Super El Niño ganha força e pode ficar entre os maiores já registrados desde 1950
- Eric Rudhiery
- 7 de ago.
- 3 min de leitura
NOAA aponta 81% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro; aquecimento do Pac
O fenômeno El Niño de 2026 está ganhando força e passou a chamar a atenção dos principais centros meteorológicos do mundo. As projeções mais recentes indicam que o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial deverá continuar se intensificando nos próximos meses, com possibilidade de o evento alcançar níveis considerados muito fortes.
Segundo o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, existe 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026. Caso a projeção se confirme, o episódio poderá figurar entre os maiores registrados na série histórica utilizada pelo órgão, que remonta a 1950.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) também afirma que um El Niño forte está em desenvolvimento e deve continuar se intensificando entre agosto e outubro. Os modelos reunidos pela organização projetam uma anomalia média da temperatura da superfície do mar próxima de 2,9°C em regiões importantes de monitoramento do Pacífico, com tendência de fortalecimento até novembro.
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento persistente das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Ele faz parte do chamado El Niño–Oscilação Sul (ENOS), sistema que alterna entre períodos de aquecimento, resfriamento, conhecidos como La Niña, e condições neutras.
Apesar de ocorrer no Oceano Pacífico, sua influência pode chegar a diferentes partes do planeta. Isso acontece porque mudanças na temperatura do oceano alteram a circulação atmosférica, os ventos e a distribuição das chuvas.
Em diferentes regiões, um El Niño intenso pode estar associado a ondas de calor, períodos prolongados de seca, chuvas acima da média e aumento do risco de eventos extremos. Entretanto, os efeitos não são iguais em todos os lugares e variam conforme outros fatores oceânicos e atmosféricos.
É realmente um “Super El Niño”?
A expressão “Super El Niño” não é uma classificação meteorológica oficial. Ela costuma ser utilizada de maneira informal para descrever episódios excepcionalmente intensos.
A classificação oficial trabalha com categorias como fraco, moderado, forte e muito forte. E é justamente nessa última categoria que as projeções atuais chamam atenção: para o trimestre de agosto a outubro, a NOAA calcula 48% de possibilidade de intensidade muito forte e 42% de intensidade forte. Para outubro a dezembro, a probabilidade de um evento muito forte sobe para 81%.
Portanto, ainda é cedo para afirmar que será “o pior El Niño da história”. O que os dados permitem dizer neste momento é que há elevada probabilidade de um episódio excepcionalmente intenso e potencialmente entre os maiores da série histórica moderna.
No território brasileiro, os efeitos tradicionais do El Niño são bastante diferentes entre as regiões.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) destaca que o fenômeno costuma favorecer redução das chuvas no norte e leste da Amazônia e no norte do Nordeste, enquanto o Sul do país pode enfrentar aumento das precipitações, especialmente durante a primavera. Temperaturas acima da média e episódios de calor também estão entre os riscos associados ao fortalecimento do fenômeno.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) acrescenta que a agricultura está entre os setores mais sensíveis. Em partes do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, períodos mais secos podem prejudicar lavouras e a disponibilidade de água. Já no Sul, o excesso de chuva pode dificultar plantio, manejo e colheita.
Para Mato Grosso do Sul, o cenário também merece acompanhamento.
Projeções divulgadas pelo Cemtec/MS indicam tendência de chuvas distribuídas de maneira irregular e temperaturas próximas ou acima da média histórica. O órgão estadual também aponta que a intensificação do El Niño durante o segundo semestre pode elevar o risco de ondas de calor e gerar impactos nos setores agropecuário, hídrico e energético.
O próprio Cemtec ressalta, porém, que o El Niño não age sozinho sobre o clima de Mato Grosso do Sul. Outros sistemas atmosféricos e condições dos oceanos também influenciam diretamente chuva e temperatura no Estado.
A NOAA calcula atualmente 97% de probabilidade de o El Niño persistir até o início de 2027, enquanto a OMM considera elevado o grau de confiança no fortalecimento do fenômeno durante os próximos meses.
Isso não significa que todos os eventos extremos que ocorrerem daqui para frente possam ser atribuídos diretamente ao El Niño. Mesmo episódios muito fortes não provocam exatamente os mesmos efeitos em todas as regiões.
O cenário, porém, coloca o segundo semestre de 2026 sob atenção dos meteorologistas. Com um Pacífico cada vez mais aquecido e a possibilidade de um dos episódios mais intensos das últimas décadas, temperatura, chuvas e comportamento do clima deverão permanecer no centro das atenções até o início de 2027.
Fontes: NOAA/Centro de Previsão Climática, Organização Meteorológica Mundial, INPE/CPTEC, INMET e Cemtec/MS.



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