instituição.
Fontes: Banco Central do Brasil e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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