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Ostra Coisa transforma liberdade criativa em identidade autoral e prepara novo álbum “O Peso da Culpa”

Foto do escritor: Eric Rudhiery
Eric Rudhiery
há 3 dias
5 min de leitura

Banda de Ubatuba fala ao Auctoritas Notícias sobre origem, referências, criação coletiva, desafios da cena independente e os próximos lançamentos

Por Eric Rudhiery | Auctoritas Notícias


Ostra Coisa: mais de uma década de trajetória dedicada ao repertório autoral. Foto: Eder Fausto.
Ostra Coisa: mais de uma década de trajetória dedicada ao repertório autoral. Foto: Eder Fausto.

Há bandas que se formam para tocar; outras nascem com uma ideia de trajetória. A Ostra Coisa pertence ao segundo grupo. Criada em 2012, em Ubatuba, no litoral paulista, a banda escolheu desde o início um caminho mais exigente: compor, gravar, lançar e circular com repertório próprio, reduzindo o espaço dos covers e tratando a autoria como eixo do projeto artístico.


Em entrevista exclusiva ao Auctoritas Notícias, Alexandre Sofiatti falou em nome da banda sobre a origem do grupo, as referências que moldaram sua sonoridade, o processo de criação coletiva, as dificuldades de sustentar uma carreira independente e a fase atual, marcada pela preparação do terceiro álbum de estúdio, “O Peso da Culpa”.


A escolha pelo repertório próprio não aparece apenas como preferência estética. Ela funciona como princípio organizador da Ostra Coisa: orienta a maneira como o grupo compõe, produz, se apresenta e projeta cada nova etapa.


Como nasceu a Ostra Coisa e o que uniu os integrantes em torno da proposta musical da banda?


“A banda Ostra Coisa surgiu no ano de 2012, quando o guitarrista Alexandre Sofiatti e a baixista Patrícia Gomes conheceram o baterista Ralph Casarsa. A ideia inicial era ser uma banda autoral que comporia, gravaria, lançaria e circularia com um repertório próprio, abrindo mão de tocar muitos covers nos shows. A banda teve uma grande evolução com a chegada do nosso guitarrista e produtor Marcus Goulart, que facilitou muito todo o processo do trabalho.”


Mais do que registrar uma formação, a resposta ajuda a entender a lógica que sustenta a banda: autoria, produção e circulação fazem parte do mesmo projeto. É uma visão de carreira que exige paciência e coerência, especialmente para quem escolhe atuar fora do circuito de repertório predominantemente conhecido.


A formação da Ostra Coisa em registro promocional. Foto: Eder Fausto.
A formação da Ostra Coisa em registro promocional. Foto: Eder Fausto.

A relação com o rock de outras décadas é assumida, mas não funciona como exercício de reprodução. A intenção declarada do grupo é usar esse repertório de influências como matéria-prima para timbres, arranjos e letras que reconheçam a tradição sem abrir mão de uma assinatura própria.


Quais referências ajudaram a formar a identidade sonora de vocês e o que a banda procura fazer para construir uma assinatura própria?


“A banda se abastece de uma maneira bem livre do rock brasileiro dos anos 70 e 80 como principais referências, porém também com uma boa pitada do rock psicodélico e dos clássicos internacionais da mesma época. Todas as músicas autorais têm uma assinatura muito particular da banda, com timbres, letras e arranjos muito bem trabalhados, gerando um som único e alternativo.”


Na Ostra Coisa, o processo criativo passa pela convivência musical. A composição não depende de uma fórmula fixa nem de uma única liderança: a banda trata a improvisação, o encontro e a experimentação como ferramentas para fazer uma ideia ganhar corpo.


Como funciona o processo de composição e criação dentro da Ostra Coisa? As músicas costumam partir de letras, riffs, experiências pessoais ou de uma construção coletiva?


“Sempre fomos uma banda boa de jams. Adoramos tocar juntos e estar livres para criar. Inclusive costumamos fazer viagens para criar músicas, como registrado no nosso documentário “O Peso da Culpa”, disponível no YouTube. Quando um riff ou melodia fica legal, começamos a colocar a letra e acrescentar momentos especiais em cada canção. Portanto, a maioria das criações é coletiva e todos colaboram com o processo criativo.”


Improvisação, experimentação e construção coletiva estão no centro do processo criativo do grupo. Foto: Eder Fausto.
Improvisação, experimentação e construção coletiva estão no centro do processo criativo do grupo. Foto: Eder Fausto.

