Agusmor fala sobre independência musical, desafios da carreira solo e planos para a América Latina
Em entrevista ao Auctoritas Notícias, a cantora, compositora e atriz uruguaia Agustina Morales, conhecida artisticamente como Agusmor, fala sobre a transição para a carreira solo, os desafios de produzir música de maneira independente e seus planos de alcançar novos públicos na América Latina, inclusive no Brasil.
Por: Eric Rudhiery | Redação Auctoritas Notícias
Vocalista da banda de cumbia pop Dame 5 desde 2016, Agustina iniciou seu projeto autoral como solista em 2022, aproximando-se de influências do R&B, soul, funk e pop. Com formação em teatro musical desde a infância, ela conta que a liberdade de compor trouxe também responsabilidades com produção, contratos, divulgação e gestão de carreira. Entre os projetos para 2027 está a mudança para a Argentina e a possibilidade de novas colaborações musicais.

Sua trajetória artística começou muito antes de Agusmor, com experiências no teatro musical e em palcos de diferentes países. Quais aprendizados desses primeiros anos continuam presentes na artista que você é hoje?
Agusmor: “O que continua presente em mim desde o começo é a ambição, a vontade constante de crescer profissionalmente e de investir na minha formação artística. Desde os dez anos, faço anualmente aulas técnicas nas três áreas das artes cênicas: dança, canto e atuação. Sou muito exigente comigo mesma e, por isso, também costumo ser crítica com minhas apresentações.”
“Ao mesmo tempo, precisei aprender a não ser tão dura comigo. Nesta indústria tão mutável, às vezes parece que, se você não tem sucesso o tempo todo, não é ninguém. Mas a realidade vai muito além disso. Tenho muita paixão pelo que faço e me sinto privilegiada por ter conseguido me desenvolver profissionalmente no meu país durante dez anos.”
“Também precisei me reinventar, sair de lugares nos quais não me sentia confortável ou valorizada e reorganizar equipes de trabalho. Tornar-me uma artista independente me fortaleceu muito. Acho que esse é o maior aprendizado de hoje: ter coragem de confiar em mim mesma e de acreditar que posso ir mais longe. Meu talento não é definido por uma gravadora, pelos números que minhas músicas alcançam nem pela quantidade de shows que faço.”
“Ser mulher em uma indústria tão machista foi difícil, mas a independência me deu uma força que eu não conhecia. Mudei minha forma de trabalhar, tanto no aspecto profissional quanto no humano. Agora entendo melhor como funciona o negócio e que é inviável manter uma carreira musical sem uma equipe com a qual você se sinta confortável e que o incentive a crescer como artista e como pessoa.”

Durante vários anos você foi uma das vozes de Dame 5 e, a partir de 2022, começou a construir seu caminho como solista. O que a levou a dar esse passo e qual foi a maior dificuldade ao passar de intérprete de um grupo a uma artista com identidade musical própria?
Agusmor: “No começo, a parte mais difícil foi ter coragem de mostrar minhas canções, aquelas que estavam guardadas na gaveta quando eu cantava sozinha no quarto. Eu vinha de um formato mais pop e comercial, mas queria romper com esse enquadramento de gênero. Tive de aceitar que minhas músicas talvez não alcançassem os mesmos números de visualizações e reproduções.”
“Resolvi me aventurar por outros gêneros dos quais gosto profundamente e que fizeram parte da minha formação musical. Foi uma conquista enorme fazer algo que sempre quis, com a sonoridade que eu desejava. Eu não me perdoaria ficar pensando: ‘E se eu tivesse tentado?’”
“Ao me tornar independente, também tive de aprender sobre muitas áreas que antes desconhecia. Com Dame 5 eu trabalhava para uma produtora, e minha função era simplesmente ser artista. Agora sou cantora, compositora, gestora cultural, responsável pelas minhas redes sociais, editora dos vídeos, produtora e coordenadora das gravações de videoclipes. Também preparo campanhas de marketing para os lançamentos. Tudo isso tira um pouco do tempo que eu poderia dedicar apenas à arte.”
“Tive de começar do zero em assuntos como contratos, direitos autorais e outras questões jurídicas. Antes, em Dame 5, eu não compunha; interpretava as músicas. O que mais me custou foi entender o marketing nas plataformas da Meta, a publicidade de vídeos no YouTube e a entrada em playlists do Spotify. Hoje já não basta simplesmente fazer boa música para que ela seja conhecida.”
“Durante muito tempo, essas tarefas me sobrecarregaram. Era coisa demais para uma pessoa, e eu nem sempre via resultados proporcionais ao investimento financeiro — que é muito caro. Mas esse passo foi necessário para construir uma carreira sólida e ser reconhecida como Agustina Morales, além de Dame 5.”

