Una Sand transforma independência em linguagem própria e prepara novo capítulo entre pop, R&B e soul
Em entrevista exclusiva ao Auctoritas Notícias, artista e compositora fala sobre o início inesperado da carreira, a construção de sua identidade musical, os desafios da independência e os próximos lançamentos.
Por Auctoritas Notícias
Há trajetórias artísticas que começam com um plano detalhado; a de Una Sand tomou forma a partir de um encontro quase acidental. Um pequeno vídeo publicado no Facebook de seu pai levou a cantora e compositora a um songwriting camp internacional, onde viveu sua primeira sessão de composição. A experiência abriu uma sequência de oportunidades profissionais que incluiu trabalho como compositora para outros artistas, contrato editorial com a Sony/ATV Benelux, uma masterclass com Stargate e Fred Ball e, posteriormente, um contrato fonográfico com a Universal Music.
Hoje, em uma fase independente, Una constrói um repertório no encontro entre pop, R&B e soul, com atenção especial à composição, aos arranjos vocais e à instrumentação orgânica. Em seu material oficial, a artista se apresenta como uma cantora e compositora norueguesa de Oslo, e descreve sua música como um trabalho guiado por melodias fortes, letras honestas e profundidade emocional.
Na conversa exclusiva com o Auctoritas Notícias, Una revisita esse percurso sem romantizar a carreira independente: fala da pressão para que um artista também seja estrategista e divulgador, explica por que a conversa costuma ser o ponto de partida de suas composições e antecipa uma nova etapa de lançamentos.

Quando a música deixou de ser apenas um interesse e passou a parecer algo que você queria seguir seriamente como artista?
“Minha trajetória na música aconteceu de forma um pouco inesperada. Fui convidada para um songwriting camp depois que um dos organizadores viu um trecho meu cantando e tocando alguma coisa no Facebook do meu pai.
Aquele songwriting camp internacional foi onde tive minha primeira sessão de composição. Eu estava extremamente nervosa, porque não tinha experiência alguma, e acabei escrevendo a maior parte da música fora do estúdio, sentada em um gramado com minha coautora, Kirsten Schneider, dos Países Baixos.
Quando tocamos a música para todos no acampamento naquela noite, a reação foi muito forte. Kirsten acreditou em mim e me convidou para ir aos Países Baixos trabalhar com ela. Pouco depois, fui para lá por quatro ou cinco dias e acabamos escrevendo uma música por dia. Ela enviou as canções para sua editora na Sony/ATV, que então me convidou para uma reunião e perguntou o que eu queria fazer da minha vida.
E o resto é história.
Assinei com a Sony/ATV Benelux e comecei a trabalhar profissionalmente com música. Durante meu primeiro ano, escrevi principalmente para outros artistas, sobretudo nomes maiores da cena local de EDM, mas também comecei a explorar diferentes sonoridades e a encontrar minha própria identidade.
Um ano depois, fui selecionada como a única mulher e uma de apenas oito pessoas para participar de uma masterclass com Stargate e Fred Ball em Los Angeles e Londres. Naquele mesmo ano, também assinei um contrato fonográfico com a Universal Music.
Depois de alguns anos, porém, decidi encerrar meu contrato com eles e seguir de forma independente. Olhando para trás, é engraçado pensar que tudo começou porque alguém viu, por acaso, um pequeno vídeo meu no Facebook do meu pai.”
Um começo fortuito, portanto, rapidamente se transformou em formação profissional e experiência internacional. A decisão posterior de deixar um contrato fonográfico e construir uma trajetória independente é central para compreender o momento atual de Una: a autonomia não aparece apenas como modelo de carreira, mas como parte da própria construção artística.
Seu som transita entre pop, R&B e soul. Como você chegou a essa combinação e quais artistas, experiências ou ambientes musicais mais moldaram sua linguagem artística?
“Acho que o pop em mim vem de forma bastante natural das minhas raízes e da minha criação escandinava, enquanto R&B e soul são os tipos de música que ouvi durante toda a vida. Esse lado da minha música floresceu ainda mais quando comecei a trabalhar em Los Angeles.
Senti muitas vezes, ao longo da minha trajetória, que havia encontrado meu som, mas ele continuou evoluindo com o tempo, com as experiências de vida e com as diferentes pessoas com quem tive a oportunidade de colaborar. Sinto que agora cheguei a uma direção muito clara, que é verdadeira para quem sou como artista, embora saiba que provavelmente continuará evoluindo. Quem sabe como isso vai soar daqui a dez anos?
Alguns artistas que me inspiram muito são Tori Kelly, Ella Mai e Kehlani, além da era do R&B do início dos anos 2000 e de artistas como Ne-Yo e Alex Isley. Há algo na combinação de vocais cheios de soul, melodias fortes e aquele sentimento atemporal do R&B que realmente fala comigo.”
A identidade que Una descreve não nasce de uma fórmula fixa. Ela resulta do encontro entre referências escandinavas de pop e uma escuta prolongada de R&B e soul, ampliada pela experiência de trabalho em Los Angeles. A artista reconhece, ao mesmo tempo, que uma linguagem musical permanece viva justamente porque continua mudando.