Esse método ajuda a explicar por que a banda descreve suas músicas como resultado de participação conjunta. A jam, nesse contexto, não é apenas ensaio: é espaço de descoberta. O documentário “O Peso da Culpa”, citado por Sofiatti, registra parte dessa dimensão de processo e bastidor.


Para projetos autorais independentes, lançar música é apenas uma parte do trabalho. A continuidade também depende de acesso a espaços, financiamento, festivais, comunicação e formação de público. A Ostra Coisa responde a esse cenário combinando editais, presença orgânica nas redes e uma agenda de shows mais seletiva.


Para uma banda autoral independente, quais têm sido os maiores desafios para conquistar público, circular e transformar lançamentos em continuidade de carreira?


“Acredito que enfrentamos grandes desafios nesse sentido. Acabamos optando por nos prepararmos para tentar contemplar projetos em editais públicos de gravação, circulação e festivais de música. Temos redes fortes e orgânicas que nos ajudam bastante também e acabamos optando por não realizarmos muitos shows ao longo do ano; assim, o público sabe que sempre vai ter novidade nas nossas apresentações. Recentemente apresentamos nosso novo show “O Peso da Culpa ao Vivo” no Teatro Municipal de Ubatuba, nossa cidade, e pretendemos circular com esse evento por cidades vizinhas com o material do nosso terceiro álbum, de mesmo nome, que será lançado em breve.”


Há, nessa estratégia, uma recusa à presença automática. Em vez de transformar cada apresentação em repetição de repertório, o grupo tenta fazer do show um acontecimento associado a novidade, lançamento ou nova etapa. O recente espetáculo no Teatro Municipal de Ubatuba é um exemplo dessa lógica de apresentação como experiência, não apenas como cumprimento de agenda.

Ostra Coisa vive uma fase de novos lançamentos e expansão do projeto “O Peso da Culpa”. Foto: Eder Fausto.
Ostra Coisa vive uma fase de novos lançamentos e expansão do projeto “O Peso da Culpa”. Foto: Eder Fausto.

“O Peso da Culpa” e o próximo capítulo

A fase atual reúne passado, presente e continuidade. A discografia já construída dá lastro ao novo projeto, enquanto o registro ao vivo e os materiais audiovisuais ampliam a vida do repertório para além do palco. Ao mesmo tempo, a banda afirma já trabalhar no que virá depois do terceiro álbum.


O que melhor representa a fase atual da Ostra Coisa e quais lançamentos, shows ou projetos vocês estão preparando para os próximos meses?


“A banda já tem dois álbuns lançados, “Lembranças da Noite Anterior” e “Teias Siderais”, disponíveis em todas as redes. Muitos videoclipes no YouTube e também alguns singles e parcerias com outros músicos e compositores. Atualmente, a banda se prepara para lançar seu novo álbum de estúdio “O Peso da Culpa”, com nove músicas inéditas. O primeiro single, “O Último Sopro”, já foi lançado em áudio e videoclipe e está disponível. Gravamos nosso show ao vivo no Teatro Municipal de Ubatuba e lançaremos o making of, o filme do show e as músicas separadas em áudio e vídeo. Já estamos trabalhando no nosso próximo álbum. Além do teatro, participamos da Noite Autoral e do 8º Ubatuba Rock Fest. Estamos em ótima fase, com um bom crescimento e com excelentes planos para nosso futuro. Só chegar para fazer parte da família “Ostra Coisa”.”


Uma identidade que se sustenta no tempo

Mais de uma década depois do início, a Ostra Coisa chega a uma etapa em que o desafio já não é apenas existir como banda autoral, mas ampliar o alcance sem dissolver o que a tornou reconhecível. “O Peso da Culpa” surge nesse ponto como síntese de uma trajetória que combina repertório próprio, criação coletiva, produção independente e cuidado com a experiência de cada lançamento.


Entre o palco, o audiovisual e a preparação de novas músicas, a banda segue apostando em crescimento com identidade. Para quem acompanha a cena independente, a trajetória da Ostra Coisa mostra que continuidade não depende apenas de frequência, mas de coerência, e de uma disposição constante para transformar influência em linguagem própria.


Notas da redação

Entrevista: respostas enviadas por Alexandre Sofiatti, em nome da Ostra Coisa, ao Auctoritas Notícias.


Texto das respostas: foram realizados apenas ajustes mínimos de ortografia, pontuação e padronização editorial, sem alteração do conteúdo ou do sentido das declarações.

Fotografias: cedidas pela banda. Crédito obrigatório: Eder Fausto.

Contato e redes: Instagram oficial @ostracoisa_banda.


Editado e revisado pelo diretor de Marketing, Eric Rudhiery Albuquerque.



 
 
 

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