Em seu projeto solo aparecem influências do R&B, soul, funk e pop. Como esses estilos se combinam na composição e quais emoções ou experiências pessoais você procura expressar nas letras?
Agusmor: “Sempre gostei de cantar de tudo. Sou muito versátil e devo isso à formação que tive desde cedo no teatro musical. Quanto às letras, as músicas de Agusmor têm uma profundidade muito maior do que as canções de cumbia pop que ainda escrevo para Dame 5.”
“No meu projeto autoral, falo sobre experiências pessoais, saúde mental, empoderamento feminino, a busca por superar dificuldades e por me tornar uma versão melhor de mim mesma. São assuntos que talvez não fossem tão divertidos de ouvir em uma boate [risos]. Mas adoro ter a possibilidade de trabalhar com essas duas propostas.”
“Percebo também que é mais fácil para mim compor melodias e escrever letras em um caminho menos comercial. Quando componho para Agusmor, estou em um terreno no qual me sinto muito mais à vontade. Gosto de explorar gêneros, variar e criar fusões. As possibilidades parecem infinitas. Já com Dame 5 preciso permanecer em um formato mais definido, porque se trata de cumbia pop, com canções de assimilação mais imediata pelo público.”
Você também trabalhou no teatro musical, na televisão e em outros formatos de comunicação. Como essas experiências influenciam sua presença de palco, sua relação com o público e sua maneira de contar histórias por meio de uma canção?
Agusmor: “Influenciam cem por cento. Graças ao teatro musical, consegui deixar de lado uma parte mais rígida, clássica e convencional. Sou uma pessoa muito mais expressiva, divertida e ousada. Tenho coragem de fazer de tudo, até em áreas nas quais ainda não tinha experiência, como aconteceu com a televisão e o streaming.”
“Essa trajetória nos palcos me permitiu ser uma artista mais completa. O teatro musical é minha maior paixão, até mais do que a música isoladamente, porque reúne todas as linguagens que amo. Ele me inspira a continuar aprendendo e a me abrir para qualquer projeto artístico que apareça. Não tenho medo de experimentar.”
“Ter acesso a diferentes formas de comunicação também ampliou minha experiência, meu reconhecimento e minha relação com o público. E tudo isso acabou se refletindo na música que faço.”

Como artista independente uruguaia, quais são os principais desafios de levar sua música a outros países? O que você gostaria que o público brasileiro conhecesse de Agusmor nesta fase da carreira?
Agusmor: “A primeira coisa que já estou planejando para o próximo ano é me mudar para a Argentina. Sinto que o meu país me deu tudo o que sempre quis e sou muito grata por isso, mas quero mais. No Uruguai, sinto que cheguei a um limite de crescimento e que preciso ultrapassá-lo.”
“A Argentina sempre me abriu as portas, mas neste último ano percebi ainda mais o meu valor como artista pelo modo como o público argentino me recebeu. Lá as pessoas costumam participar intensamente dos shows, aplaudir, pedir fotos e escrever nas redes sociais. No Uruguai, às vezes temos mais dificuldade em dar esse impulso ao talento local. Além disso, por uma questão demográfica, precisamos nos tornar conhecidos em outros países para crescer.”
“Acredito que, depois da Argentina, outras portas se abrirão na América Latina. Esse é um projeto que tenho há muito tempo e que agora parece estar encontrando o momento certo. Outro desafio é explorar novos gêneros e colaborar com artistas de outros países.”
“O funk brasileiro, por exemplo, está tocando muito no Uruguai, e acho que me sentiria muito à vontade misturando minha música pop com esse gênero. Adoraria colaborar com artistas como Anitta ou Ivete Sangalo, duas mulheres icônicas da indústria musical brasileira.”
“Gostaria que o público brasileiro conhecesse meu trabalho completo, não apenas como cantora, mas também como atriz, bailarina, compositora e intérprete.”

Sobre Agustina Morales (Agusmor)
Agustina Morales, conhecida artisticamente como Agusmor, é cantora, compositora e artista multidisciplinar uruguaia. Integra desde 2016 a banda de cumbia pop Dame 5 e iniciou, em 2022, um projeto solo de composições autorais que explora R&B, soul, funk e fusões com o pop urbano. Sua formação artística inclui canto, dança e atuação, com atividades no teatro musical desde a infância.
Segundo a biografia enviada pela artista, já integrou apresentações da banda Rombai durante uma turnê latino-americana, atuou em musicais como “Cinderela” e “O Corcunda de Notre-Dame” e participou de produções de televisão e eventos. Também se apresentou em festivais como Cosquín Rock e América Rockstars, abriu shows de outros artistas e prepara seu primeiro álbum de estúdio.
Instagram oficial: https://www.instagram.com/agusmor_/
Notas da redação
Entrevista concedida por escrito ao Auctoritas Notícias, com respostas originais em espanhol traduzidas e editadas para o português do Brasil, preservando o sentido das declarações.
Entrevista: Eric Rudhiery Albuquerque.
Tradução e edição: Redação Auctoritas Notícias. Fotografias originais cedidas pela entrevistada, que autorizou a publicação.



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