Quando você compõe, o que costuma vir primeiro: letra, melodia, ritmo, uma emoção ou uma história específica que sente necessidade de contar?
“Isso realmente depende das outras pessoas que estão na sala, mas normalmente começo tendo uma conversa sobre o que quero escrever ou sobre o que está no meu coração naquele dia.
Quando a conversa começa a fluir em torno de determinado assunto, a energia da sala muda e alguma coisa começa a ganhar forma. A partir daí, gosto de encontrar uma progressão de acordes que pareça seguir na direção certa e, geralmente, é quando as melodias começam a surgir naturalmente.
Concluo a composição a partir daí, mas, de certa forma, a música já começou a tomar forma durante a conversa. Depois que falamos sobre o tema e tenho aquele sentimento em algum lugar no fundo da mente, ele naturalmente passa a fazer parte das melodias e do processo criativo.
De muitas maneiras, é uma combinação de todas essas coisas. Em alguns dias tenho uma pequena melodia muito clara na cabeça que simplesmente preciso colocar para fora; em outros, a letra ou uma história específica vem primeiro. Mas, para mim, sempre precisa existir algo verdadeiro por trás da música. Nunca escrevi uma canção que eu realmente ame começando apenas por uma referência ou por uma vibe; ela precisa vir do coração.”
Essa centralidade da conversa ajuda a explicar por que Una insiste na necessidade de algo real por trás da canção. Para ela, melodia e letra não são elementos isolados: são consequências de um estado emocional e de um assunto que começa a existir antes mesmo da composição formal.
Artistas independentes hoje precisam ser criadores, intérpretes, estrategistas e muitas vezes os próprios divulgadores. Qual tem sido a parte mais exigente de construir sua carreira e o que ajudou você a permanecer artisticamente focada?
“Essa é definitivamente uma das partes mais difíceis do trabalho para mim. É a combinação de ter que ser artista, criadora, estrategista e divulgadora ao mesmo tempo, especialmente a parte das redes sociais.
Nunca senti que tivesse uma inclinação natural para as redes sociais e definitivamente não entendi cedo o suficiente o tamanho que elas teriam na indústria da música. Achei desafiador encontrar uma direção que parecesse autêntica para mim e que refletisse genuinamente minha arte e aquilo que quero compartilhar com o mundo.
Uma das coisas que aprendi ao longo do caminho é que não quero necessariamente gastar toda a minha energia tentando ser boa em tudo. Sei onde prospero: no estúdio, escrevendo, criando e desenvolvendo música. Então espero que, com o tempo, eu encontre o empresário ou a equipe certa para ajudar a carregar algumas das outras partes do trabalho, enquanto posso concentrar mais do meu tempo e energia naquilo que faço melhor.”
A independência, nesse relato, traz liberdade e também sobrecarga. Ao admitir que seu melhor ambiente é o estúdio, Una aponta para um dilema comum da música contemporânea: a criação disputa tempo e energia com tarefas de comunicação, estratégia e presença digital.

O que mais entusiasma você nesta fase atual da carreira e o que os ouvintes brasileiros devem esperar dos próximos passos de Una Sand?
“Tenho trabalhado de forma muito intencional com a música no último ano ou nos últimos dois anos, inclusive criando meu próprio songwriting camp na casa da minha família na Toscana. Isso me deu o tempo, o espaço e o foco criativo que estavam me fazendo falta e de que eu realmente precisava.
Sinceramente, foi a realização de um sonho reunir algumas das minhas pessoas favoritas de diferentes partes do mundo e trabalhar juntas no meu próprio projeto. Há algo muito especial em criar música em um lugar tão pessoal para mim, cercada por pessoas com quem adoro trabalhar.
Vou lançar meu primeiro EP independente no início do próximo ano, além de algumas colaborações muito especiais que estou ansiosa para compartilhar. Também haverá músicas no meu idioma nativo, algo especialmente pessoal para mim e que estou muito animada para finalmente colocar no mundo.
Sou muito grata se esta entrevista abrir a porta para um novo público no Brasil e mal posso esperar para compartilhar tudo o que tenho preparado. Espero que vocês estejam prontos para pop orgânico, R&B e soul em sua melhor forma, com muita instrumentação ao vivo, arranjos vocais empolgantes e letras que acertam diretamente o coração.”
O próximo ciclo, portanto, nasce de um ambiente deliberadamente construído para devolver espaço à criação. O songwriting camp organizado na casa da família na Toscana funciona como síntese dessa fase: independência, colaboração internacional e controle sobre o próprio processo.
Entre o acaso que abriu a primeira porta e a decisão consciente de construir uma carreira nos próprios termos, Una Sand atravessou diferentes estruturas da indústria musical sem abandonar a composição como centro do trabalho. A nova fase que descreve ao Auctoritas Notícias não é apresentada como ruptura com tudo o que veio antes, mas como amadurecimento: uma busca por clareza artística, colaboração e espaço para fazer música com intenção.
Para o público brasileiro, a entrevista também funciona como uma apresentação de uma artista que deseja ampliar fronteiras sem diluir a própria identidade. O próximo EP independente, as novas colaborações e as músicas em seu idioma nativo deverão mostrar até onde essa combinação entre pop, R&B, soul e instrumentação orgânica pode avançar.

Nota da Redação
Entrevista concedida por escrito ao Auctoritas Notícias. As respostas de Una Sand foram originalmente enviadas em inglês e traduzidas para o português pela redação, com preservação de sentido, contexto e tom.
As informações biográficas utilizadas nesta matéria foram fornecidas pela própria artista e conferidas com seus canais oficiais. As fotografias indicadas foram disponibilizadas pela artista para uso na entrevista, com os respectivos créditos.
Tradução: Eric Rudhiery Albuquerque
Sobre Una Sand
Una Sand é artista e compositora independente. Seu trabalho combina pop, R&B e soul, com instrumentação ao vivo, composição intimista, melodias marcantes e arranjos vocais detalhados. Em sua fase atual, desenvolve projetos de forma independente e organiza songwriting camps na casa de sua família na Toscana, reunindo compositores e músicos de diferentes países.
Links oficiais
Instagram: @unasand
Spotify: Una Sand
TikTok: @itsunasand
Site oficial: unasand.com
Créditos fotográficos
Fotos 1, 2 e 3: Aleksandra Suchkova
Foto 4: Silje Reed
Editado e revisado pelo diretor de Marketing, Eric Rudhiery Albuquerque.



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